No dia 15 de janeiro de 2026, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) acusou os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, de atuarem para “constranger e intimidar” órgãos de fiscalização como a Polícia Federal (PF), a Receita Federal e o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
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Segundo Vieira, trata-se de um “abuso de poder escancarado”, já que, na visão dele, os ministros não conseguem explicar relações com investigados e transações milionárias, recorrendo então à intimidação institucional.
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“Os ministros Toffoli e Moraes tentam de todas as formas constranger e ameaçar a Polícia Federal e a Receita. É abuso de poder escancarado. Não conseguem explicar relações com investigados e transações milionárias, então partem para a intimidação”, escreveu o senador em sua conta no X.
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Na última quarta-feira, Toffoli que tem ligações diretas com os investigados ordenou que todas as provas colhidas durante uma operação da PF relativa ao Banco Master fossem enviadas ao STF lacradas. Mais tarde após criticas generalizadas, o ministro recuou e determinou que tais provas fossem encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR). Parlamentares tem feito pedidos de impeachment de ambos os ministros.
Ordens polêmicas
- Dias Toffoli determinou que provas colhidas pela PF em uma operação envolvendo o Banco Master fossem enviadas ao STF lacradas. Essa decisão foi criticada por desrespeitar a cadeia de custódia das provas, pois impediu a perícia rápida dos itens apreendidos. Na prática, promoveu tempo para que provas pudessem ser apagadas remotamente e abriu margem para justificar nulidades processuais.
- Alexandre de Moraes instaurou um inquérito sobre supostos vazamentos de dados da Receita e do COAF, envolvendo ministros e familiares. O problema, segundo juristas e parlamentares, é que esse inquérito foi aberto de ofício, sem provocação da Procuradoria-Geral da República (PGR) — o que não é legal.
- Moraes determinou a inclusão da PF e do COAF no chamado inquérito das Fake News criado em 2019 e aberto até o momento, algo não permitido na legislação, também instaurado sem pedido do Ministério Público. Em 2026, repetiu a prática ao abrir novo inquérito para apurar supostos vazamentos e colocou PF e Receita Federal, novamente sem provocação da PGR.
- Além disso, Moraes determinou que a PF informasse previamente ao STF qualquer diligência que envolvesse ministros ou familiares, criando um filtro inédito e ilegal visto como tentativa de controle político sobre investigações e blindagem própria e de familiares os quais já foi comprovada em reportagens pela imprensa ligação direta com os investigados da fraude do Banco Master.
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Essas medidas reforçaram a percepção de que o STF estaria atuando para restringir o trabalho de órgãos de controle, especialmente em casos que poderiam expor relações financeiras e patrimoniais de magistrados.
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A repercussão foi imediata: setores da oposição passaram a articular pedidos de impeachment contra Moraes e Toffoli, intensificando o clima de tensão entre Legislativo e Judiciário.
Especialista em Constituição afirmam que, ao tomar para si funções que não cabem ao cargo de ministro do STF, como instaurar inquéritos sem provocação da PGR ou interferir diretamente na cadeia de custódia de provas, os magistrados estariam agindo de forma ilegal e inconstitucional.
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O STF, por sua vez não comentou as denúncias, afirmando que seus ministros se manifestam apenas “nos autos”.







