Em um vídeo divulgado nas redes sociais no sábado, 31 de janeiro de 2026, o piloto Mauro Caputti Mattosinho relatou detalhes inéditos sobre como se deu a atuação dos empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, apelidado de Beto Louco, em ligações diretas com figuras políticas influentes de Brasília — incluindo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e o senador Davi Alcolumbre (União–AP).
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Quem são “Primo” e “Beto Louco”?
Mourad e Silva são alvos centrais da Operação Carbono Oculto, investigação da Polícia Federal que mirou um esquema ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital) envolvendo fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e movimentos suspeitos no setor de combustíveis e nas ações da Faria Lima em São Paulo.
Segundo outras apurações dessa investigação, Primo e Beto Louco são apontados como líderes de uma organização criminosa bilionária no setor — com vasta rede de empresas, companhias de transporte de combustíveis e estruturas financeiras opacas.
O relato do piloto e os voos suspeitos
Mauro Mattosinho, que pilotava aeronaves para a empresa de táxi aéreo em que trabalhava, afirmou que voou repetidamente entre janeiro e maio de 2024 para transportar Primo, Beto Louco, seus familiares e funcionários, conhecidos nos bastidores como “pessoal da Reag”.
A partir de maio, os voos se intensificaram, especialmente para a capital federal, e passaram a incluir destinos ligados a encontros políticos sensíveis.
Dinheiro em espécie a políticos
De acordo com Mattosinho, em 6 de agosto de 2024 ele recebeu a missão de entregar “com cuidado” uma sacola com dinheiro em espécie ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) durante um dos voos a Brasília — uma alegação que levanta sérias questões sobre a origem e o destino desses recursos.
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Relações com Toffoli e outros políticos
No vídeo, o piloto afirmou que, entre agosto e setembro de 2024:
- Primo e Beto Louco articularam encontros com o senador Davi Alcolumbre.
- Eles teriam dado carona ao ministro Dias Toffoli até o Tayayá Resort, um empreendimento frequentemente associado ao círculo de familiares e investimentos ligados ao próprio ministro.
Esse tipo de associação levanta debates sobre proximidade entre pessoas investigadas pela PF e autoridades públicas de alto escalão, sobretudo quando existem indícios de movimentações suspeitas envolvendo recursos e aeronaves registradas em nomes de terceiros.
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Crescimento da frota e investidores
Mattosinho também observou que, durante o período das viagens a Brasília, a frota de aeronaves associada ao grupo ligado a Primo e Beto Louco cresceu rapidamente, com compras avaliadas em centenas de milhões de reais em aviões — um sinal de grande capacidade financeira.
Ele afirma que essas aeronaves, conforme relatos de um intermediário chamado Epaminondas, pertenciam a um grupo que incluía:
- Antônio Rueda, presidente do União Brasil;
- Danilo Trento, lobista;
- César Astor Rocha, ex-ministro do STJ, e seu filho.
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Além disso, Rueda teria articulado recursos do Banco de Brasília (BRB) na tentativa de comprar um hangar próprio no Aeroporto Internacional de Brasília — outro elemento que mostra como as relações entre negócios, política e infraestrutura aérea podem ter se sobreposto à transparência.
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A conexão com o Banco Master
A matéria também destaca que o Banco de Brasília (BRB) tentou adquirir o Banco Master, mas foi impedido pelo Banco Central após apurar irregularidades na instituição, que incluem emissão de créditos fictícios e manipulação de balanços — implicando um rombo bilionário no mercado financeiro.
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Segundo a reportagem, Dias Toffoli, cuja família possui histórico de investimento em fundos ligados ao Banco Master e ao seu controlador, centralizou o inquérito sobre as fraudes financeiras no STF e adotou medidas que restringiram o acesso da Polícia Federal às provas — ação que tem sido alvo de críticas de transparência e equidistância.
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O piloto Mauro Mattosinho revelou em vídeo uma teia complexa de relações entre empresários investigados por crimes graves e figuras políticas de alto escalão, com supostos transportes de dinheiro em espécie, encontros com autoridades e aceleração de aquisições de aeronaves de alto valor — tudo isso no pano de fundo de uma investigação policial de grande repercussão no país.








