O Banco Central do Brasil decidiu liquidar o Banco Master Múltiplo, encerrando formalmente o regime de administração especial temporária (RAET) que estava em vigor desde novembro de 2025 — e que tinha prazo para terminar em 18 de março de 2026.
A decisão ocorre após a própria autoridade reconhecer que deixaram de existir os fundamentos que justificavam a manutenção do regime especial, sobretudo após a liquidação da principal controlada do grupo.
RAET perde função após liquidação da Will Financeira
O Banco Master Múltiplo havia sido mantido sob intervenção com um objetivo específico:
- preservar ativos considerados viáveis
- sustentar operações em andamento
- e viabilizar uma eventual venda estruturada
Esse desenho estava diretamente ligado à Will Financeira, que controlava o Will Bank.
No entanto, em janeiro de 2026, o próprio Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, eliminando o principal ativo que justificava a continuidade do RAET.
Com isso, o racional técnico da autoridade foi direto:
➡️ sem ativo a preservar, o regime especial perde sua função econômica e regulatória.
Por que o Master Múltiplo não foi liquidado junto com o Banco Master
Quando o Banco Master foi liquidado em novembro de 2025, o Master Múltiplo foi estrategicamente preservado.
A decisão não foi operacional, mas tática:
- criar tempo para organizar a venda do Will Bank
- evitar ruptura abrupta em uma operação digital relevante
- reduzir impacto imediato sobre clientes e o sistema
Essa abordagem segue a lógica clássica de resolução bancária:
segregar ativos potencialmente viáveis antes de liquidar o restante do grupo
O problema:
a tentativa de alienação não prosperou
e o ativo central (Will Financeira) acabou liquidado semanas depois
A decisão do Banco Central: reconhecimento de inviabilidade
Ao decretar a liquidação do Banco Master Múltiplo, o Banco Central basicamente formaliza três pontos:
1. Falha da estratégia de recuperação
O RAET funcionava como ponte para:
- venda
- reestruturação
- ou preservação parcial
A liquidação indica que nenhuma dessas alternativas se concretizou
2. Encerramento do último núcleo operacional do grupo
A sequência dos eventos é clara:
- novembro/2025 → liquidação do Banco Master
- janeiro/2026 → liquidação da Will Financeira
- março/2026 → liquidação do Master Múltiplo
Resultado:
👉 desmonte completo do conglomerado
3. Mudança definitiva de fase: de intervenção para liquidação total Banco Master
O caso deixa de ser:
- uma tentativa de estabilização
E passa a ser:
- um processo integral de liquidação e absorção de perdas pelo sistema
Leitura técnica de mercado
Essa decisão não carrega surpresa — carrega confirmação.
O mercado já precificava que:
- a liquidação da Will Financeira inviabilizava qualquer solução privada
- o RAET estava apenas “ganhando tempo regulatório” até o prazo final
- não havia comprador para os ativos remanescentes
O movimento do Banco Central, portanto, é consistente com o manual de resolução bancária:
✔ elimina estruturas sem função
✔ reduz incerteza regulatória
✔ acelera o encerramento do evento
Implicações estruturais
Para o sistema financeiro
- redução de risco residual
- encerramento de uma fonte de incerteza
- consolidação de perdas já esperadas
LEIA: Tem consignado ou dívida de cartão do Will Bank? Veja o que acontece após a liquidação do banco
Para o regulador
- reforço da atuação técnica e sequencial
- uso completo do toolkit: intervenção → segregação → liquidação
Para o mercado
- evento deixa de ser “risco em aberto”
- passa a ser evento encerrado e absorvido
O dado mais relevante não é a liquidação em si —
é o que ela sinaliza:
não houve solução privada viável
não houve preservação de valor relevante
o caso migrou integralmente para destruição de capital e absorção sistêmica
A liquidação do Banco Master Múltiplo encerra formalmente o ciclo de intervenção iniciado em 2025 e consolida o fracasso das tentativas de preservação parcial do grupo.
O episódio deixa uma leitura objetiva para o mercado:
- o Banco Central executou todas as etapas possíveis de resolução
- a alternativa final foi inevitável
- e o caso Banco Master passa a ser tratado exclusivamente como evento de liquidação consolidado no sistema financeiro brasileiro



