O jornal Folha de S.Paulo publicou um editorial contundente nesta quinta-feira 15, afirmando que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, não reúne condições para permanecer no julgamento do caso Banco Master. A crítica se baseia em uma série de decisões recentes do ministro que, segundo o jornal, comprometem sua imparcialidade e colocam em risco a credibilidade da Corte.
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O caso Banco Master
O Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro, está no centro de uma das maiores investigações financeiras do país. A instituição foi liquidada pelo Banco Central após suspeitas de fraudes e irregularidades graves. A Polícia Federal conduz inquéritos que envolvem figuras de destaque do setor financeiro e político.
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Decisões controversas de Toffoli
Segundo o editorial da Folha, Toffoli tomou decisões que beneficiaram diretamente o grupo investigado:
- Suspendeu investigações contra Daniel Vorcaro e o Banco Master;
- Anulou provas obtidas pela Polícia Federal;
- Determinou o arquivamento de inquéritos, mesmo com indícios relevantes de irregularidades.
Essas decisões foram tomadas em tempo recorde, o que levantou suspeitas sobre a condução do processo. A Folha destaca que tais atitudes minam a confiança pública no Judiciário e criam a percepção de que há dois pesos e duas medidas na aplicação da lei.
Conflito de interesses
O editorial também menciona possíveis conflitos de interesse envolvendo o ministro. A esposa de Toffoli, Roberta Rangel, teria firmado contratos milionários com empresas ligadas ao grupo investigado, o que, segundo o jornal, deveria ser suficiente para que o ministro se declarasse impedido de atuar no caso.
A posição da Folha
A Folha de S.Paulo afirma que, diante dos fatos, Toffoli deveria se afastar imediatamente do caso, para preservar a integridade do julgamento e a imagem do Supremo Tribunal Federal. O jornal conclui que a permanência do ministro no processo compromete a legitimidade das decisões e enfraquece a confiança da sociedade na Justiça.
Moraes também é citado
O editorial da Folha também critica o ministro Alexandre de Moraes por uma medida considerada incomum e preocupante: de forma autônoma, Moraes abriu um inquérito sigiloso contra a Receita Federal e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).
Na decisão, Moraes determinou que os investigadores apurassem uma possível quebra de sigilo por parte dos órgãos, no contexto de um suposto vazamento de dados fiscais que envolveriam integrantes do STF e seus familiares. A medida foi interpretada como uma tentativa de blindar sua esposa e filhos, após denúncias sobre contratos milionários firmados com empresas investigadas.
Para a Folha, Moraes reincide na prática heterodoxa de colocar-se ele próprio como julgador, investigador e potencial vítima, o que compromete a lisura do processo.
Caminho perigoso
O jornal conclui que tanto Toffoli quanto Moraes pavimentam um caminho errado de atuação institucional, ao interferirem diretamente em investigações que envolvem fraudes financeiras bilionárias e redes de corrupção ligadas ao Banco Master. A crítica central é que, ao agirem dessa forma, os ministros minam a confiança pública no Judiciário e enfraquecem os mecanismos de controle e transparência.







