O Brasil vive uma nova onda de questionamentos sobre a relação entre grandes grupos econômicos e figuras do Judiciário. A compra do Resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), ligado à família do ministro Dias Toffoli, por um advogado com vínculos diretos à J&F, deixa claro o conflitos de interesse e a blindagem de elites em meio a fraude financeira do Banco Master.
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Linha do tempo da negociação
- Fevereiro e março de 2025: o advogado Paulo Humberto Barbosa, ligado ao grupo J&F dos irmãos Batista, iniciou a aquisição das cotas do Resort Tayayá que pertenciam a dois irmãos e um primo de Dias Toffoli.
- Abril de 2025: a compra foi concluída, tornando Barbosa o único proprietário do empreendimento.
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Quem é o comprador
- Paulo Humberto Barbosa é advogado que atua para os irmãos Batista, donos da J&F, holding que controla empresas como Friboi e Banco Original.
- Ele mantém sociedade com Renato Mauro Menezes Costa, presidente da Friboi, e com Gabriel Paes Fortes, cunhado de José Batista Júnior, irmão mais velho de Joesley e Wesley Batista.
- Sua proximidade com o grupo J&F, já investigado em diversos escândalos, levanta suspeitas sobre a motivação da compra e os interesses por trás da transação.
Ligação com o Caso Banco Master
A compra do resort foi realizada por meio de um fundo ligado à Reag Investimentos, gestora que está diretamente envolvida nas investigações do Caso Banco Master.
- A Reag Investimentos foi liquidada pelo Banco Central em janeiro de 2026, após ser apontada como participante de operações fraudulentas ligadas ao Banco Master.
- O Banco Master é acusado de montar esquemas de lavagem de dinheiro, manipulação de ativos e fraudes bilionárias, com ramificações que atingem empresas e figuras políticas.
- A conexão entre a compra do resort e uma gestora investigada reforça a percepção de que grandes operações financeiras são usadas para blindar interesses e aproximar elites do Judiciário.
Impactos e implicações
- A transação coloca em evidência a proximidade entre a família de um ministro do STF e grupos econômicos investigados.
- O episódio ocorre em meio ao desmonte da operação Banco Master, com decisões do STF e do TCU que têm limitado investigações e questionado provas.
- A compra do resort intensifica a sensação de insegurança jurídica e de que figuras poderosas continuam blindadas, mesmo diante de escândalos e fraudes que abalam o mercado financeiro.
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O caso do Resort Tayayá não é apenas uma transação imobiliária. Ele simboliza a interseção entre grandes grupos econômicos, o Judiciário e operações financeiras suspeitas.
Assim como ocorreu com o desmonte da Lava Jato, o Caso Banco Master mostra que, quando investigações chegam perto de figuras influentes, o sistema se fecha.
O Brasil enfrenta novamente a escolha: proteger seus cidadãos e a transparência institucional ou continuar blindando elites e interesses privados.








