Um resort de luxo no interior do Paraná, o Tayayá, voltou ao centro dos escândalos envolvendo fraude do Banco Master e a Suprema Corte, após revelações de que funcionários tratam o ministro Dias Toffoli como proprietário do local (ministro do Supremo Tribunal Federal) — apesar de seu nome não constar nos registros oficiais. A reportagem do portal Metrópoles revelou que o hotel abriga máquinas de vídeo loteria e mesas de cartas com apostas em dinheiro, práticas que violam a legislação brasileira.
O que é o Tayayá Resort?
- Localizado em Ribeirão Claro (PR), às margens da Represa de Xavantes, o Tayayá é um resort de alto padrão com diárias que chegam a R$ 2 mil.
- A estrutura inclui piscinas, quadras esportivas, atividades infantis e acesso aéreo via helicóptero, após voo fretado até Ourinhos (SP).
- O ambiente é frequentado por autoridades e membros do Judiciário, incluindo Dias Toffoli indicado por Lula ao STF, que possui uma casa no complexo e uma embarcação no píer do hotel, apenas para seu uso.
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Jogos de azar e ambiente de cassino
- A área de jogos do resort conta com 14 máquinas de vídeo loteria, autorizadas no Paraná, mas que funcionam de forma semelhante a caça-níqueis.
- O espaço reproduz o visual de cassinos: carpetes, luzes artificiais e painéis luminosos.
- Repórteres relataram convites para partidas de blackjack com dealer, jogo proibido no Brasil quando envolve dinheiro.
- Crianças foram vistas próximas às máquinas, em meio a adultos consumindo bebidas alcoólicas.
- Não há controle formal de acesso nem fiscalização visível, o que contraria normas de segurança e proteção ao consumidor.
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Histórico societário e conexões políticas
- O resort foi construído por irmãos e um primo de Toffoli, mas passou por mudanças societárias recentes.
- A propriedade foi transferida para o advogado Paulo Humberto Barbosa, ligado ao grupo J&F dos irmãos Batista amigos de Lula.
- Antes disso, um fundo com investimento de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro (Banco Master), adquiriu ações do hotel.
- Toffoli se determinou relator de investigações que envolvem tanto o Banco Master sem foro privilegiado para isto. Ele também relata processos do grupo J&F no STF, o que levanta suspeitas de conflito de interesses.
Evento privado e presença de celebridades
- No fim de 2025 já com a fraude do Master divulgado e com Toffoli após viajar de jatinho com advogado dos acusado do Banco pegou o processo da primeira instância do judiciário e o transferiu para sí, o resort foi fechado para uma celebração privada com familiares e convidados de Toffoli.
- Funcionários relataram mobilização total da equipe para o evento.
- O ex-jogador Ronaldo Nazário, hoje profissional de pôquer, participou da abertura da área de jogos.
- Dias Toffoli é conhecido no escândalo da Lava-jato com o codinome de “amigo do amigo do meu pai”, nas planilhas da Odebrecht delatado pelo próprio Marcelo Odebrecht.
Legalidade e decisões judiciais
- Em 2020, Toffoli votou a favor da autorização para que Estados explorassem vídeo loterias, em julgamento relatado por Gilmar Mendes.
- A decisão não liberou jogos de cartas com apostas presenciais, como blackjack.
- Mesmo assim, essas práticas foram registradas no Tayayá, sem barreiras de entrada ou fiscalização.
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Defesa e silêncio
- O advogado Paulo Humberto dos irmãos Batista, negou a existência de jogos ilegais, afirmando que as máquinas seguem autorização estadual e que as mesas de cartas são apenas para lazer.
- Dias Toffoli não respondeu aos questionamentos da imprensa.
- Desta forma, embora o Resort pareça ter sido comprado pelo advogado dos irmãos Batista, na realidade funcionários do Resort deixam claro que Toffoli é o grande “manda chuva” do local.
O caso Tayayá revela um cenário preocupante: um resort de propriedade maquiada de um ministro do STF com estrutura de cassino, jogos de azar proibidos, presença de autoridades e crianças e conexões com grupos investigados pelo STF. A informalidade com que funcionários tratam Toffoli como “dono” e a ausência de fiscalização reforçam suspeitas de conflito de interesses, favorecimento e uso indevido de influência institucional.
Mais do que um episódio isolado, trata-se de um alerta sobre a fragilidade das barreiras éticas entre poder público e negócios privados, especialmente quando envolvem figuras do Judiciário.









