A Votorantim, um dos maiores conglomerados industriais do Brasil, está em negociações avançadas para vender sua operação de alumínio à estatal chinesa Chinalco. O movimento reforça o interesse da China em ampliar sua presença no setor de metais estratégicos na América Latina, especialmente em um momento de alta demanda global por alumínio, utilizado em setores como construção civil, automotivo e tecnologia.
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O que está em jogo
- Empresa envolvida: CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), controlada pela Votorantim.
- Compradora: Chinalco, gigante estatal chinesa de mineração e metais.
- Motivação da venda: A Votorantim busca reestruturar seu portfólio, concentrando investimentos em áreas consideradas mais estratégicas.
- Interesse da China: Garantir acesso a recursos naturais e ampliar sua influência em mercados emergentes.
- A Chalco (Corporação de Alumínio da China) e o Grupo Rio Tinto vão adquirir conjuntamente uma participação majoritária na CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), do Grupo Votorantim, por R$ 4,7 bilhões, garantindo a produção de baixo carbono em meio à alta dos preços do metal.
Impactos potenciais
- Para o Brasil: A transação pode representar entrada significativa de capital estrangeiro e reforçar a posição do país como fornecedor estratégico de matérias-primas.
- Para o mercado global: A aquisição fortalece a China no setor de alumínio, ampliando sua capacidade de atender à crescente demanda mundial.
- Para a Votorantim: A venda pode liberar recursos para novos investimentos em setores como energia renovável, cimento e mineração.
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Contexto estratégico
Fundada em 1941, a CBA é a única produtora de alumínio totalmente integrada do Brasil, gerenciando operações desde a mineração de bauxita até o processamento. A empresa, que abriu seu capital na Bolsa de Valores do Brasil em 2021, alimenta suas operações inteiramente com energia renovável, incluindo uma capacidade de autoprodução de 1,6 gigawatts proveniente de 21 usinas hidrelétricas e quatro parques eólicos.
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A CBA opera 3 minas de bauxita com uma produção anual de 2 milhões de toneladas. Em 2024, produziu 720 mil toneladas de alumina e 364,5 mil toneladas de alumínio líquido, representando mais de 1/3 do mercado primário de alumínio do Brasil.
Depois da conclusão da transação, a joint-venture fará uma oferta pública obrigatória para as ações remanescentes da CBA. Os sócios estão considerando fechar o capital da empresa, embora essa possibilidade possa ser reavaliada. O negócio foi aprovado pelos órgãos reguladores antitruste, pela Secretaria da Energia Elétrica do Brasil na gestão do governo Lula e pelos órgãos reguladores de investimentos estrangeiros da China, mas ainda requer aprovações adicionais.
A negociação reflete uma tendência global: empresas brasileiras de base industrial atraem o interesse de grupos estrangeiros, especialmente da China, que busca consolidar cadeias de suprimento críticas. O alumínio, por sua versatilidade e importância em tecnologias sustentáveis, é considerado um ativo estratégico.
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Riscos segundo analistas
- Perda de controle nacional: A venda de uma empresa estratégica para uma estatal estrangeira levanta preocupações sobre soberania econômica.
- Dependência da China: O Brasil pode se tornar mais vulnerável às oscilações da política e da economia chinesa.
- Impacto no emprego local: Mudanças de gestão podem afetar políticas trabalhistas e gerar incertezas para funcionários da CBA.
- Concentração de mercado: A entrada de um gigante global pode reduzir a competitividade de empresas brasileiras menores no setor.
A controladora da Chalco, a Aluminum Corporation of China, é a maior acionista individual da Rio Tinto, e ambas são parceiras no desenvolvimento do gigantesco projeto de minério de ferro de Simandou, na Guiné.
A China através de suas empresas tem tomado conta pouco a pouco dos recursos naturais brasileiros. Para muitos especialistas é uma colonização silenciosa, o Brasil com aprovação do governo Lula está vendendo sua soberania em diversos setores pouco a pouco.
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Contexto geopolítico
A negociação reflete a estratégia da China de garantir acesso a matérias-primas essenciais. O alumínio é considerado crítico para a transição energética e para tecnologias de ponta, como carros elétricos e painéis solares. Para o Brasil, o desafio será equilibrar os benefícios econômicos imediatos com a necessidade de preservar autonomia em setores estratégicos.
Esta informação foi originalmente divulgada em inglês pela Caixin Global em 31.jan.2026.








