Na terça-feira, 27 de janeiro de 2026, o mercado acionário brasileiro registrou uma forte alta: o Ibovespa avançou 1,96%, aos 182.220 pontos. No entanto, as ações dos frigoríficos destoaram desse movimento e operaram em queda generalizada, pressionadas por fatores internos e externos que afetam diretamente o setor.
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Desempenho das ações
- MBRF (MBRF3): queda de 2,84%, liderando as perdas.
- Minerva (BEEF3): recuo de 2,26%.
- JBS (BDR JBSS32): baixa de 0,79%.
Enquanto isso, outras ações ligadas ao agronegócio e setores correlatos tiveram desempenho positivo, reforçando o contraste.
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O peso do boi gordo nos custos
O principal fator para a queda foi a alta dos contratos futuros do boi gordo, que pressiona os custos das companhias:
- Fevereiro (BGIG26): +1,05%
- Maio (BGIK26): +0,33%
- Outubro (BGIV26): +0,67%
Um boi mais caro significa margens mais apertadas para os frigoríficos, especialmente em um cenário de exportações menos aquecidas.
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Exportações e câmbio
- China: principal compradora da carne bovina brasileira, impôs cotas que devem reduzir o ritmo das exportações em 2026 em comparação a 2025.
- Câmbio valorizado: o real em torno de R$ 5,21 diminui a competitividade internacional e piora a taxa de conversão do dólar para o real.
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Segundo Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, esse conjunto de fatores reduz a atratividade das exportações e pressiona os resultados.
Agenda de resultados
- Minerva e MBRF: divulgação do 4T25 em 18 de março de 2026.
- JBS: balanço previsto para 25 de março de 2026.
Esses números serão decisivos para avaliar o impacto da alta dos custos e da desaceleração das exportações.
Projeções da XP Investimentos para MBRF (4T25)
- Receita líquida: R$ 40,8 bilhões (queda de 1% vs 4T24 e -2% vs 3T25).
- Ebitda ajustado: R$ 3,4 bilhões (recuo de 11% vs 4T24 e -3% vs 3T25).
- Recomendação: neutra, com preço-alvo de R$ 20,90.
Destaques da análise:
- Margem de Ebitda ajustado menor, apesar da sazonalidade.
- Margem da National Beef deve seguir positiva, mas em cenário desafiador.
- Volumes devem aumentar com expansão na América do Sul, mas margens comprimidas por spreads mais fracos.
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O recuo dos frigoríficos em meio à alta do Ibovespa mostra como o setor é sensível a fatores como custos da arroba do boi, câmbio e restrições externas. Apesar da expansão de capacidade e da expectativa de aumento de volumes, o mercado projeta margens mais apertadas em 2026. Os próximos balanços serão fundamentais para confirmar se o setor conseguirá equilibrar custos e manter competitividade.








