Panamá acaba com controle da China no canal e derruba concessão chinesa

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A decisão da Suprema Corte do Panamá de invalidar o contrato da CK Hutchison Holdings Ltd., conglomerado de Hong Kong do bilionário Li Ka-shing, para operar dois portos próximos ao Canal do Panamá, reacendeu tensões geopolíticas entre Estados Unidos e China. O episódio marca uma vitória para a estratégia de Donald Trump de conter a influência chinesa na América Latina e abre espaço para a entrada da APM Terminals, divisão da Maersk, na operação.

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A decisão da Suprema Corte

  • O tribunal declarou o contrato inconstitucional em 29 de janeiro de 2026.
  • A decisão foi publicada de forma inusitada: em uma breve nota no Instagram da corte.
  • A CK Hutchison, que opera os portos de Balboa e Cristobal desde 1997, havia prorrogado o contrato em 2021.
  • O controlador-geral do Panamá, Anel Flores, contestou a extensão alegando perda de mais de US$ 1 bilhão em receitas tributárias e falta de aprovações legais.

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Reação imediata

  • As ações da CK Hutchison caíram 5,7% em Hong Kong, maior queda desde abril.
  • O presidente panamenho, José Raúl Mulino, anunciou negociações com a APM Terminals para assumir a gestão interina.
  • A Panama Ports Company, subsidiária da CK Hutchison, seguirá operando até a conclusão dos procedimentos legais.
  • A empresa afirmou que ainda não foi formalmente notificada e que a decisão é incompatível com o arcabouço legal vigente.

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Reação da China

  • O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, declarou que a China tomará “todas as medidas necessárias para proteger firmemente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas”.
  • Para Pequim, a decisão representa submissão à pressão americana e ameaça aos interesses chineses em comércio e navegação.

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Contexto geopolítico

  • Donald Trump tem criticado a influência chinesa sobre o Canal e chegou a ameaçar colocá-lo sob controle americano.
  • Mulino reafirma a soberania plena do Panamá sobre a operação.
  • A disputa reflete a chamada doutrina Donroe, que enfatiza segurança e filtragem da participação estrangeira em infraestrutura estratégica.
  • Especialistas apontam que países podem enfrentar maior pressão dos EUA para limitar investimentos chineses em ativos logísticos.
  • Impactos econômicos
  • A CK Hutchison planejava vender seus 43 terminais globais para um consórcio liderado pela Terminal Investment Ltd. (do bilionário Gianluigi Aponte) e pela gestora americana BlackRock Inc.
  • A decisão reduz a avaliação do negócio e pode afetar a receita da transação, estimada em US$ 19 bilhões.
  • Para contornar riscos regulatórios, o grupo considera fatiar o acordo em blocos separados, permitindo maior participação da estatal chinesa Cosco Shipping Corp. em regiões mais favoráveis.

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Precedentes internacionais

  • Em 2025, o Panamá já havia retomado um terreno de uma empresa chinesa que não cumpriu exigências de construção de porto.
  • Em 2015, o Egito rescindiu contrato de concessão em Damietta; o caso resultou em disputa internacional e pagamento parcial de indenização.
  • Segundo Winston Ma, professor da Universidade de Nova York, contratos de concessão geralmente reservam aos governos o direito de rescindir por justa causa ou interesse público.

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A decisão do Panamá contra a CK Hutchison não é apenas um episódio jurídico, mas um marco geopolítico que reforça a disputa entre EUA e China pelo controle de infraestruturas estratégicas.

  • Para os EUA, representa uma vitória na contenção da influência chinesa.
  • Para a China, é um alerta sobre os riscos de investir em regiões sob forte pressão americana.
  • Para o Panamá, é a reafirmação de sua soberania sobre o Canal, mas também um desafio para equilibrar interesses econômicos e políticos globais.

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Lucas Lopes Lopes
Lucas Lopes Lopes
Redator, professor de Inglês e maratonista. Quer saber mais de mim? Pergunte que te conto... e-mail: [email protected]
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