O episódio envolvendo o Banco Central (BC) e o Banco Voiter ganhou destaque no cenário econômico brasileiro. O BC autorizou a transferência do controle do Voiter para um ex-sócio do Banco Master, apesar de já ter conhecimento de suspeitas de fraudes relacionadas à instituição.
A aprovação da transferência do controle do banco Voiter para Augusto Lima. ex-sócio do Banco Master e suspeito de envolvimento com a fraude ocorreu em julho de 2025.
O Banco Voiter foi vendido em meio a um cenário de fragilidade e questionamentos sobre sua gestão.
O comprador autorizado pelo BC tem histórico de ligação com o Banco Master, instituição que enfrentou liquidação extrajudicial e investigações por irregularidades.
A decisão do BC ocorreu mesmo diante de alertas sobre possíveis fraudes e inconsistências. O aval para a operação ocorreu mesmo com denúncias formais de indícios de crime enviadas ao Ministério Público Federal poucos dias antes, em 15 de julho.
Augusto Lima, foi detido em 17 de novembro de 2025 junto com executivos do Master, como Daniel Vorcaro, controlador da instituição, liberador dias depois com tornozeleira eletrônica.
Após a prisão Lima foi afastado pelo Banco Central das funções diárias do Banco Pleno, nome assumido pelo antigo Voiter, que encerrou 2024 com R$ 705 bilhões em ativos e estava sob controle do Master desde fevereiro daquele ano.
Associações baianas entra na trama
O Banco Central detectou em março de 2025, uma movimentação incomum de R$ 12 bilhões do Banco Estatal BRB para o Master, referente à compra de carteiras de crédito consignado.
O Master informou que os créditos teriam origem em duas associações baianas, Asteba e Asseba, que ofertariam consignados a servidores. Em análise o BC concluiu que essas entidades não possuíam capacidade financeira compatível com o montante negociado e identificou outras irregularidades no processo.
Lima mantinha procuração para representar as associações com instituições financeiras e o telefone de contato da entidade era o mesmo de uma empresa de Lima na Receita Federal, segundo documentos judiciais.
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Asteba e Asseba também foram alvo de mandatos de busca e apreensão, e a Justiça identificou vínculo direto entre a atuação de Lima e o esquema de fraude, o que justificou sua prisão preventiva inicial.
Augusto Lima é reconhecido por sua proximidade com políticos da Bahia, especialmente do PT. Apesar disto tem laço familiar com Flávia Peres, ex-ministra do governo de Jair Bolsonaro.
Em 2018 Lima comprou a Ebal e estruturou o cartão Credcesta, voltado a servidores públicos. O produto foi escalado pelo Banco Master em parceria. Com a compra do Voiter, Lima reassumiu integralmente o Credicesta e a Corretora Intercap, com essas operações no Banco Pleno.
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Impacto no sistema financeiro
- Credibilidade do BC: A aprovação levanta dúvidas sobre os critérios de supervisão e fiscalização da autoridade monetária.
- Risco sistêmico: A transferência para um ex-sócio de instituição envolvida em escândalos pode aumentar a percepção de insegurança no mercado.
- Investidores e clientes: O episódio gera preocupação entre investidores e correntistas, que dependem da solidez regulatória para confiar no sistema bancário.
Fraudes e investigações
- O Banco Master, ligado ao comprador do Voiter, foi alvo de suspeitas de fraudes financeiras.
- O caso resultou em liquidação extrajudicial, considerada uma das maiores operações do setor bancário nos últimos anos.
- O envolvimento de ex-sócios em novas operações bancárias reacende o debate sobre responsabilidade regulatória e blindagem contra reincidência de práticas ilícitas.
Repercussão política e econômica
- Autoridades e especialistas questionam se o BC deveria ter barrado a operação diante das informações disponíveis.
- O episódio pode afetar a imagem internacional do Brasil, já que investidores estrangeiros acompanham de perto a atuação dos órgãos reguladores.
- A decisão também pode influenciar futuras discussões sobre reformas regulatórias e transparência no setor financeiro.
A aprovação da transferência do Banco Voiter para um ex-sócio do Banco Master, mesmo com suspeitas de fraudes já conhecidas, expõe fragilidades na supervisão do sistema financeiro brasileiro. O caso reforça a necessidade de maior rigor regulatório e transparência para garantir a confiança de investidores e proteger o mercado contra riscos sistêmicos.










