O que aconteceu
A agência de classificação de risco S&P Global reduziu a nota de crédito da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de BB- para B+, com perspectiva negativa.
- O rebaixamento reflete preocupações com a elevada alavancagem da empresa.
- A decisão foi tomada após a CSN anunciar um plano de venda de ativos para reduzir dívidas, mas com riscos de execução e prazos considerados desafiadores.
O movimento ocorre após a siderúrgica anunciar o planejamento para venda de parte de seus ativos relevantes, visando reduzir dívidas e fortalecer a saúde financeira da empresa. A pretensão é de diminuir entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões do endividamento da companhia ainda neste ano.
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Com menos dívidas, a CSN quer focar em negócios mais lucrativos e com maior potencial de crescimento. A empresa espera que essa estratégia permita, em até oito anos, alcançar o potencial de dobrar o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e atingir uma alavancagem sustentável em torno de uma vez a sua relação dívida líquida/Ebitda.
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Atualmente, os analistas da S&P Global projetam uma alavancagem ajustada acima de 5,0 vezes em 2026, na ausência da venda de ativos.
“Embora reconheçamos os esforços da empresa para melhorar sua estrutura de capital e reduzir a carga de juros, acreditamos que há riscos para a execução tempestiva dessas transações expressivas, o que pode postergar uma melhoria na alavancagem”, avaliam.
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Detalhes da estratégia da CSN
- A companhia pretende reduzir entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões de seu endividamento ainda em 2026.
- O objetivo é dobrar o Ebitda em até oito anos e alcançar uma alavancagem sustentável próxima de 1x dívida líquida/Ebitda.
- Para isso, a CSN planeja vender:
- O controle da CSN Cimentos, fortalecida após a compra dos ativos da LafargeHolcim em 2022.
- Uma participação relevante em uma holding de infraestrutura, reunindo ativos de ferrovia, portos e transporte rodoviário.
Riscos apontados pela S&P
- Execução complexa: vendas de ativos relevantes são raras na história da CSN.
- Prazo apertado: negociações devem ocorrer entre o 3º e 4º trimestre de 2026, com parte da infraestrutura prevista para 2027.
- Alavancagem elevada: sem a venda de ativos, a S&P projeta dívida líquida/Ebitda acima de 5x em 2026.
- Perspectiva negativa: há 1 em 3 chances de novo rebaixamento nos próximos 12 meses, caso a empresa não consiga reduzir dívidas ou melhore o desempenho operacional.
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Impacto no mercado
- Ações CSNA3: o papel caiu mais de 3% após o anúncio, refletindo a preocupação dos investidores.
Falta de negociação do governo Lula prejudica o setor siderúrgico
Em 2025, os Estados Unidos decidiram impor tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio importados.
- O Brasil, um dos maiores exportadores de aço para o mercado norte-americano, foi diretamente atingido.
- Empresas como a CSN (CSNA3), que dependem das exportações para equilibrar suas contas, viram suas margens reduzidas e sua competitividade internacional comprometida.
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Reflexo no setor siderúrgico
- Exportações em queda: as barreiras comerciais reduziram significativamente o volume de vendas para os EUA.
- Dependência do mercado interno: siderúrgicas brasileiras passaram a depender mais do consumo doméstico, que não tem a mesma escala nem preços competitivos.
- Pressão sobre empregos e investimentos: a redução de receitas externas afetou planos de expansão e manutenção de postos de trabalho.
- Concorrência global: países não afetados pelas tarifas ganharam espaço no mercado americano, deixando o Brasil em desvantagem.
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Impacto direto na CSN (CSNA3)
- A CSN já enfrentava alto nível de endividamento e precisava de receitas externas para aliviar sua alavancagem.
- Com as tarifas, a empresa perdeu parte importante de sua geração de caixa, agravando a situação financeira.
- Em 2026, a agência S&P Global rebaixou o rating da CSN para B+ com perspectiva negativa, citando justamente a dificuldade em reduzir dívidas em um ambiente externo desfavorável.
- Sem avanços diplomáticos, a companhia depende de venda de ativos e ajustes internos para tentar recuperar credibilidade no mercado.
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O papel do governo Lula
- Até hoje, o governo não conseguiu negociar a retirada das tarifas junto aos EUA.
- Essa falta de avanço diplomático mantém o setor siderúrgico sob pressão e limita a capacidade de recuperação das empresas.
- A ausência de uma solução política reforça a percepção de vulnerabilidade do Brasil em negociações comerciais estratégicas.
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As tarifas impostas em 2025 continuam em vigor e seguem como um peso para o setor siderúrgico brasileiro. Para a CSN, o impacto é duplo: além da alta alavancagem, a empresa enfrenta um ambiente externo desfavorável sem apoio diplomático eficaz.
Enquanto o governo não derrubar essas barreiras, a siderurgia nacional seguirá limitada, e companhias como a CSN terão dificuldades para recuperar força e confiança no mercado.








