A China saiu em defesa de Cuba nesta quinta-feira após os Estados Unidos anunciarem acusações criminais contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, em uma das maiores escaladas de tensão entre Washington e Havana nas últimas décadas.
O Departamento de Justiça dos EUA apresentou acusações de assassinato e conspiração contra Castro relacionadas ao episódio de 1996 em que caças cubanos derrubaram duas aeronaves civis do grupo “Brothers to the Rescue”, matando quatro pessoas — incluindo cidadãos americanos.
A reação chinesa veio poucas horas depois. Pequim afirmou que Washington estaria “abusando de meios judiciais” para pressionar Cuba e pediu o fim das sanções e ameaças americanas contra a ilha.
Mais do que uma disputa diplomática, o episódio expõe uma escalada geopolítica crescente no Caribe em meio ao avanço da influência chinesa na América Latina.
Nesta quinta-feira, o governo chinês criticou oficialmente as acusações americanas contra o ex-presidente cubano Raúl Castro e afirmou que os EUA estariam usando “sanções, intimidação e pressão judicial” contra Havana.
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O posicionamento ocorre justamente enquanto Cuba enfrenta uma das piores crises econômicas e energéticas das últimas décadas — cenário que abriu espaço para maior presença chinesa e russa no Caribe.
Por que a China defendeu Cuba?
A China reagiu após os Estados Unidos apresentarem acusações criminais contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, acusado por Washington de participação na derrubada de aeronaves civis em 1996.
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China amplia presença enquanto os EUA endurecem pressão
Nos bastidores, a disputa vai além de Cuba.
A China acelerou nos últimos anos sua expansão econômica na América Latina, ampliando investimentos, crédito, infraestrutura e influência política em uma região historicamente considerada área de influência dos Estados Unidos.
Em 2024, o comércio entre China e países da América Latina e Caribe ultrapassou US$ 515 bilhões pela primeira vez, segundo dados divulgados pelo governo chinês e reportados pela Reuters.
Além disso, Pequim anunciou uma nova linha de crédito de aproximadamente US$ 9 bilhões para países latino-americanos e caribenhos, reforçando a estratégia chinesa de aprofundar presença regional.
O avanço preocupa Washington principalmente em setores considerados estratégicos:
- portos;
- telecomunicações;
- energia;
- logística;
- mineração;
- infraestrutura crítica.
A preocupação americana aumentou após sucessivos alertas sobre a expansão chinesa em regiões próximas ao território dos EUA, incluindo Caribe e América Central.
O que os EUA fizeram?”
Os EUA acusaram Raúl Castro de assassinato e conspiração ligados ao abatimento de dois aviões civis do grupo Brothers to the Rescue, que deixou quatro mortos.
Cuba vive colapso energético e econômico
A aproximação entre China e Cuba ocorre em meio a um cenário interno crítico na ilha.
Nos últimos meses, Cuba passou por:
- apagões nacionais;
- escassez severa de combustível;
- colapso parcial do transporte;
- falta de medicamentos;
- inflação elevada;
- deterioração da infraestrutura básica.
Em março, um apagão nacional deixou praticamente toda a população cubana — cerca de 10 milhões de pessoas — sem energia por quase 29 horas.
Em algumas regiões turísticas e cidades do interior, moradores chegaram a enfrentar cortes de energia de até 22 horas por dia.
A crise energética também atingiu diretamente combustíveis. Em maio, o governo cubano praticamente dobrou os preços oficiais da gasolina e do diesel:
- gasolina premium: de US$ 1,30 para US$ 2 por litro;
- gasolina regular: de US$ 0,95 para US$ 1,80;
- diesel: de US$ 1,10 para US$ 2.
No mercado paralelo, combustíveis chegaram a ser vendidos entre US$ 8 e US$ 10 por litro — valores proibitivos para grande parte da população cubana.
