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Mensagens e contratos mostram que influenciadores digitais de direita foram mobilizados de forma coordenada para defender o Banco Master e atacar o Banco Central (BC) após a liquidação da instituição financeira. A articulação envolveu agência de comunicação ligada ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do banco.

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Os influenciadores de direita Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite afirmam ter recebido propostas para difundir em seus perfis nas redes sociais a narrativa de que o Banco Central havia sido precipitado ao decretar a liquidação do Master. Nos dois casos, a encomenda era divulgar uma reportagem de 19 de dezembro do portal Metrópoles que noticiava um despacho do Tribunal de Contas da União, “TCU vê indícios de precipitação em liquidação do Master e dá 72 horas para BC se explicar”. A ideia era postar vídeos que reverberassem a posição da Corte e colocassem em xeque a ação do Banco Central. Nenhum dos dois aceitou fazer o trabalho.

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No caso de Rony Gabriel, que é vereador pelo PL em Erechim (RS) e tem 1,4 milhão de seguidores, a abordagem foi feita no dia 20 de dezembro via Instagram por um representante da UNLTD Brasil chamado André Salvador. Já com Juliana Moreira Leite, que se apresenta nas redes como @jliemilk e também tem 1,4 milhão de seguidores, o contato foi feito por Junior Favoreto, do Portal Group Br, também especializado em influenciadores de direita.

Os dois receberam o mesmo tipo de abordagem, descrita assim na mensagem enviada por Salvador para o perfil de Gabriel: “Estamos fazendo um trabalho de gerenciamento de crise para um executivo grande. E temos contratado perfis que se posicionam para nos ajudar nessa disputa política que estamos travando contra o sistema”, dizia a mensagem. “É um caso de repercussão nacional. Gente grande. Esquerda e centrão envolvidos”.

Ele conta que, em ligação telefônica com seu assessor, Nathan Felipe, Salvador disse que o trabalho teria remuneração milionária, mas que, para saber mais detalhes, ele precisaria assinar um contrato de confidencialidade.

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Como começou a mobilização

  • A ação ganhou força a partir de 19 de dezembro de 2025, logo após o Metrópoles noticiar que o Tribunal de Contas da União (TCU) havia identificado supostos “indícios de precipitação” na decisão do BC.
  • Influenciadores publicaram vídeos no Instagram com estética semelhante, argumentos convergentes e timing quase simultâneo, exaltando o TCU e questionando a legalidade da atuação do Banco Central.
  • Influenciadores citados

Influenciadores que participaram ou fm mencionados nas mensagens internas:

  • Marcelo Rennó – cerca de 50 mil seguidores.
  • Firmino Cortada – mais de 2 milhões de seguidores.
  • Paulo Cardoso – mais de 4 milhões de seguidores.
  • André Dias e Carol Dias – também listados como exemplos em mensagens internas.

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O conteúdo de Marcelo Rennó chegou a ser repostado pelo jornalista Luiz Bacci, que possui mais de 24 milhões de seguidores, ampliando ainda mais o alcance da narrativa.

Os influenciadores citados na reportagem não responderam ao questionamento da reportagem até a publicação da matéria. Caso haja algum retorno, atualizaremos aqui.

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A agência envolvida

  • A articulação foi conduzida pela Miranda Comunicações, empresa contratada para prestar serviços ao Banco Master.
  • Embora o nome de Daniel Vorcaro não conste formalmente nos contratos, ele aparece identificado como “o cliente” em comunicações privadas com influenciadores.
  • Mensagens mostram que vídeos já publicados foram encaminhados a novos potenciais contratados como modelo de estilo e narrativa a ser replicado.

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Os contratos revelados

  • Obrigação de seguir diretrizes e materiais de pauta fornecidos pela contratante.
  • Validação prévia do conteúdo antes da publicação.
  • Cláusulas de confidencialidade, com multa de até R$ 1 milhão em caso de descumprimento.
  • Duração mínima de três meses, com valores variáveis conforme alcance e engajamento, podendo chegar a cifras milionárias.

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Riscos jurídicos apontados

Juristas consultados pela reportagem destacaram que:

  • A contratação de influenciadores não é ilegal em si.
  • Porém, a falta de identificação clara de conteúdo patrocinado pode configurar publicidade enganosa por omissão, em desacordo com o Código de Defesa do Consumidor e regras das plataformas digitais.
  • No caso de jornalistas, pode violar o Código de Ética da categoria, que exige transparência sobre conflitos de interesse.

As mensagens e contratos mostram que houve uma campanha organizada de influenciadores digitais em defesa do Banco Master, articulada por uma agência ligada a Daniel Vorcaro.

O contexto da crise

  • Em dezembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, alegando uma crise aguda de liquidez e gestão inadequada de riscos.
  • O TCU e Dias Toffoli do STF passaram a questionar a decisão, alegando possível precipitação e solicitando esclarecimentos formais ao BC.
  • A partir desse despacho, surgiu uma ofensiva nas redes sociais com vídeos e postagens que colocavam em dúvida a legalidade e a motivação da liquidação.

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A denúncia sobre influenciadores

  • Influenciadores como Rony Gabriel (vereador pelo PL em Erechim-RS) e Juliana Moreira Leite relataram ter recebido propostas para difamar o BC e defender o Banco Master.
  • Os contratos oferecidos envolviam remuneração milionária e eram apresentados como parte de um projeto de “gestão de reputação” ligado a um “grande executivo”.
  • O objetivo era ampliar a narrativa de que o BC agiu de forma precipitada, reforçando a posição do TCU.

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Repercussão institucional

  • Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se manifestaram reservadamente, considerando a atuação do TCU como extrapolação de competência. Mas dois ministro do STF também tem agido segundo especialistas, fora de suas competências nas investigações do Banco Master. Inclusive, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli segundo juristas, deveriam ser afastados devido ao envolvimento pessoal direto ou indireto, que deveria estar sendo apurado.
  • A possibilidade de um mandado de segurança contra o TCU foi cogitada, caso o tribunal tente reverter a liquidação do Banco Master.
  • O caso reacende o uso indevido dos órgãos públicos sobre limites institucionais entre órgãos de controle e autoridade monetária.
  • O Banco Central é técnico e independente não devendo ser submetido a intervenção e avaliação de nenhum outro.

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