O banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, assinou um acordo de sigilo com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR), dando início formal às negociações para um possível acordo de delação premiada.
A informação marca um novo desdobramento relevante nas investigações envolvendo o empresário.
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Termo de confidencialidade abre caminho para colaboração sobre Banco Master
A assinatura do termo de confidencialidade estabelece que todas as tratativas entre as partes ocorrerão sob sigilo.
Esse tipo de acordo é considerado etapa inicial padrão em negociações de delação premiada, permitindo que o investigado apresente informações às autoridades de forma protegida.
Caso a colaboração avance e seja homologada, Vorcaro poderá obter benefícios legais, conforme previsto na legislação.
Decisão de Mendonça do STF viabiliza avanço das negociações
O processo de negociação ocorre após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a transferência de Vorcaro.
Ele deixou a Penitenciária Federal em Brasília e foi encaminhado para uma unidade da Polícia Federal, mudança que facilita o contato com investigadores.
Vorcaro está preso preventivamente desde o início de março.
A íntegra da decisão do minsitro:
Na decisão (íntegra – PDF – 384 kB), o ministro disse que Vorcaro “manteve atuação direta na condução de estratégias financeiras e institucionais relacionadas à instituição, participando de decisões voltadas à captação de recursos no mercado financeiro e à sua posterior alocação em estruturas de investimento vinculadas ao próprio conglomerado econômico”.
Segundo ele, elementos da investigação indicam que o banqueiro “participou da estruturação de modelo de captação de recursos mediante emissão de títulos bancários com remuneração significativamente superior à média de mercado, direcionando os valores obtidos para investimentos em ativos de maior risco e baixa liquidez, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios nos quais o próprio Banco Master figurava como cotista”.
Segundo a PF, o esquema investigado apresenta 4 núcleos principais de atuação: 1 – núcleo financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro; 2 – núcleo de corrupção institucional, voltado à cooptação de funcionários públicos do Banco Central; 3 – núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas interpostas; 4 – núcleo de intimidação e obstrução de Justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.
Além de Vorcaro, foram presos: Fabiano Zettel, investigado por realizar pagamentos e orientar núcleo de intimidação; Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado investigado por participar de grupo de monitoramento de adversários de Vorcaro; Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, chamado de Sicário –ele morreu em 6 de março depois de tentar se matar enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Belo Horizonte. A corporação não detalhou o que aconteceu.
Defesa passa por mudança estratégica
A defesa do banqueiro passou a ser conduzida pelo advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido por atuação em casos de grande repercussão, incluindo delações no âmbito da Operação Lava Jato.
A troca indica uma estratégia voltada à negociação com as autoridades.
Investigação aponta atuação no banco
Na decisão que autorizou medidas no caso, o ministro André Mendonça apontou indícios de que Vorcaro teria atuação direta nas operações investigadas.
Segundo a apuração, o modelo envolvia:
- Captação de recursos com rentabilidade acima da média de mercado
- Aplicação desses valores em ativos considerados de maior risco e baixa liquidez
A assinatura do acordo de sigilo formaliza o início das negociações para uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro, em um processo que ainda depende de avanços nas tratativas e eventual validação pelas autoridades competentes.
Até o momento, não há acordo firmado — apenas o início oficial das conversas sob confidencialidade.



