Em janeiro de 2026, Santa Catarina celebra uma safra recorde de cebolas, mas o otimismo da produção contrasta com a realidade financeira dos agricultores. A cidade de Ituporanga, no Alto Vale do Itajaí, reconhecida como a capital nacional da cebola, projeta uma colheita robusta de 168 mil toneladas. No entanto, os preços baixos e o aumento dos custos de produção têm levado muitos produtores ao endividamento.
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A principal pressão vem da disparidade entre o custo de produção e o valor pago pelo mercado. O quilo da cebola é comercializado entre R$ 0,80 e R$ 1 patamar que, segundo representantes do setor, não cobre as despesas básicas da atividade. “Estamos vendendo cebola ao mesmo preço de 20 anos atrás, mas com um custo de produção infinitamente maior”, comparam agricultores.
Produção em números
- Safra 2025/2026:
- Área cultivada em Ituporanga: 4.900 hectares.
- Produtividade média: 35 toneladas por hectare.
- Produção estadual: 597 mil toneladas em 19.568 hectares.
- Safra anterior (2024/2025):
- Valor total da produção caiu de R$ 938 milhões para R$ 647 milhões, evidenciando a pressão sobre a rentabilidade.
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Preços e custos
Apesar da alta produtividade, o quilo da cebola está sendo comercializado entre R$ 0,80 e R$ 1,00, valores que não cobrem os custos básicos da atividade.
Segundo o agricultores, usando como base 12 hectares cultivados, o preço de venda está entre R$ 0,40 e R$ 0,50 abaixo do custo por quilo, acumulando prejuízos nos últimos 18 meses. A produtora Eloisa Feiber postou um desabafo em suas redes sociais, afirmando que vai tentar segurar a produção até quando for possível para ver se os preços melhoram.
O maior componente do custo é o manejo fitossanitário contra doenças fúngicas, agravado pela dependência do dólar, já que insumos como fertilizantes e defensivos são cotados em moeda estrangeira.
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A safra recorde de cebolas em Santa Catarina mostra a força da produção agrícola, mas também evidencia os desafios estruturais: preços baixos, custos elevados e endividamento crescente.
Sem políticas de valorização e maior equilíbrio entre oferta e demanda, os agricultores podem ver a atividade se tornar insustentável, mesmo diante de números históricos de produtividade.








