Haddad culpa Bolsonaro pelo problema das Bets criado pelo governo Lula

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Parlamentares de partidos da base aliada de Lula (PT) que agora questionam, em iniciativas legislativas, termos da legalização das bets votaram em peso a favor do projeto de lei que definiu as regras atuais para as apostas online, no ano passado.

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A regulamentação desse mercado é iniciativa do governo federal e tem sido liderada pelo Ministério da Fazenda. Até mesmo integrantes do PT dizem, agora, terem subestimado efeitos negativos e o alcance desse mercado nas contas dos brasileiros. Apesar disso, as bets são liberadas no país desde 2018, por meio de lei, e o fenômeno virou problema a partir de 2023, com televisões e redes sociais veiculando propagandas de apostas.

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Após a lei que liberou as bets no Brasil, aprovada no governo Michel Temer (MDB). O governo Lula editou uma MP (medida provisória) sobre o tema e, a partir disso, um projeto de lei passou a ser discutido no Congresso. O objetivo de Lula era aumentar a arrecadação de impostos.

Na primeira votação na Câmara, em setembro de 2023, o texto, que contemplou, no geral, a proposta do governo, foi aprovado simbolicamente (quando não há contabilização individual de votos).

A grande mudança na Câmara foi a inclusão de jogos online, onde entram cassinos e outros jogos de azar em ambiente virtual –o que não constava no texto original do governo.

No Senado, em dezembro do ano passado, o texto-base também foi votado simbolicamente, mas dois destaques foram aprovados e, ao contrário do que o governo queria, o tema voltou à Câmara. Na última sessão do ano, a Casa aprovou com 292 votos favoráveis e 114 contrários. Somente a oposição e a minoria orientaram contra o texto.

Em junho, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou, com apoio governista, um relatório do senador Irajá Abreu (PSD-TO) que legaliza todas as modalidades de jogos e apostas no Brasil, incluindo cassinos. A regulamentação das apostas foi aprovada pelo plenário do Senado no final de 2023, com um relatório assinado pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA), como parte de um projeto do governo Lula, visando também a aumentar a arrecadação e formalizar o mercado, hoje operante nos “subsolos das grandes cidades”.

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Os efeitos completos da legalização entrarão em vigor em janeiro de 2025, e o governo conta com grande arrecadação.

No entanto, segundo Haddad, o tema ganhou maior atenção apenas recentemente, após a intervenção do senador Omar Aziz (PSD), que solicitou ao Banco Central um levantamento sobre o impacto das apostas no país.

Diversos parlamentares apresentaram propostas para mudar o texto chancelado por eles mesmos no ano passado. Isso ocorre em meio a denúncias envolvendo bets, o surgimento de dados mais robustos sobre impactos na vida cotidiana e embates de setores como o varejo e o de bancos.

Segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio), apostas online deixaram um total de 1,3 milhão de brasileiro inadimplentes no primeiro semestre deste ano.

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Petistas e aliados agora criam projetos para regular o problema que eles criaram para aumentar arrecadação de impostos

Um outro projeto na Câmara, da presidente do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), é um dos que preveem o veto de propagandas.

Gleisi disse à reportagem que é necessário que os parlamentares analisem o tema ainda neste ano. Segundo ela, é preciso fazer uma “avaliação crítica” do que ocorreu.

“Subestimamos os efeitos nocivos e devastadores sobre o que isso causa à população brasileira. É como se a gente tivesse aberto as portas do inferno, não tínhamos noção do que isso poderia causar”, diz ela. “Principalmente essa ação muito ofensiva das casas de jogos e o uso de publicidade extrema.”

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Ela diz que vai procurar o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para propor um esforço dos parlamentares acerca do assunto. “Precisamos fazer alguma coisa neste ano, temos que ter noção do que causamos, a nossa responsabilidade, e o que pode ser feito. Isso também é responsabilidade do Congresso.”

O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) também é autor de outras matérias que tratam da regulamentação. Uma delas, apresentada nesta semana, proíbe a utilização de cartões de crédito e contas bancárias do Bolsa Família nessas apostas.

Ele diz que não é o caso de acabar com as bets, mas, sim, aperfeiçoar a legislação. “Agora mudou porque chegamos a conclusão de que precisa aperfeiçoar. Não ter vetado o uso dos cartões, o Bolsa Família e não termos regulamentado as propagandas foi ruim para as famílias brasileiras. O endividamento está claro, está tendo consequências. Precisamos sempre ter coragem de reformar e melhorar as legislações.”

Segundo análise técnica do Banco Central, os beneficiários do Bolsa Família que fazem apostas esportivas online gastaram R$ 3 bilhões em bets via Pix no mês de agosto.

Gleisi, por sua vez, afirma ter divergências com Lopes sobre esse projeto. “Temos que fazer um estudo geral de como a população brasileira está sendo jogada nessa questão dos incentivos dos jogos”, diz. “Não gosto desse tratamento diferenciado do Bolsa Família porque isso cria preconceitos e estigmatiza. Se o Banco Central está fazendo estudo, tem que fazer um estudo geral”, diz.

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Nesta semana, ao menos quatro deputados da oposição a Lula apresentaram projetos de lei que tratam da proibição do cadastro de beneficiários de programas sociais do governo em plataformas de apostas e jogos de azar.

Parlamentares de outros partidos também sugeriram propostas que tratam das bets. Em agosto, o deputado Marx Beltrão (PP-AL) apresentou projeto de lei que tipifica a divulgação por meio de influenciadores nas redes sociais de jogos e apostas de azar –propõe prisão de três meses a um ano, além de multa.

Um projeto de lei com teor semelhante foi apresentado em julho pelo deputado Marcos Tavares (PDT-RJ).

O deputado Luiz Gastão (PSD-CE), por sua vez, apresentou projeto que define que a regulação da propaganda das apostas online deve seguir os mesmos moldes restritivos aplicados à publicidade de produtos fumígenos, bebidas alcoólicas e medicamentos.

Já o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) passou a colher assinaturas nesta quarta (25) para abrir uma nova CPI na Câmara que mira as apostas.

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O senador Omar Aziz (PSD-AM) acionou a PGR (Procuradoria-Geral da República) para tentar tirar do ar os sites de apostas esportivas até que as empresas sejam completamente regulamentadas.

Já o partido Solidariedade prepara uma ação a ser enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra a lei. Segundo a legenda, a lei das bets se omite em prever regras de proteção contra os socioeconomicamente vulneráveis e também contra o jogo compulsivo.

Haddad culpa Bolsonaro pela regulamentação que os petistas criaram

Em pronunciamento gravado para a imprensa, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, responsabilizou o governo Jair Bolsonaro pela ausência de regulamentação das apostas online no Brasil.

Segundo ele, houve “grande descaso” com o tema durante a gestão anterior. “Infelizmente, (a regulamentação) não aconteceu no governo anterior. O executivo do Brasil tem em suas mãos todos os instrumentos necessários para regulamentar e coibir abusos.

Fique certo de que o governo está atento e que, apesar do enorme atraso, desse descaso, chegou a hora de colocar a ordem nisso e proteger a família brasileira”, declarou Haddad.

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Regiane Alves
Regiane Alveshttp://www.investidoresbrasil.com.br
Jornalista com formação em Ciências Contábeis e especialização em Mercado Financeiro e Fotografia. Especialista em Criptomoedas e Blockchain pela Universidade de Nicósia Apaixonada por esportes, especialmente corrida. Artes e viagens precisam estar no "cardápio", juntamente com pessoas positivas.
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