A Justiça Federal de São Paulo encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma investigação envolvendo o empresário Nelson Tanure, figura conhecida no mercado financeiro e acionista de referência da construtora Gafisa. O caso foi distribuído ao ministro Dias Toffoli, por suspeita de conexão com o inquérito que ele pegou para si sema devida legalidade por não ter foro privilegiado, que apura fraudes relacionadas ao Banco Master, no qual Tanure também aparece como investigado.
Tanure foi alvo de buscas pela Polícia Federal na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quarta-feira (14), que apura fraudes relacionadas ao Master.
O empresário é um investidor de inúmeras empresas brasileiras, como a petroleira Prio, a rede de supermercados Dia e a incorporadora Gafisa. A apuração policial investiga suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
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Na ocasião, Toffoli também determinou o bloqueio de bens do empresário. O ministro citou uma manifestação da PGR que menciona Tanure, dizendo que a PF apontou indícios de que ele é “sócio oculto do Banco Master, exercendo influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas, razão pela qual o bloqueio do seu patrimônio deve ocorrer”. A decisão não traz o valor do bloqueio solicitado.
Seu advogado disse que a afirmação é equivocada. “O empresário Nelson Sequeiros Rodriguez Tanure jamais estabeleceu qualquer relação de natureza societária com o Banco Master”, disse a defesa, em nota após o bloqueio.
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O que motivou a investigação
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo e confirmadas pela reportagem, Tanure é acusado de ter utilizado informações privilegiadas na negociação de ações da Gafisa.
- O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o empresário no mês passado, alegando que ele teria se beneficiado de dados sigilosos internos da construtora.
- O caso também está sob análise da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável por fiscalizar o mercado de capitais.
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Conexão com o Banco Master
A investigação foi remetida ao STF porque o MPF, ao oferecer a denúncia contra Tanure, citou o Banco Master.
- Essa menção abriu a necessidade de verificar eventual conexão probatória entre os dois processos.
- O Banco Master já vinha sendo alvo de apurações por suspeitas de práticas financeiras irregulares, e a possível ligação com Tanure amplia o alcance das investigações.
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Sigilo processual
O processo tramita sob sigilo judicial, o que significa que detalhes específicos não podem ser divulgados publicamente.
- O advogado de Tanure, Pablo Neves Testoni, declarou que não pode fazer considerações concretas sobre o andamento do caso.
- Ele reforçou, contudo, que a citação ao Banco Master pelo MPF foi uma obrigação processual, e que isso levou à necessidade de análise sobre a conexão entre os inquéritos.
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Impacto no mercado e na Gafisa
A Gafisa, uma das maiores construtoras do país, já vinha enfrentando desafios financeiros e de governança.
- A denúncia contra seu acionista de referência gera preocupação entre investidores e pode afetar a confiança no mercado imobiliário.
- A investigação pela CVM reforça a importância de transparência e compliance em empresas de capital aberto.








