Depois de meses de expectativa, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou em janeiro de 2026 os pagamentos referentes aos CDBs do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central. No entanto, milhares de investidores relatam problemas para receber os valores, expondo falhas no sistema e gerando insegurança no mercado financeiro.
O colapso do Banco Master
- O Banco Master, associado ao FGC, oferecia CDBs com alta rentabilidade e atraiu centenas de milhares de investidores.
- Com a liquidação extrajudicial, o FGC foi acionado para ressarcir os aplicadores.
- A garantia cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por conglomerado financeiro, incluindo principal e juros acumulados até a data da liquidação e um máximo de R$ 1 milhão para 4 anos.
- Valores acima desse limite devem ser cobrados na Justiça.
Início dos pagamentos
- O processo começou em 17 de janeiro de 2026, após dois meses de espera.
- Em apenas alguns dias, o FGC registrou 3,9 mil solicitações por hora.
- Até 29 de janeiro de 2026, o fundo já havia pago R$ 32,5 bilhões em garantias, beneficiando cerca de 580 mil credores — aproximadamente 75% do total.
- O montante total previsto é de R$ 41 bilhões, envolvendo mais de 800 mil CPFs e CNPJs.
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Reclamações dos investidores
Apesar dos números expressivos, milhares de pessoas ainda não receberam. Os principais problemas relatados incluem:
- Validação travada no status “aguardando validação”.
- Alegação de dados inconsistentes, mesmo sem alterações cadastrais.
- Instabilidade no aplicativo, que impede atualização de informações.
- Canais de atendimento ineficientes, sem respostas ou soluções.
No site ReclameAqui, já são mais de 2.600 ocorrências relacionadas à demora na execução, além de centenas de queixas sobre mau atendimento e qualidade do serviço.
Estou impedido de seguir com a solicitação de pagamento por um erro do sistema de vocês e pela falta de um canal de suporte que funcione”, escreve um investidor de Brasília (DF) no site ReclameAqui.
“O meu CPF está regular, a minha conta bancária é de minha titularidade, e não houve nenhuma alteração dos dados que justifique o bloqueio. Solicitei diversas vezes atendimento, mas disseram desde o dia 20/01 que a validação seria feita manualmente. Por favor, me ajudem”, escreve outro do Rio de Janeiro.
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“Em 12 dias corridos eles ainda não conseguiram fazer essa tal validação. Vários outros credores que fizeram a solicitação após o dia 17/01/2026 já receberam, o que demonstra total descaso e falta de critérios do FGC para atender aos pedidos”, mais um, esse de Niterói.
Os registros no site de reclamações são dos últimos dias — e os relatos se repetem.
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Terceirização da validação
- O FGC terceirizou parte da validação de identidade para a idwall, empresa de tecnologia especializada em verificação de documentos.
- Isso gerou uma espécie de “jogo de empurra”: investidores são orientados pelo FGC a procurar a idwall, que por sua vez manda voltar ao FGC.
- Resultado: atrasos e insegurança para quem aguarda o ressarcimento.
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Próximos pagamentos: Will Bank
- Além dos CDBs do Master, o FGC terá de ressarcir também os credores do Will Bank, outro integrante do conglomerado.
- Estão previstos mais R$ 6,3 bilhões em pagamentos, elevando o total para R$ 47 bilhões.
- O fundo ainda não recebeu a base de credores do Will Bank, o que pode gerar sobrecarga no sistema.
O que é o FGC
- O Fundo Garantidor de Créditos é uma instituição privada mantida por bancos, fintechs e financeiras.
- Ele garante ressarcimento em casos de falência ou liquidação de instituições associadas.
- Produtos cobertos: CDB, LCI, LCA, conta corrente, poupança, entre outros.
- Limite: R$ 250 mil por CPF/CNPJ e por conglomerado financeiro.
O caso do Banco Master expõe fragilidades na infraestrutura tecnológica e na comunicação do FGC, além de levantar dúvidas sobre sua capacidade de lidar com crises de grande escala.
Para os investidores, fica o alerta: rentabilidade acima da média pode esconder riscos elevados.
E para o sistema financeiro, a lição é clara: transparência e eficiência são fundamentais para manter a confiança do público.
Ao Portal Investidores Brasil o fundo afirmou que pagou R$ 32,5 bilhões em garantias a credores do conglomerado Master até hoje, 29 de janeiro de 2026, às 9h30. O valor representa 80% do montante total.
Em número de beneficiários, aproximadamente 580 mil credores já receberam os valores, correspondente a 75% do total de credores.
No entanto, cerca de 20 mil pedidos estão na etapa de processamento. O FGC afirma que esses pedidos aguardam “uma ação do credor”.
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“É importante que as pessoas mantenham ativas as notificações do aplicativo para serem alertadas quanto à necessidade de alguma atuação para a evolução de seu processo”, diz a nota.
Entretanto, o fundo não esclarece se o aplicativo ou o sistema estão com problemas de processamento, nem dá qualquer orientação para o investidor que está tentando reaver seu dinheiro.








