A quebra de sigilos do banqueiro Daniel Vorcaro revelou que ele mantém contatos de ministros do STF, parlamentares e até um governador em sua agenda telefônica, ampliando a repercussão das investigações sobre o Banco Master.
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A quebra dos sigilos fiscal, bancário e telemático do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, trouxe à tona a extensão de sua rede de relações políticas em Brasília. Um arquivo entregue à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS revelou que Vorcaro possui em sua agenda telefônica os contatos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), membros da cúpula do Congresso e até um governador.
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Segundo o levantamento, ao menos três ministros do STF, cinco senadores e cerca de 20 deputados aparecem entre os números salvos, sem registro de chamadas ou mensagens. Entre os nomes identificados está o ministro Dias Toffoli, que em uma canetada pegou para si as investigações relacionadas ao Banco Master. Também figuram na lista os ministros Alexandre de Moraes, cuja esposa recebe mais de R$3 milhões mensais do Banco Master, e Kassio Nunes Marques. Este último declarou não manter relação com o empresário, afirmando que seu número é de conhecimento público desde sua sabatina no Senado em 2020.
No campo político, constam ainda os contatos do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL) e do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Lira declarou que não possui relação com Vorcaro além de encontros institucionais, enquanto Motta não se pronunciou.
O episódio ganhou maior repercussão após decisão de Dias Toffoli após viajar de jatinho com o advogado de Vorcaro para o jogo do Palmeiras em Lima no Peru, que determinou o sigilo do inquérito que não é de competência do STF e retirou da CPMI o acesso ao material obtido com a quebra dos sigilos de Vorcaro. A medida foi criticada pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que afirmou que a decisão enfraquece a investigação e amplia a desconfiança pública. Vorcaro não tem foro privilegiado e por isto não poderia ter seu processo levado ao STF como fez Dias Tofolli.
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Vorcaro é investigado pela Polícia Federal por supostos crimes contra o sistema financeiro e fraudes na concessão de créditos. Ele chegou a ser preso por nove dias e foi solto com tornozeleira eletrônica. As apurações apontam indícios de que uma operação de R$ 12,2 bilhões envolvendo o Banco Master e o BRB teria sido articulada para contornar mecanismos de fiscalização do Banco Central.
Enfoque central:
- A lista de contatos de Vorcaro inclui ministros do STF, senadores, deputados e um governador.
- O caso expõe a proximidade entre o banqueiro e autoridades de diferentes esferas de poder.
- As investigações seguem em curso, com críticas à decisão de manter parte do material em sigilo.






















