A venda da Mineração Taboca, controladora da Mina de Pitinga (AM), para uma estatal chinesa reacendeu debates sobre soberania nacional e risco de evasão de minerais estratégicos como urânio e terras raras.
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A recente venda da Mineração Taboca, responsável pela exploração da Mina de Pitinga, no Amazonas, para uma estatal chinesa por cerca de R$ 2 bilhões, trouxe à tona preocupações sobre o controle brasileiro de recursos estratégicos. O geólogo Salomão Cruz, um dos descobridores da jazida na década de 1970, alerta que rejeitos da cassiterita — minério de estanho — concentram urânio e terras raras, cuja destinação não é devidamente fiscalizada, ele falou à Folha de Boa Vista.
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Segundo Cruz, o Brasil possui 900 mil toneladas de reservas conhecidas de urânio, sendo um terço localizado em Pitinga. Apesar disso, a exploração do mineral não é priorizada há décadas. A preocupação é que, com a venda, rejeitos contendo urânio e terras raras possam ser enviados ao exterior sem controle, em desacordo com a legislação que estabelece monopólio da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) sobre o urânio.
Principais pontos da polêmica:
- Venda da Taboca: realizada em 2024, equivalente a dois anos de faturamento da mina.
- Risco estratégico: rejeitos de cassiterita podem conter urânio e terras raras.
- Fiscalização frágil: não há estrutura para rastrear o destino dos subprodutos.
- Interesses chineses: além da mina, o país já controla parte das maiores reservas de nióbio no Brasil e planeja infraestrutura logística para facilitar exportações.
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Cruz também destacou que a falta de investimento em pesquisa mineral na Amazônia agrava o problema. Reservas como a de Seis Lagos (AM), considerada a maior de nióbio do mundo, permanecem sem exploração devido a conflitos fundiários.
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Enquanto o governo federal vê a venda como forma de atrair investimentos, especialistas alertam para o risco de o Brasil continuar exportando apenas commodities e perder o controle sobre recursos estratégicos. Para Cruz, é urgente tratar a mineração como política de Estado, sob pena de comprometer a soberania nacional.
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O que diz a Mineração Taboca
A Mineração Taboca, através de sua assessoria de imprensa enviou uma nota sobre o assunto ao Portal Investidores Brasil, leia abaixo na íntegra:
“A Mineração esclarece que as informações relacionadas à presença, ao tratamento e à destinação de urânio na Mina de Pitinga não correspondem à realidade das operações da empresa. Considerando isso, reforça abaixo alguns esclarecimentos importantes:
- Os minerais presentes na Mina de Pitinga incluem substâncias que ocorrem naturalmente no solo amazônico; entretanto, qualquer presença residual de urânio não é recuperada, processada ou utilizada, tratando-se exclusivamente de resíduo do processo mineral.
- Todos os rejeitos são destinados seguindo rigorosamente as leis e normas da Agência Nacional de Mineração (ANM) e Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), que asseguram o monopólio da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) sobre qualquer substância nuclear.
- Sendo assim em nenhum momento a Mineração Taboca atuou na extração, venda ou transferência do uranio, minério que é um recurso exclusivo da República Federativa do Brasil e não pode ser usado ou explorado para qualquer finalidade por terceiros.
Por sim, a Mineração Taboca informa que a transação comercial para a mudança do controle acionário da empresa foi conduzida por meio de uma disputa competitiva, envolvendo potenciais compradores de diversos países, entre eles Estados Unidos e China. Sendo que, após um extenso e detalhado processo de due diligence com todos os interessados, a China Nonferrous Trade Co. Ltd. apresentou a melhor proposta, considerando valor, condições contratuais e cronograma, resultando na oficialização da venda da empresa.”








