O ouro e a prata disparam para máximas históricas novamente nesta segunda-feira (19) à medida que a escalada da pressão do presidente Donald Trump para adquirir a Groenlândia alimentou temores de uma guerra comercial danosa entre EUA e Europa.
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O ouro à vista chegou a subir 2,1%, aproximando-se de US$ 4.700 a onça, enquanto a prata avançou até 4,4%, à medida que a agressividade de Trump pesava sobre o dólar e impulsionava a demanda por ativos de proteção. Já às 11h11 (horário de Brasília), o ouro subia 1,65%, a US$ 4.671 a onça, enquanto a prata avançava 5,28%, a US$ 93,15.
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Os EUA anunciaram a imposição de tarifas a oito países europeus — incluindo França, Alemanha e Reino Unido — que se opõem ao plano de adquirir a Groenlândia.
As preocupações com as consequências da tentativa de anexação da Groenlândia por Trump deram novo fôlego a um rali recorde que elevou o preço do ouro em cerca de 70% nos últimos 12 meses. Investidores têm aumentado posições nas últimas semanas em meio a tensões geopolíticas mais agudas e novos ataques à independência do Federal Reserve.
As tarifas americanas de 10% entrarão em vigor em 1º de fevereiro e subirão para 25% em junho. Líderes europeus discutem várias opções de resposta, incluindo sobretaxas retaliatórias sobre € 93 bilhões (US$ 108 bilhões) em bens dos EUA. A Itália já está favorável a Trump.
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Na visão do Goldman Sachs, permanece altamente incerto se essas tarifas serão implementadas.
“O impacto nos metais preciosos parece uma reação à fuga de ativos em dólar e ao potencial impacto inflacionário de uma guerra comercial entre EUA e União Europeia, sem falar no efeito de esfriamento sobre a atividade econômica”, disse Peter Mallin‑Jones, analista da Peel Hunt LLP.
“As tensões geopolíticas deram aos compradores de ouro mais um motivo para empurrar o metal a novas máximas”.
O ouro registrou no ano passado seu melhor desempenho anual desde 1979, apoiado pela queda dos juros nos EUA, pela continuidade das compras de bancos centrais e pelas rupturas no cenário geopolítico desencadeadas por Washington. O rali da prata foi ainda maior, com os preços triplicando em 12 meses.
A expectativa é de ainda mais ganhos. Na semana passada, o Citigroup Inc. projetou que o ouro chegará a US$ 5.000 em até três meses, e que a prata alcançará US$ 100 a onça.
Já “para a prata, o cenário de médio prazo segue construtivo, sustentado por déficits físicos persistentes, demanda industrial resiliente e demanda por porto seguro”, afirmou Christopher Wong, estrategista do OCBC.
“Mas o ritmo da recente pernada de alta pode justificar alguma cautela tática no curto prazo”, disse Wong, observando que a relação ouro/prata caiu acentuadamente de máximas próximas de 105 no fim de 2025 para a faixa de 50, sinalizando a performance muito superior da prata em relação ao ouro.








