Liquidação do Banco Master deixa um rombo de R$ 83,2 bilhões e CDBs que o FGC não vai cobrir e o investidor não sabe. O dinheiro mudou de mãos

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A liquidação do Banco Master pelo Banco Central provocou um dos episódios mais significativos do mercado financeiro brasileiro nos últimos anos: um déficit estimado em R$ 83,2 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pela instituição, dos quais cerca de R$ 40 bilhões estão sob a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

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Esse caso não só mexeu com investidores e credores do banco, mas também colocou em discussão a robustez dos mecanismos de proteção do sistema financeiro nacional, a confiança dos aplicadores em instituições menores e as possíveis consequências para o mercado de renda fixa no Brasil.

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O que aconteceu com o Banco Master

O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, após uma série de problemas de liquidez e deterioração patrimonial da instituição. O BC constatou que a capacidade do banco em honrar seus compromissos — especialmente CDBs que captaram recursos de milhões de investidores — estava severamente comprometida.

No momento da liquidação, verificou-se que os depósitos do banco no Banco Central somavam menos de 1% do valor exigido pelos reguladores, um indicativo claro de falência operacional.

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O papel do FGC e o que está sendo pago

Para proteger os investidores, o **FGC — Fundo Garantidor de Créditos — entrou em ação e passou a custear pagamentos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição financeira.

Até o momento, o FGC já completou uma parte substancial dos ressarcimentos:

  • 📌 R$ 32,5 bilhões pagos a cerca de 75% dos credores, segundo dados oficiais.
  • 📌 Relatórios mais recentes apontam que R$ 35,1 bilhões já foram quitados, cobrindo aproximadamente 79% dos investidores elegíveis.

Esses pagamentos envolvem aplicações em CDBs, LCI, LCA e outros produtos cobertos pelo fundo desde que respeitado o limite de cobertura por aplicador.

Por que esse caso é tão relevante

  1. Tamanho do impacto financeiro: o déficit total — R$ 83,2 bilhões em CDBs — é excepcionalmente elevado para um banco de médio porte e representa um dos maiores eventos de liquidação no país.
  2. FGC sob pressão: o uso de cerca de R$ 40 bilhões das reservas do fundo representa um terço dos recursos disponíveis para cobrir depósitos garantidos, levantando discussões sobre sua liquidez e necessidade de reposição ao longo dos próximos anos.
  3. Confiança do investidor: casos como esse tendem a aumentar o receio de aplicadores em instituições menores ou menos conhecidas, mesmo quando existe garantia do FGC.

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Entendendo o déficit bilionário

O déficit não significa necessariamente que todos os investidores perderão dinheiro. O valor de R$ 83,2 bilhões refere-se ao total de CDBs emitidos pelo banco e que ficaram inadimplentes após a liquidação. Parte desses recursos está sendo assumida pelo FGC dentro dos limites legais, e outra parte pode não ser totalmente coberta se ultrapassar o teto de R$ 250 mil por titular.

O que isso significa para quem investe em renda fixa

  • ✔️ Investidores com CDBs inferiores a R$ 250 mil estão sendo ressarcidos pelo FGC com rendimento até a data da liquidação. Mais tem a pegadinha de R$ 1 milhão que as corretoras e bancos não te contam e estamos explicando mais abaixo.
  • ⚠️ Investidores com aplicações acima do limite podem não recuperar o valor total, dependendo da estrutura do passivo e da liquidação dos ativos do banco.
  • 📊 Esse evento também pode diminuir a oferta de CDBs com taxas muito altas no mercado, já que plataformas estão mais cautelosas na distribuição de produtos de instituições menores.

Limite global em quatro anos

  • R$ 1 milhão é o teto máximo de indenizações pagas pelo FGC em um período de quatro anos.
  • Esse período é chamado de “ciclo de quatro anos” e começa a contar a partir do primeiro pagamento de garantia recebido.
  • Após o término do ciclo, o limite é renovado e o investidor volta a ter direito a até R$ 1 milhão em garantias.

Exemplos práticos

  • Se você tiver R$ 250 mil em quatro bancos diferentes e todos quebrarem, o FGC pagará os R$ 250 mil de cada um, totalizando R$ 1 milhão.
  • Se houver mais instituições envolvidas e o total ultrapassar R$ 1 milhão, o excedente não será coberto dentro do mesmo ciclo de quatro anos.

