O perfil oficial da Casa Civil no Instagram publicou um meme na quarta-feira (4), em que comparou a discussão entre Jonas e Babu, do BBB 26, com a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Na postagem, o governo usou emojis parecidos com os participantes do reality show. O personagem chamado de “playboy” lembrava Jonas, enquanto o personagem negro, citado como trabalhador, lembrava Babu.
A primeira imagem dizia: “Se você é um playboy, isso aqui não é sobre você”. Já a segunda trazia outra frase: “Mas se você é trabalhador e ganha até R$ 5 mil, seu carisma certamente tá grandão porque você não paga mais imposto de renda”.
A publicação foi associada ao “Sincerão” exibido na última segunda-feira (2). Na dinâmica, o ator chamou o modelo de “playboy” e “sem carisma”, o que gerou repercussão nas redes.
Segundo ele, o termo “playboy” não seria sobre dinheiro, mas sobre a postura do participante dentro do programa.
Com a reação negativa, a Casa Civil apagou o segundo post. A publicação foi criticada tanto por usar referências ao BBB quanto por sugerir que quem ganha acima de R$ 5 mil seria “playboy”.
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A economista Renata J. Barreto comentou:
– Ninguém apela tanto para a guerra de classes como o PT. Essa nojeira funciona, porque a esquerda é fundamentalmente invejosa e ressentida, então fica fácil canalizar isso na política. Me explicaram que o contexto desse post é uma discussão do BBB ainda por cima. Inacreditável. PS: apagaram o post depois, mas o print é eterno.
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Dieese afirma que salário digno para o brasileiro supera R$ 7 mil em 2025
Há um contraponto relevante que precisa entrar no debate: estudos técnicos apontam que o salário mínimo necessário para garantir uma vida digna no Brasil está muito acima dos valores hoje praticados. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estimou que, com base no custo da cesta básica nas capitais pesquisadas, o salário mínimo necessário em janeiro de 2025 deveria ser superior a R$ 7 mil para suprir as necessidades básicas de um trabalhador e sua família. Esse cálculo evidencia a distância entre o piso legal e o custo real de vida, e coloca em perspectiva propostas que tratam de isenções fiscais para faixas de renda como a de R$ 5 mil.


Implicações para o debate público
- Desigualdade entre piso e necessidade real: a diferença entre o salário mínimo legal e o “salário mínimo necessário” calculado por institutos como o Dieese mostra que medidas pontuais de isenção podem não atingir a raiz do problema do poder de compra.
- Comunicação e responsabilidade: usar memes para explicar políticas exige cuidado para não reduzir complexidade técnica a slogans que confundam a percepção pública sobre quem realmente é beneficiado.
- Agenda de políticas públicas: além de isenções, o debate deveria incluir reajuste do piso, políticas de renda, controle de preços e medidas estruturais que reduzam a distância entre salário legal e salário digno.








