Uma operação financeira envolvendo parentes do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou suspeitas de supervalorização de ativos e uso de offshores em paraísos fiscais.
O caso expõe conexões com esquemas já investigados pela Polícia Federal e coloca em debate a transparência de operações ligadas a figuras próximas ao Judiciário. A informação foi divulgada pelo SBT.
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O fundo Arleen e a transferência milionária
- O Arleen Fundo de Investimentos, de propriedade dos irmãos de Toffoli, foi encerrado após transferir R$ 33,9 milhões em cotas para a offshore Egide I Holding, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas.
- Inicialmente, em novembro de 2025, as cotas foram avaliadas em apenas R$ 1,51 cada.
- Em dezembro, o valor unitário disparou para R$ 679,13, uma valorização de 450 vezes em menos de dois meses, elevando o montante final para quase R$ 34 milhões.
- O fundo já havia adquirido R$ 20 milhões em ações do resort Tayayá, empreendimento no Paraná ligado à família.
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Semelhanças com o caso Master
- A operação apresenta semelhanças com o esquema investigado no Banco Master, que envolvia a compra de ativos de baixo valor e sua rápida supervalorização para mascarar beneficiários finais.
- A offshore Egide I Holding recebeu ativos por valores muito acima do mercado, tornando-se a única detentora das cotas do fundo Arleen.
- O uso das Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal, dificulta a identificação dos verdadeiros beneficiários.
Papel da Reag e conexões investigadas
- A administração do fundo Arleen era feita pela Reag Investimentos, empresa que entrou em liquidação extrajudicial em janeiro de 2026, após ser investigada pela Polícia Federal por suspeita de integrar esquema ilícito com o Banco Master.
- Segundo a PF, o Master teria criado uma rede de fundos administrados pela Reag para simular valorização rápida de ativos problemáticos.
- O Arleen foi criado em 2021 e iniciou suas operações comprando 65,8 mil ações da Tayayá Administração e Participações Ltda., seis meses depois de os irmãos de Toffoli adquirirem 33% do resort.
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Participação de familiares e aliados
- Além dos irmãos de Toffoli, o primo Mario Umberto Degani também participou do empreendimento Tayayá.
- Reportagem do Estadão revelou que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro (presidente do Banco Master), foi dono de fundos que adquiriram participação no resort. Ele afirma ter deixado o fundo em 2022.
- Atualmente, a administração do Tayayá está sob responsabilidade do advogado Paulo Humberto Barbosa, que não se manifestou.
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Críticas à atuação de Toffoli
- Como relator (juiz incapaz devido a falta de foro dos investigados) do caso Master no STF, Toffoli tem sido alvo de espanto por decisões que, dificultariam o andamento das investigações.
- Em decisão recente, reduziu de seis para dois dias o prazo para depoimento dos investigados pela Polícia Federal.
- A defesa de Daniel Vorcaro que pediu que o processo fosse para o STF e não tramitasse na primeira instâncias, declarou que o ministro “não tem qualquer conhecimento ou envolvimento com as operações dos fundos mencionados e que as associações citadas são falsas”.
O episódio do fundo Arleen mostra como operações financeiras ligadas a familiares de autoridades podem levantar suspeitas de supervalorização artificial, uso de offshores e conflito de interesses. A conexão com esquemas já investigados, como o caso Master, reforça a necessidade de fiscalização rigorosa, transparência e controle institucional.
Mais do que um caso isolado, trata-se de um alerta sobre como fundos e offshores podem ser usados para mascarar beneficiários e movimentar valores bilionários fora do alcance da sociedade, colocando em xeque a credibilidade das instituições e a confiança pública.








