Após executar garantias de dívidas do Will Bank, a Mastercard assumiu o controle de parte do capital social do estatal Banco de Brasília (BRB) e da varejista online de móveis Westwing, em meio ao fraude envolvendo a liquidação extrajudicial do banco digital do Master que não tinha incluído o Will Bank que também é do Banco Master e foi liquidado há mais de dois meses.
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Segundo o BRB, a Mastercard adquiriu 33.684.706 ações do banco, o equivalente a 6,93% de seu capital social. O montante é distribuído em 13,21% de ações preferenciais e 3,67% de ações ordinárias.
A bandeira de cartões de crédito informou, segundo o BRB, que a participação societária decorre da excussão de alienação fiduciária sobre ações do banco e que procederá à alienação dessas ações, não tendo como objetivo a alteração do controle acionário ou da estrutura administrativa do banco.
Na Westwing, a Mastercard obteve 3.540.768 ações, o equivalente a 31,87% do capital social da empresa, mas informou que também não pretende exercer os direitos políticos vinculados à participação.
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Em nota, a Mastercard informou que mantém diferentes tipos de garantias de seus participantes, entre elas ações, como parte da gestão de risco enquanto pagamento regulado. “Essas garantias têm como finalidade exclusiva assegurar o cumprimento de obrigações de pagamento por parte dos emissores em caso de inadimplemento”, explicou.
Na terça-feira, 20,a Mastercard deixou de aceitar compras feitas por cartões de crédito do Will Bank, do qual é um dos principais credores.
Em resposta, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da fintech, cujo controlador, o Banco Master Múltiplo, estava sob Regime de Administração Especial Temporária (Raet). Nele, a instituição passa a operar sob um conselho diretor indicado pelo Banco Central, mas mantém as operações ativas enquanto é reestruturada. Na prática, é uma saída para ganhar tempo até encontrar uma solução de mercado.
A instituição havia ficado de fora da liquidação do Master porque havia a possibilidade de uma venda para outro grupo. Desde 2025, antes mesmo da liquidação do Master, havia tratativas para venda do Will Bank. A Mastercard chegou a se engajar diretamente nas discussões para encontrar uma solução para o caso. Luciano Huck foi noticiado como interessado.
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O Will Bank é uma fintech fundada em 2020 para oferecer serviços bancários e investimentos a um público desbancarizado, com foco na região Nordeste do País. O negócio foi comprado por Daniel Vorcaro, do Master, em 2024, quando precisava de um aumento de capital para se enquadrar nos requisitos mínimos regulatórios exigidos pelo Banco Central.
A Mastercard era a emissora dos cartões de crédito da fintech e é uma das principais credoras. A decisão de parar de aceitar as compras feitas pelo cartão do Will evita que esse passivo cresça, antes de o Banco Central paralisar o banco.