A economia cubana segue pressionada também pela queda de exportações, redução do turismo e dificuldades de financiamento externo. Em 2024, o próprio governo cubano reconheceu perdas de aproximadamente US$ 900 milhões em receitas de exportação.
Por que Cuba importa para China e EUA?”
Cuba voltou ao centro da disputa geopolítica porque oferece posição estratégica no Caribe, próxima ao território americano, além de relevância diplomática e simbólica na disputa entre China e Estados Unidos.
A ajuda chinesa virou peça estratégica
Com dificuldade crescente de acesso a crédito e importações, Cuba passou a depender mais fortemente do apoio externo.
A China ampliou nos últimos meses:
- envio de alimentos;
- assistência técnica;
- equipamentos energéticos;
- cooperação agrícola;
- apoio diplomático.
Entre as medidas mais relevantes está a doação de cerca de 60 mil toneladas de arroz ao governo cubano em 2026, além de ajuda financeira e suporte técnico para produção agrícola.
Pequim também passou a apoiar projetos emergenciais para estabilizar a rede elétrica cubana.
Segundo a Reuters, autoridades cubanas lançaram com apoio chinês um programa para instalar 1.000 MW de energia solar no país ainda em 2026, com previsão de expansão posterior.
Além do impacto econômico, o apoio possui forte peso geopolítico.
Cuba oferece à China:
- presença estratégica próxima aos EUA;
- influência diplomática no Caribe;
- expansão regional de infraestrutura;
- fortalecimento político contra sanções americanas;
- aproximação com governos latino-americanos alinhados ao eixo anti-Washington.
Por que a China apoia Cuba?
A China apoia Cuba para ampliar influência política e econômica na América Latina, fortalecer presença próxima aos Estados Unidos e ampliar alianças contra sanções e pressão americana. Dados mostram que o comércio entre China e América Latina já supera US$ 515 bilhões anuais.
Bases chinesas espalhadas na América:

Os EUA enxergam avanço chinês no “quintal estratégico”
A crescente presença chinesa na América Latina já deixou de ser vista por Washington apenas como questão comercial.
Autoridades americanas passaram a tratar o tema como risco estratégico envolvendo:
- telecomunicações;
- dados;
- infraestrutura crítica;
- segurança regional;
- influência política.
O receio aumentou após a China ampliar investimentos em portos, redes energéticas e sistemas de comunicação em países latino-americanos.
A tensão se intensifica porque Cuba possui enorme valor simbólico e estratégico para os EUA desde a Guerra Fria.
A ilha está localizada a menos de 200 quilômetros da Flórida e historicamente foi considerada área extremamente sensível para a segurança americana.
China x EUA na América Latina
| Indicador | China | EUA |
|---|---|---|
| Comércio com América Latina | US$ 515 bilhões | [colocar dado atualizado] |
| Foco estratégico | Infraestrutura e energia | Segurança e influência política |
| Instrumentos | Crédito, obras, comércio | Sanções, diplomacia, acordos militares |
| Regiões prioritárias | Caribe, América do Sul | Caribe e América Central |
O que está em jogo de verdade
Embora Cuba tenha economia relativamente pequena no cenário global, a crise da ilha virou oportunidade para expansão de influência internacional.
A China utiliza apoio financeiro, energético e diplomático para ampliar presença em uma região historicamente dominada pelos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, Washington tenta impedir que Pequim transforme dependência econômica em influência estratégica dentro do continente americano.
O resultado é que Cuba voltou ao centro de uma disputa global muito maior:
- guerra comercial;
- influência regional;
- sanções;
- infraestrutura;
- energia;
- segurança geopolítica.
A ilha caribenha deixou de ser apenas um problema regional. Ela voltou a funcionar como símbolo direto da disputa entre China e Estados Unidos pelo equilíbrio de poder no hemisfério ocidental.
Comércio China x América Latina explode:

O que aconteceu em 1996?
Pequeno box histórico explicando:
- Brothers to the Rescue;
- derrubada dos aviões;
- mortos;
- sanções posteriores.


