A queda do ditador Maduro na Venezuela pode colocar em risco infraestruturas estratégicas construídas por Pequim em território venezuelano. A Venezuela já é praticamente uma colônia da China, modelo que vem sendo expandido para outros países da América Latina. Com a crise política e econômica no país sul-americano e a pressão norte-americana, há possibilidade de que obras financiadas e operadas por empresas chinesas em troca do território estratégico ao lado dos EUA, e das riquezas naturais, passem para controle dos EUA.
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Contexto da disputa
Nos últimos anos, a China tem investido bilhões de dólares em projetos de infraestrutura na Venezuela, bem como no Brasil e outros países da América Latina, incluindo portos, rodovias, usinas e sistemas de telecomunicações. Esses investimentos foram parte de uma estratégia de colonização política e econômica entre Pequim e Caracas e outros países com governos esquerdistas, especialmente durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.
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Segundo um artigo publicado em 2024 pelo pesquisador da Universidade Middlesex, no Reino Unido, Francisco Dominguez, de 2000 a 2018, a Venezuela recebeu um financiamento de US$ 67 bilhões de instituições financeiras chinesas. Esse valor representava 48% de todos os empréstimos chineses para a América Latina.
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Já de 2008 a 2020, a Venezuela tinha 29,6% de todos os projetos realizados pela China na América Latina na esteira do programa chinês da Nova Rota da Seda.
No setor petroleiro, foi criada em 2008 a PetroSinovesa, uma joint-venture entre as estatais PDVSA e CNPC (China National Petroleum Corporation). A PetroSinovesa participa da operação de diversos campos de petróleo no país sul-americano e é o principal braço chinês nas vastas reservas venezuelanas.
Em 2024, a petroleira chinesa China Concord Resources Corporation assinou um acordo na Venezuela para a exploração de 2 campos venezuelanos por 20 anos. O investimento será de US$ 1 bilhão e a meta é atingir uma produção nesses ativos de 60.000 barris por dia no final deste ano. A companhia chinesa iniciou a operação em agosto de 2025.
Já no setor de telecomunicação, a China tem uma parceria com a Venezuela para o lançamento de satélites desde 2008. Foram feitos ao menos 3 lançamentos –2008, 2013 e 2017. O país asiático também participou da construção da única instalação ativa de satélites de sensoriamento remoto da Venezuela, na base aérea Capitão Manuel Rios, em Guárico. Empresas como Huawei e ZTE também têm contratos vigentes no país para o desenvolvimento de redes de 4G e sistemas digitais.
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Tensões recentes
- Setembro de 2025: a China se opôs ao envio de navios de guerra dos EUA ao Caribe, reafirmando o princípio de não intervenção. Mas na verdade estava preocupada em resguardar sua dominância na América Latina e cerco aos EUA.
- Dezembro de 2025: Pequim condenou a apreensão de um petroleiro chinês pelos EUA em águas próximas à Venezuela, classificando a ação como violação do direito internacional. Mas a China faz isto constantemente na América Latina, inclusive com pesca predatória disfarçada na divisa da Argentina, a qual Milei tentar por fim com muita dificuldade.
- Outubro de 2025: Maduro mobilizou militares e civis para evitar uma possível ofensiva norte-americana, intensificando o discurso de defesa nacional. Maduro ofereceu aos EUA, entregar todas as riquezas da Venezuela para se manter no poder. Se Trump buscasse petróleo e riquezas como seus opositores afirmam, poderia ter aceitado a proposta e tomado o lugar de colonizador que a China tem atualmente.
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Implicações geopolíticas
- Para a China: risco de perder ativos e influência em um aliado histórico na América Latina. no quintal dos EUA.
- Para os EUA: oportunidade de ampliar presença estratégica no Caribe e enfraquecer a penetração chinesa na região.
- Para a Venezuela: a chance de deixar de ser colônia da China submetida a ditadura de um governo, para se abrir ao capitalismo com parcerias comerciais livres não apenas com os EUA, mas com todo o mundo.











