O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou uma proposta que pode alterar significativamente a estrutura regulatória do mercado de capitais brasileiro: transferir a supervisão dos fundos de investimento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o Banco Central (BC).
A iniciativa surge em meio ao escândalo envolvendo o Banco Master, que expôs fragilidades na fiscalização atual e reacendeu o debate sobre transparência e segurança jurídica.
O Contexto da Proposta
Segundo Haddad, a ideia é ampliar o “perímetro regulatório” do Banco Central, que já atua na regulação prudencial de instituições financeiras e de pagamento. A mudança, defendida em entrevistas recentes, busca dar maior robustez ao sistema e evitar novos episódios de instabilidade como os vistos no caso Master. Ele afirmou isto em entrevista à Folha.
Relação com o Banco Master
O ministro destacou que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, herdou problemas da gestão anterior e precisou enfrentar as consequências do caso Master. Para Haddad, a crise revelou a necessidade de centralizar a fiscalização em uma autoridade com maior capacidade técnica e institucional.
Críticas e Resistências
A proposta, no entanto, não é consensual. Setores da oposição acusam o governo Lula de tentar concentrar poder e reduzir a autonomia da CVM que também tem como responsável um indicado de Lula. Haddad rebateu afirmando que parte das críticas estaria ligada a interesses de grupos influentes que temem maior rigor na fiscalização.
O Que Está em Jogo
A transferência da supervisão dos fundos para o Banco Central pode representar uma mudança estrutural no mercado financeiro brasileiro. Se por um lado promete maior solidez e fiscalização, por outro levanta dúvidas sobre concentração de poder e possíveis impactos na autonomia das instituições.
Visto que o STF e O TCU já estão interferindo no Banco Central e chamando atenção internacionalmente com isto que não é admitido em todo o mundo.
Haddad faz afirmações falsas sem respaldo em números oficiais
- Em 2025, o setor público consolidado acumulou déficit primário de R$ 45,5 bilhões (0,36% do PIB), segundo o Banco Central .
- O déficit nominal chegou a R$ 1,03 trilhão (8,13% do PIB) até novembro de 2025 .
- Em contraste, 2022 registrou superávit primário de R$ 54,1 bilhões, após oito anos de déficits consecutivos dos governos PT.
Portanto, a afirmação de Haddad de que o déficit foi reduzido em “70% em relação ao governo anterior” não encontra respaldo nos números oficiais. O déficit aumentou em 2025, e o superávit de 2022 mostra que o governo anterior não deixou “rombos”, mas resultados positivos.
Linha do tempo: Galípolo e Banco Master
- Julho de 2023 → Galípolo é nomeado diretor de Política Monetária do Banco Central.
- Primeiro semestre de 2024 → Banco Master começa a oferecer CDBs acima do mercado (até 140% do CDI), prática que já indicava risco elevado.
- Segundo semestre de 2024 → intensificação da captação via CDBs e uso de crédito consignado como estratégia de liquidez. E início da transição de Galípolo como presidente.
- 2025 → após o veto do BC à compra do Master pelo BRB, os CDBs chegam a 31% ao ano. Nesse período, Galípolo já estava no BC e acompanhava a escalada do problema.
- Novembro de 2025 → Galípolo, já como presidente do Banco Central, decreta a liquidação extrajudicial do Master, encerrando oficialmente a crise.
- Galípolo já estava no Banco Central em 2024, quando o Master iniciou a prática de vender CDBs acima do mercado e usar consignado. Ele assumiu a presidência em 2025, mas já acompanhava tudo e tinha papel decisivo desde 2023. Sua transição para presidência do Banco foi iniciada no segundo semestre de 2024.








