Em 2025, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva registrou uma arrecadação recorde de R$ 86,5 bilhões com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). O crescimento foi de 20,5% em termos reais em relação a 2024, representando um acréscimo de R$ 14,7 bilhões. Trata-se do maior valor anual desde o início da série histórica em 1995.
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O que explica o aumento
- Elevação das alíquotas: medida defendida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi o principal fator para o salto na arrecadação, que contou com a “canetada” do ministro Alexandre de Moraes para manter a cobrança após o Congresso Nacional derrubar e manter como era antes.
- Operações específicas:
- Câmbio de saída de moeda: arrecadação de R$ 14,9 bilhões (+113,5% vs. 2024).
- Crédito: R$ 19,3 bilhões em pessoa jurídica (+27,3%) e R$ 33,9 bilhões em pessoa física (+2,2%).
- Títulos e valores mobiliários: R$ 5 bilhões (+49,6%).
Em 2024, a alíquota básica do IOF sobre operações de crédito para pessoas físicas era de 0,0082% ao dia + 0,38% fixo. Em 2025, o governo Lula elevou essa tarifa para 0,95% fixo + 0,0082% ao dia nas operações de crédito para pessoas jurídicas (exceto Simples Nacional), o que representa um aumento de quase 150% na parte fixa da alíquota. Para pessoas físicas, o impacto médio foi calculado em cerca de 300% de alta efetiva em determinadas operações, segundo o Decreto nº 12.499/2025
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Sociedade insatsfeita com mais imposto
- Em maio de 2025, Haddad anunciou o aumento das alíquotas, projetando incremento de R$ 20,5 bilhões.
- O Congresso reagiu e aprovou um decreto legislativo para revogar o aumento.
- O governo recorreu ao STF, e o ministro Alexandre de Moraes manteve o decreto presidencial, impondo derrota ao Congresso.
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- Reflexos para o mercado
- Setor financeiro: bancos e corretoras criticaram o aumento, alegando impacto negativo sobre investimentos e crédito.
- Investidores: maior custo em operações financeiras, especialmente em câmbio e fundos, reduziu atratividade de algumas aplicações.
- Arrecadação federal: o IOF tornou-se peça central para o ajuste fiscal, ajudando a financiar o orçamento e compensar déficits.
Perspectivas futuras
- O governo ainda busca novas fontes de receita, como taxação de bets, fintechs e juros sobre capital próprio (JCP).
- Parte das propostas foi aprovada, mas outras — como maior tributação sobre LCAs e LCIs — não avançaram.
- O desafio permanece: equilibrar arrecadação recorde com estímulo ao investimento e crescimento sustentável. Lula se recusa a gastar menos e em ano eleitoral já abriu a torneira nos 20 primeiros dias do ano.
O recorde de arrecadação com o IOF em 2025 expõe a tensão entre Executivo, Congresso que representa o povo e mercado financeiro sobre o peso da carga tributária, e a insegurança jurídica no país.








