Documentos enviados à CVM revelam participação relevante do grupo ligado ao Banco Master no Banco de Brasília, envolvendo fintechs, fundos exclusivos e investidores sob investigação.
Uma participação acionária quase invisível ao público, mas extremamente relevante para o sistema financeiro, colocou o nome do banqueiro Daniel Vorcaro no centro de uma nova investigação da Polícia Federal.
Até janeiro de 2026, empresas e aliados ligados ao Banco Master controlavam quase 15% do Banco de Brasília (BRB) — um banco público estratégico.
Os dados constam no Formulário de Referência 2025, entregue pelo BRB à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Como o Grupo de Vorcaro Estruturou Quase 15% do BRB
A participação não estava concentrada em um único CNPJ. Ela foi fragmentada entre fintechs, fundos exclusivos e pessoas físicas, criando uma estrutura societária complexa.
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Will Bank: a maior fatia antes do colapso
A fintech Will Bank chegou a deter 6,92% das ações do BRB.
A empresa, porém, entrou em grave crise de liquidez, descumpriu contratos e teve garantias executadas pela Mastercard, que assumiu essa participação em 20 de janeiro de 2026.
No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Will Bank, eliminando sua fatia acionária no BRB.
Com isso, a influência direta do grupo de Vorcaro caiu para menos de 7,8%.
Fundo Borneo FIP Multiestratégia
Outro veículo-chave é o Fundo Borneo FIP Multiestratégia, que detém 3,164% das ações do BRB.
O fundo possui apenas um cotista, cujo nome permanece sob sigilo.
A administração está nas mãos da Reag Investimentos, instituição que:
- Também sofreu liquidação pelo Banco Central
- É alvo de investigações por possíveis vínculos com o Banco Master
- Aparece em apurações envolvendo organizações criminosas
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João Carlos Mansur: participação direta por CPF
O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, aparece como acionista pessoa física, com 4,553% das ações do BRB.
A participação foi adquirida diretamente via CPF, sendo Mansur o único investidor individual identificado entre os acionistas relevantes citados.
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Por Que Isso Chamou a Atenção da Polícia Federal
A soma dessas participações levou o grupo ligado a Vorcaro a controlar quase 15% do BRB, um banco público estadual.
Essa estrutura acionária, combinada com:
- Liquidações decretadas pelo Banco Central
- Fintechs em colapso
- Fundos exclusivos com cotistas ocultos
- Investigações sobre lavagem de dinheiro e organizações criminosas
- motivou a abertura de novo inquérito da Polícia Federal.
O foco da apuração é entender como essa participação foi estruturada, quem eram os beneficiários finais e se houve irregularidades regulatórias ou criminais.
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Impacto no Sistema Financeiro
Esse caso levanta alertas importantes:
✔️ Fragilidade na fiscalização de participações relevantes em bancos públicos
✔️ Uso de estruturas pulverizadas para manter influência acionária
✔️ Riscos sistêmicos envolvendo fintechs e fundos exclusivos
✔️ Possíveis impactos legais, regulatórios e políticos
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