Em 26 de janeiro de 2026 a Justiça determinou o arresto cautelar de bens do Grupo Fictor, em decisão da juíza Julieta Maria Passeri De Souza, da 4ª Vara Cível de Franca SP, atendendo a pedido de uma investidora que relatou suspensão de pagamentos. A medida ocorre no contexto das investigações que ligam a Fictor às irregularidades que levaram à liquidação extrajudicial do Banco Master e expõe riscos concretos para pequenos investidores.
LEIA: Reforma tributária vai atingir em cheio a pessoa física. Imposto de até 44% pode encarecer aluguel
O que é a Fictor e por que virou alvo
A Fictor se apresenta como uma holding de investimentos com atuação em alimentos, infraestrutura e serviços financeiros. Em 17 de novembro de 2025 o grupo anunciou uma proposta de compra do Banco Master com aporte declarado de R$ 3 bilhões. Menos de 30 dias depois surgiram relatos de atrasos em pagamentos a clientes e denúncias sobre ofertas estruturadas por SCPs Sociedade em Conta de Participação, o que levou reguladores e o Judiciário a investigar a origem dos recursos e a solidez das garantias apresentadas.
LEIA: JBS dos irmãos Batista é apontada pelos EUA como parte do “cartel da carne”
Acesse as notícias que enriquecem seu dia em tempo real, do mercado econômico e de investimentos aos temas relevantes do Brasil e do mundo faça parte da lista Vip Clique aqui.
Cronologia consolidada dos fatos
- 17 de novembro de 2025 Anúncio público da proposta de compra do Banco Master pela Fictor com aporte de R$ 3 bilhões.
- Novembro de 2025 Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Banco Master; Polícia Federal realiza operações e apreensões relacionadas à instituição.
- Dezembro de 2025 a janeiro de 2026 Crescem as reclamações de investidores sobre atrasos em resgates e pagamentos vinculados a produtos da Fictor; entidades de mercado acionam a CVM.
- 26 de janeiro de 2026 Juíza Julieta Maria Passeri De Souza determina bloqueio de contas e arresto de bens do Grupo Fictor a pedido de investidora que alegou suspensão de pagamentos.
LEIA: Bancos que venderam os CDBs do Master como Nubank, XP e BTG são acionados na justiça…
O arresto de bens explicado
- Natureza da medida Arresto é medida cautelar que visa preservar ativos (imóveis, veículos, valores em contas) para garantir futura reparação de credores caso se confirme fraude ou dilapidação patrimonial.
- Quem pediu A ação que motivou a cautelar foi proposta por uma investidora pessoa física que alegou não ter recebido pagamentos previstos.
- Alcance A decisão abrange bens vinculados a pessoas jurídicas do grupo e a dirigentes identificados nas apurações.
- Objetivo Evitar que ativos sejam transferidos ou ocultados enquanto perícias contábeis e investigações prosseguem.
MAIS: TCU aponta irregularidade e sobrepreço de até 1000% na COP30 causados pela OEI que Janja ganhou cargo
Ligação com o Banco Master e agravantes
A tentativa de aquisição do Master pela Fictor ocorreu em um momento de crise do banco. Autoridades identificaram operações que podem ter servido para inflar balanços ou ocultar perdas, e parte dessas operações teria relação com contratos e títulos vinculados à Fictor. A proximidade temporal entre o anúncio do aporte e os atrasos a investidores aumentou a suspeita sobre a origem dos recursos e a transparência das operações.
Prejuízo estimado e situação dos investidores
- Prejuízo consolidado Não há, até o momento, um número oficial único que consolide o prejuízo total causado pela Fictor; investigações e perícias contábeis estão em curso.
- Relatos e evidências Múltiplas reclamações públicas e registros em plataformas de defesa do consumidor apontam atrasos em resgates e pagamentos.
- Proteção limitada Muitos produtos estruturados via SCP não contam com cobertura do FGC, o que aumenta o risco de perda para investidores pessoa física.
- Impacto prático Investidores enfrentam atrasos, incerteza sobre habilitação de créditos e necessidade de ações judiciais para buscar ressarcimento.
LEIA: Reprovação de Lula pelos brasileiros chega a 57%
Consequências para o mercado e lições
- Concentração de risco Operações opacas favorecem a migração de ativos para estruturas menos transparentes e aumentam a desconfiança no mercado de ofertas privadas.
- Lição para investidores Priorizar investimentos regulados, exigir documentação completa, auditoria independente e cautela com promessas de retorno acima do mercado.
Passos práticos recomendados para investidores afetados
- Documentar tudo Guardar contratos, comprovantes, extratos e comunicações.
- Registrar reclamações Protocolar queixas na CVM, Procon e plataformas de defesa do consumidor.
- Acompanhar o processo Consultar a 4ª Vara Cível de Franca SP e comunicados oficiais do FGC e do Banco Central.
- Buscar assessoria jurídica Avaliar habilitação de crédito na liquidação, ações coletivas ou medidas individuais.
- Evitar novas exposições Suspender aportes em produtos do mesmo grupo até esclarecimentos.








