O nome de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou ao centro das atenções após revelações de que um empréstimo desviado do próprio banco teria sido usado para comprar uma mansão de R$ 36 milhões no Lago Sul, em Brasília. O caso, revelado pela imprensa, está ligado às investigações da Operação Compliance, conduzida pela Polícia Federal e acompanhada pelo Banco Central e Ministério Público Federal.
A compra da mansão
A aquisição foi realizada em maio de 2024 pela empresa Super Empreendimentos e Participação, que tinha como sócio o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel. A mansão, localizada em uma das áreas mais nobres da capital federal, era utilizada por Vorcaro quando estava em Brasília.
Além de ser adquirida com recursos suspeitos, o imóvel servia como espaço de recepção de políticos e autoridades, incluindo Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal cuja a esposa tem um contrato de R$ 3.6 milhões por mês, sendo que atuou em um único processo do Banco e perdeu. O Banco tem mais de 77 mil processos ativos nas mãos de outros escritórios, o que amplia ainda mais as implicações do caso.
Quase um ano depois, em abril de 2025, o imóvel foi revendido pela mesma empresa para a Prime Aviation 4 Participações, ligada ao grupo Prime You, do qual Vorcaro também é sócio. O detalhe curioso é que a revenda foi feita pelo mesmo valor da compra: R$ 36,1 milhões, levantando suspeitas de simulação de negócios para evitar tributação.
- VEJA: Banco Central coloca sigilo absoluto em conversas com Moraes da Suprema Corte sobre Banco Master
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Empresas e fundos envolvidos
A Super Empreendimentos integra a lista de 35 companhias suspeitas de tomar empréstimos fraudulentos do Banco Master. Segundo investigadores, esses recursos eram desviados para uma rede de fundos e empresas “laranjas”, que retroalimentavam o próprio banco.
Entre os fundos citados estão o Termópilas e o Astralo 95, ambos apontados pelo Banco Central como integrantes da ciranda de fraudes. O capital social da Super saltou de R$ 16 milhões em 2023 para R$ 2,6 bilhões em julho de 2024, um crescimento considerado incompatível com operações regulares.
Questionamentos legais
Especialistas em direito e mercado financeiro afirmam que a operação pode configurar fraude e conflito de interesse, já que envolve partes relacionadas e ausência de transparência.
- A revenda pelo mesmo valor evita pagamento de Imposto de Renda.
- A estrutura de fundos pode ter sido usada para retirar dinheiro do banco sem necessidade de dividendos.
- A prática fere princípios de lealdade e diligência previstos pela CVM.
Um ex-dirigente da Comissão de Valores Mobiliários destacou que a manobra pode ter sido uma forma de Vorcaro retirar recursos da instituição sem passar pelas regras de distribuição de lucros.
Operação Compliance e prisão de Zettel
Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e ex-diretor da Super, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance, deflagrada em janeiro de 2026. Ele chegou a ser preso ao tentar embarcar para Dubai, mas foi liberado horas depois. A investigação segue em andamento e pode trazer novos desdobramentos sobre o caso.
Impactos no mercado
O episódio reforça a crise de credibilidade em torno do judiciário brasileiro. O caso também expõe fragilidades na fiscalização de operações financeiras complexas e reacende o debate sobre governança corporativa no sistema bancário brasileiro.







