O Irã entrou em uma fase mais aguda de instabilidade após o regime ditatorial impor um corte quase total de internet e telefonia como resposta à expansão dos protestos contra a crise econômica e caça a cristãos. A medida coincidiu com grandes manifestações em Teerã, Mashhad e outras cidades, algumas das maiores registradas nos últimos anos. Organizações de direitos humanos apontam dezenas de mortos, incluindo crianças, além de milhares de detenções, enquanto vídeos verificados por veículos internacionais indicam que os atos continuam apesar da repressão.
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Há quem diga que é um grito do povo por liberdade como o que vem ocorrendo na Venezuela, agora comemorando a queda do ditador Maduro.
Por que o governo cortou a internet
O bloqueio digital foi confirmado pelo grupo de monitoramento NetBlocks, que registrou queda abrupta da conectividade em todo o país, dificultando a circulação de informações e a coordenação dos protestos.
O apagão digital é uma estratégia já utilizada pelo regime iraniano em momentos de crise. Ao restringir comunicações, o governo busca reduzir a capacidade de mobilização dos manifestantes e limitar a divulgação de imagens e relatos para o exterior. A prática foi adotada em protestos anteriores e também durante confrontos militares recentes, sob o argumento de segurança nacional.
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Na avaliação de organizações internacionais, a medida compromete o direito à comunicação em um momento crítico e dificulta a verificação independente do que ocorre nas ruas.
Contexto da perseguição a Cristãos no Irã
- Em julho de 2025, mais de 40 cristãos foram presos em diferentes cidades iranianas. Muitos foram acusados apenas por portar Bíblias ou participar de cultos.
- Novas leis aprovadas às pressas facilitaram punições severas, incluindo pena de morte por “espionagem” ou colaboração com países hostis como EUA e Israel.
- Há relatos de tortura psicológica e física contra cristãos presos, como no caso do armênio Hakop Gochumyan, acusado de “proselitismo desviante” apenas por possuir exemplares do Novo Testamento.
Advertências de Trump
- Donald Trump tem usado sua posição para denunciar a repressão religiosa no Irã, afirmando que os EUA não podem ignorar violações de direitos humanos.
- Ele já advertiu que a perseguição contra cristãos e outras minorias pode gerar novas sanções internacionais e aumentar a pressão diplomática sobre Teerã.
- Trump reforça a ligação entre liberdade religiosa e política externa americana, colocando o tema como prioridade em sua agenda.
Implicações globais
- A perseguição religiosa no Irã não é apenas uma questão interna: ela afeta relações internacionais, já que os EUA e aliados usam esses episódios como justificativa para ampliar sanções.
- Também impacta a percepção global sobre o regime iraniano, aumentando o isolamento diplomático e a pressão sobre sua economia.
O que desencadeou os protestos
O estopim foi econômico e caça a cristãos. A rápida desvalorização do rial, a inflação elevada e o encarecimento de itens básicos pressionaram a população. O cenário é atribuído às sanções ligadas ao programa nuclear, aos efeitos de confrontos militares recentes e a problemas estruturais de gestão.
As manifestações começaram no Grande Bazar de Teerã, tradicional termômetro da economia iraniana, quando comerciantes protestaram contra a perda acelerada do poder de compra. Em poucos dias, os atos se espalharam para universidades, bairros populares e cidades médias.
Como os protestos ganharam dimensão nacional
Embora o fator econômico tenha sido o gatilho, as manifestações rapidamente passaram a expressar críticas políticas mais amplas. Segundo a Human Rights Activists News Agency, atos já foram registrados em todas as 31 províncias do país, algo incomum mesmo para os padrões iranianos.
Vídeos verificados pela imprensa internacional mostram slogans contra o regime e contra o líder supremo, Ali Khamenei, além de pedidos abertos por mudanças profundas no sistema político, indicando que o descontentamento vai além da economia.
O que significa o “momento muro de Berlim”
A expressão foi usada pela jornalista e ativista iraniana Masih Alinejad em entrevista à CNN. Segundo ela, o atual ciclo de protestos não se limita à crise econômica e representa um ponto de ruptura. “Isso não é apenas sobre a economia. As pessoas estão dizendo que esse regime não pode mais ser reformado”, afirmou, ao comparar o momento à queda do Muro de Berlim como símbolo do colapso de regimes autoritários.
Alinejad também declarou que “as pessoas estão indo às ruas sem medo, porque sentem que não têm mais nada a perder”, reforçando a ideia de uma mudança qualitativa em relação a protestos anteriores.
Como o regime iraniano está reagindo
Na prática, organizações de direitos humanos relatam uso de força letal, detenções em massa e até invasões de hospitais para prender manifestantes feridos, especialmente no oeste do país.
Qual é o papel dos Estados Unidos
O presidente dos EUA, Donald Trump, elevou a tensão ao afirmar que o regime iraniano “vai pagar caro” se matar manifestantes e crsitãos. As declarações ocorreram após ações recentes de Washington contra aliados do Irã e passaram a ser acompanhadas de perto tanto pelo governo iraniano quanto pelos manifestantes.
Autoridades em Teerã classificaram a retórica como ameaça externa e passaram a enquadrar os protestos como parte de uma campanha conduzida por inimigos estrangeiros.
Petróleo já sente o impacto
A crise interna iraniana já repercute no mercado. Os preços do petróleo reagiram às tensões no país, mesmo diante da perspectiva de aumento de oferta com a possível retomada da produção venezuelana. Os petróleos Brent e WTI operavam com alta de cerca de 0,8% na manhã desta sexta, reforçando a ideia de que a instabilidade no Irã continua sendo um fator de risco para mercados de energia







