O cenário político e financeiro brasileiro ganhou novos contornos após os recentes ataques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao dono do Banco Master. Em um evento realizado em Maceió, no dia 23 de janeiro de 2026, Lula acusou o dono da instituição, Daniel Vorcaro, de ter aplicado um golpe bilionário, estimado em mais de R$ 40 bilhões. Sem citar nomes diretamente, o presidente afirmou que “falta vergonha na cara a quem defende Vorcaro”, marcando um rompimento público com um banco que, até pouco tempo atrás, mantinha relações próximas com figuras centrais do PT.
Guido Mântega e sua passagem pelo Banco Master
- Ex-ministro da Fazenda de Lula, Guido Mântega foi alvo de uma tentativa insistente do presidente de colocá-lo no Conselho da Vale.
- Lula tentou emplacar Mântega “de todo jeito”, mas enfrentou forte resistência do mercado, que rejeitou sua indicação.
- Diante da negativa, Mântega acabou sendo direcionado ao Banco Master, em 2024, onde assumiu a missão de facilitar a venda da instituição para o estatal BRB (Banco de Brasília).
- Pelo trabalho, recebia um salário mensal próximo de R$ 1 milhão.
- Ele permaneceu no banco até poucas semanas antes da liquidação decretada pelo Banco Central em novembro de 2025.
Relações políticas e encontros no Planalto
Durante sua atuação no Banco Master, Mântega esteve quatro vezes no Palácio do Planalto, sempre recebido por Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), chefe de gabinete de Lula.
- As agendas oficiais registraram apenas “encaminhamento de pauta”, sem mencionar o Banco Master.
- Todos os encontros ocorreram em 2024, período em que o banco ainda buscava fortalecer sua posição no mercado, mas a fraude segundo a Polícia Federal já estava em desenvolvimento.
O contraste no discurso de Lula
O tom duro adotado por Lula em 2026 contrasta com o passado recente:
- Até poucos meses atrás, o Banco Master mantinha relações próximas com lideranças do PT.
- A contratação de Mântega, a pedido do senador Jacques Wagner (PT-BA), reforça essa proximidade.
- A liquidação do banco e as acusações de fraude, porém, mudaram completamente o cenário, levando Lula a se posicionar de forma crítica e contundente contra Vorcaro e sua gestão.
A verdade sobre quem paga a conta das fraudes inclusive do Banco Master
Apesar de Lula afirmar que “os bancos vão pagar a fraude”, essa declaração não reflete a realidade do sistema financeiro:
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- Bancos não absorvem integralmente prejuízos. Quando há perdas bilionárias, o impacto é diluído no sistema.
- Repasse ao consumidor: custos adicionais são incorporados às tarifas bancárias, juros de empréstimos e serviços financeiros.
- Resultado prático: quem acaba pagando a conta são os clientes, que enfrentam crédito mais caro e tarifas mais altas, ou recebem menos pelos investimentos.
Ou seja, a fala de Lula cria uma percepção de proteção ao consumidor, mas na prática os prejuízos recaem sobre a população, que é o elo mais frágil da cadeia financeira.
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O que está em jogo
O episódio revela:
- Fragilidade das relações entre política e mercado financeiro, especialmente quando interesses se cruzam.
- Exposição de figuras históricas do PT, como Mantega e Wagner, em meio a uma crise bancária de grandes proporções.
- Impacto político: Lula busca se afastar de qualquer associação com o Master, reforçando sua narrativa contra práticas que considera fraudulentas, mas ao mesmo tempo omite que os custos serão repassados aos clientes.
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O caso Banco Master expõe um enredo complexo de alianças políticas, interesses financeiros e rupturas públicas. A presença de Guido Mântega no banco, os encontros no Planalto e o discurso inflamado de Lula mostram como a crise extrapola o setor financeiro e se torna um tema central no debate político brasileiro. Ao mesmo tempo, a narrativa de que “os bancos pagarão a fraude” não se sustenta: no fim, quem paga é o cliente comum.









