Participação do yuan nas reservas internacionais do mundo recua, mas Brasil amplia exposição à moeda chinesa; especialistas apontam vantagens estratégicas e riscos financeiros
O Brasil vem ampliando sua exposição ao yuan chinês em suas reservas internacionais, mesmo em um momento em que a moeda da China perde participação no sistema financeiro global. O movimento, conduzido pelo Banco Central do Brasil na gestão escolhida de presidente Lula, faz parte de uma estratégia de diversificação cambial, mas também levanta debates entre economistas sobre possíveis riscos de concentração e vulnerabilidade geopolítica.
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Dados do Fundo Monetário Internacional mostram que o renminbi enfrenta dificuldades para consolidar seu espaço como moeda de reserva global, ao mesmo tempo em que alguns países emergentes — entre eles o Brasil — ampliam sua presença na divisa chinesa.
Yuan perde espaço nas reservas globais
De acordo com estatísticas do Fundo Monetário Internacional, a participação do yuan chinês nas reservas internacionais mundiais chegou a cerca de 2,3% em 2023, mas caiu gradualmente e ficou próxima de 2% em 2025.
Mesmo com iniciativas da China para ampliar o uso internacional de sua moeda, a expansão do yuan ainda enfrenta obstáculos importantes, entre eles:
- controle de capitais sobre o sistema financeiro chinês
- menor liquidez internacional
- acesso limitado ao mercado financeiro doméstico
Por outro lado, o dólar americano continua sendo a principal moeda de reserva global, sustentado pela força econômica dos Estados Unidos e pela grande liquidez do mercado de títulos do Tesouro americano.

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Brasil sob Lula amplia presença da moeda chinesa
Apesar da retração global do yuan, o Banco Central do Brasil aumentou a participação da moeda chinesa em suas reservas.
A fatia do yuan nas reservas brasileiras subiu de 4,8% em 2023 para cerca de 5,3% em 2024, mais que o dobro da média mundial.
O Brasil possui atualmente aproximadamente US$ 350 bilhões em reservas internacionais, utilizadas para proteger a economia contra crises financeiras, ataques especulativos e volatilidade cambial.
Dentro desse portfólio, a inclusão de diferentes moedas faz parte de uma estratégia tradicional de gestão de risco adotada por bancos centrais.
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Comércio com a China impulsiona a estratégia
A ampliação das reservas em yuan também reflete o peso da relação econômica entre Brasil e China.
O país asiático é o maior parceiro comercial brasileiro e absorve grande parte das exportações nacionais, principalmente:
- soja
- minério de ferro
- petróleo
- proteínas animais
Manter parte das reservas na moeda chinesa pode facilitar transações comerciais, reduzir custos de conversão cambial e fortalecer acordos financeiros bilaterais.
Nos últimos anos, iniciativas para ampliar o uso direto do yuan em transações entre os dois países também ganharam força.
Riscos de ampliar a exposição ao yuan
Apesar das vantagens estratégicas, economistas apontam que o aumento da exposição ao yuan chinês pode trazer riscos relevantes para a gestão das reservas.
Entre os principais pontos de atenção estão:
Controle estatal do sistema financeiro chinês
O governo da China mantém controle significativo sobre fluxos de capital e sobre o sistema financeiro. Em situações de crise, isso pode limitar a liquidez internacional da moeda.
Mercado financeiro menos profundo
O mercado de títulos denominados em yuan ainda é menor e menos líquido que o mercado de títulos dos Estados Unidos, considerado o mais seguro e líquido do mundo.
Riscos geopolíticos
A rivalidade estratégica entre Estados Unidos e China também pode gerar impactos indiretos no uso internacional do yuan, especialmente em momentos de tensão global.
Concentração em parceiro comercial dominante
Outro risco apontado por analistas é a dependência excessiva da moeda de um único parceiro comercial, o que pode aumentar vulnerabilidades caso haja mudanças nas relações econômicas ou comerciais.
Diversificação de moedas segue tendência global
Mesmo com esses riscos, a diversificação das reservas internacionais é considerada uma prática prudente entre bancos centrais.
Distribuir ativos em diferentes moedas permite:
- reduzir dependência do dólar americano
- ampliar flexibilidade em crises financeiras
- melhorar a gestão de risco cambial
Por isso, a presença do yuan nas reservas brasileiras tende a continuar relevante, principalmente enquanto o comércio com a China permanecer dominante.

O que essa mudança revela sobre o sistema monetário global
O aumento da participação do yuan chinês nas reservas do Brasil indica uma tendência de gradual diversificação do sistema monetário internacional.
Apesar disso, especialistas avaliam que o dólar americano continuará sendo a principal moeda de reserva global no curto e médio prazo.
O cenário mais provável é um sistema financeiro mais multipolar, em que moedas de grandes economias ganham espaço sem necessariamente substituir o dólar.



