O Irã vive uma das maiores crises humanitárias e políticas do século XXI. Segundo o International Center for Human Rights (ICHR), mais de 43 mil manifestantes foram mortos desde o início dos protestos contra o regime teocrático. O número é estarrecedor e supera em muito as estimativas anteriores de outras organizações de direitos humanos. Ainda assim, o que mais choca é o silêncio de líderes globais que se dizem defensores dos direitos humanos — entre eles, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
O estopim da revolta
As manifestações começaram em 2022, após a morte de Mahsa Amini, jovem de 22 anos detida pela “polícia da moralidade” por supostamente usar o véu de forma inadequada. Sua morte gerou uma onda de indignação que rapidamente se espalhou por todo o país, unindo mulheres, jovens, trabalhadores e minorias étnicas em protestos contra a repressão, a desigualdade e a corrupção do regime.
Crise econômica e colapso social
Além da repressão política, o Irã enfrenta uma grave crise econômica. A moeda local, o rial, despencou, a inflação disparou e o desemprego atinge níveis recordes. A escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis agravou a insatisfação popular.
O governo, em vez de dialogar, respondeu com violência extrema:
- Mais de 43 mil mortos, segundo o ICHR
- Cerca de 41.800 presos, incluindo crianças e adolescentes
- Cortes sistemáticos de internet, para impedir a comunicação e a divulgação de abusos
- Execuções públicas e julgamentos sumários de opositores
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Censura, brutalidade e silêncio internacional
O regime iraniano intensificou o uso de tortura, detenções arbitrárias e desaparecimentos forçados. Famílias de vítimas relatam que não recebem os corpos de seus entes queridos ou são obrigadas a assinar documentos falsos para evitar investigações.
Mesmo diante desse cenário, o presidente Lula permanece em silêncio. Conhecido por defender o multilateralismo e o fortalecimento da ONU como mediadora de conflitos, Lula não se pronunciou sobre o massacre no Irã.
Esse silêncio contrasta com sua postura ativa em outras crises internacionais e levanta questionamentos sobre seu alinhamento com regimes autoritários, como o próprio Irã e a China, que tem sido uma aliada estratégica de Teerã e também evitou condenações públicas.
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A resistência não para
Apesar da brutalidade, os protestos não cessaram. A juventude iraniana, especialmente mulheres e estudantes, continua indo às ruas. As manifestações se tornaram símbolo de resistência global, com o lema “Mulher, Vida, Liberdade” ecoando em diversos países.
A coragem do povo iraniano diante da opressão inspira movimentos democráticos em todo o mundo. Mesmo sob risco de morte, milhares continuam exigindo liberdade, justiça e dignidade.
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A ONU e a omissão dos que deveriam agir
A Organização das Nações Unidas, frequentemente citada por Lula como pilar da governança global, também tem sido criticada por sua lentidão e timidez diante da tragédia iraniana. Enquanto sanções pontuais são aplicadas por países ocidentais, não há uma ação coordenada ou contundente da comunidade internacional para investigar os crimes cometidos pelo regime iraniano.
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O Irã vive uma tragédia silenciosa — e o silêncio de líderes como Lula apenas aprofunda o isolamento das vítimas. A denúncia de mais de 43 mil mortos não pode ser ignorada. É urgente que o mundo pressione por investigações independentes, responsabilização dos culpados e proteção aos direitos humanos.
O povo iraniano já mostrou que não vai se calar. Cabe à comunidade internacional — e aos líderes que se dizem defensores da democracia — provar que não estão do lado errado da história.









