O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 2025, após graves problemas de liquidez e irregularidades. O episódio rapidamente ganhou repercussão política e jurídica, chegando ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde passou a ser conduzido pelo ministro Dias Toffoli.
Críticas centrais do Estadão
O editorial publicado pelo jornal nesta terça-feira 13, aponta uma série de problemas na condução do caso pelo STF:
- Foro inadequado: o Supremo não seria o foro competente, já que não há prerrogativa de foro para os envolvidos.
- Princípio do juiz natural: manter o caso no STF afronta a regra constitucional de que cada processo deve ser julgado pelo juiz previamente definido pela lei.
- Sigilo nas investigações: o jornal critica o segredo imposto ao processo, afirmando que ele não protege o interesse público nem o trabalho policial. Pelo contrário, favorece os investigados e amplia a desconfiança sobre a condução do caso.
Relações pessoais e percepção de imparcialidade
O Estadão também destaca pontos delicados sobre a relação entre o controlador do banco e autoridades:
- Vorcaro e os três poderes: o editorial afirma que a proximidade de Daniel Vorcaro com autoridades dos três poderes compromete a imagem do Supremo.
- Negócios envolvendo familiares: o jornal lembra de negócios que envolvem familiares de ministros, o que reforça a percepção de conflito de interesses.
- Advogados ligados aos investigados: há relações pessoais com advogados próximos aos investigados, o que, embora não seja ilegal, impacta diretamente a percepção de imparcialidade da Corte.
Riscos institucionais
- O editorial alerta que a postura do STF pode levar à erosão da confiança pública na imparcialidade da Corte.
- A condução do caso sob sigilo e com proximidade pessoal entre autoridades e investigados reforça a ideia de distorção institucional.
- Para o jornal, o episódio compromete não apenas o sistema financeiro, mas também a credibilidade democrática do país.
VEJA: Banco Central coloca sigilo absoluto em conversas com Moraes da Suprema Corte sobre Banco Master
O editorial do Estadão sobre o caso Banco Master vai além da crise bancária: ele denuncia uma distorção institucional que ameaça a separação de poderes e a confiança pública no Judiciário. As críticas ao sigilo das investigações, às relações pessoais de autoridades e à condução do processo pelo STF revelam um cenário em que, mesmo sem ilegalidades formais, a percepção de imparcialidade fica gravemente comprometida. Para investidores e cidadãos, o episódio é um alerta sobre a importância de transparência, governança e limites claros de atuação para preservar a credibilidade das instituições brasileiras.