Consequências no sistema financeiro

A liquidação do Banco Master e a necessidade de uso de reservas do FGC podem:

  • 💸 Aumentar o custo de captação para bancos menores, que precisarão contribuir mais para repor a liquidez do fundo.
  • 📉 Gerar impacto indireto nas taxas de juros de produtos de renda fixa, com maior precaução dos emissores.
  • 🏦 Estimular debates regulatórios sobre a solidez das garantias oferecidas pelo FGC e a supervisão de instituições financeiras menores.

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Limites do FGC: o detalhe que muitos investidores ignoram. A pegadinha de R$ 1 milhão que não te contam

Além do limite amplamente divulgado de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição financeira, o FGC possui um teto global de cobertura de R$ 1 milhão a cada período de 4 anos por CPF.

Isso significa que, mesmo que o investidor tenha aplicações pulverizadas em diferentes bancos, o valor máximo que pode ser ressarcido pelo FGC dentro de quatro anos é de R$ 1 milhão. Após atingir esse limite, novas perdas não serão cobertas, independentemente da instituição ou do produto financeiro.

Conta conjunta

Em contas conjuntas, a garantia é limitada a R$ 250.000,00 ou ao saldo da conta, se menor que o valor mencionado. Esse valor é dividido igualmente entre os titulares, e cada um recebe sua parte separadamente. 

Os investidores estrangeiros têm direito à mesma garantia que o FGC oferece aos investidores brasileiros, seguindo recomendações internacionais. Os depósitos devem ser elegíveis para a garantia do FGC.

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Esse detalhe é crucial no caso do Banco Master, pois muitos investidores concentraram grandes volumes em CDBs com taxas elevadas, acreditando que a garantia do FGC seria ilimitada — o que não é verdade.

E se estes investidores já receberam alguma garantia do FGC nos últimos 4 anos de outras instituições financeiras e fundos que quebraram, estes valores vão entrar no limite de R$ 1 milhão. Este também é o caso de muitos investidores, mas nenhum Banco e Corretora explica isso.

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O dinheiro não desapareceu — ele mudou de mãos, e isso é o ponto central do caso

O caso da liquidação do Banco Master não pode ser analisado apenas sob a ótica de falência bancária ou mau gerenciamento. Há investigações em curso envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro, uso indevido de estruturas financeiras e possíveis conexões com esquemas que atravessam agentes do mercado, operadores políticos e esferas dos três Poderes. Ignorar esse contexto é esvaziar o real valor informativo do episódio.

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No mercado financeiro, dinheiro não some — ele muda de mãos. O rombo de R$ 83,2 bilhões em CDBs não representa recursos evaporados, mas capital que saiu da esfera de proteção do FGC e dos investidores e foi direcionado a outros destinos, muitos deles hoje fora do alcance imediato do sistema de garantias.

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Esse dinheiro que o FGC não cobre — e que não está mais com os investidores — provavelmente está:

  • alocado em fundos exclusivos e estruturas opacas, criadas para dificultar rastreamento;
  • convertido em participações societárias e ativos fora do sistema bancário tradicional;
  • transferido para operações estruturadas no exterior, por meio de veículos financeiros;
  • incorporado a cadeias de intermediação que beneficiaram terceiros, não os aplicadores finais.

O Banco Master está falido. O FGC tem limite legal. O investidor perdeu a posse. Logo, o capital está em outro lugar — e esse é exatamente o objeto das investigações.

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O episódio expõe uma fragilidade estrutural do sistema: o FGC protege o investidor comum, mas não foi desenhado para blindar o mercado contra esquemas sofisticados de engenharia financeira, captura regulatória ou lavagem de recursos em larga escala. Quando o limite do FGC é ultrapassado, o risco deixa de ser teórico e se materializa de forma brutal.

A lição final é clara e desconfortável: rentabilidade elevada não cria dinheiro, ela redistribui risco. E, neste caso, o risco foi transferido dos operadores e beneficiários finais para o investidor que acreditou que a garantia substituía a análise profunda do emissor.

O caso Master não é apenas sobre um banco que quebrou. É sobre para onde o dinheiro foi, quem ficou com ele e quem pagou a conta.

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Regiane Alves
Regiane Alveshttp://www.investidoresbrasil.com.br
Jornalista com formação em Ciências Contábeis e especialização em Mercado Financeiro e Fotografia. Especialista em Criptomoedas e Blockchain pela Universidade de Nicósia Apaixonada por esportes, especialmente corrida. Artes e viagens precisam estar no "cardápio", juntamente com pessoas positivas.
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