Queda de reputação do STF no escândalo da fraude do Banco Master é tratada por revista Britânica

O escândalo do Banco Master continua repercutindo dentro e fora do Brasil. Nesta semana, a revista britânica Economist publicou uma reportagem citando as consequências da liquidação da instituição financeira, que pegou muitos de surpresa e levou a investigações envolvendo até mesmo membros do Supremo Tribunal Federal (STF).

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O texto cita os gastos exorbitantes de Daniel Volcaro com imóveis, jatos particulares, um hotel de luxo, um time de futebol e festas, desde que assumiu a liderança do negócio em 2019. Em setembro, Vorcaro tentou repentinamente vender a empresa, o que fez soar um alerta no Banco Central, que iniciou uma investigação contra o Banco Master, cujo modelo de negócio era baseado na venda de certificados de depósito bancário a altos juros, mesmo sem que o banco possuísse liquidez.

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Pouco depois da descoberta, Vorcaro foi preso ao tentar embarcar em um jato particular para Dubai.

A Economist lembrou que a fraude bilionária deixou um prejuízo gigantesco para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que desembolsará entre US$ 7,5 bilhões e US$ 10 bilhões para reembolsar os depositantes, a maior indenização desse tipo na história do Brasil.

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A revista britânica mencionou ainda que o escândalo do Master teve repercussão para além do setor bancário devido à relação do dono da instituição com a elite brasileira. “O caso expôs ligações entre políticos, figurões do mercado financeiro e o judiciário em Brasília, a capital, prejudicando a reputação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso”.

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Supostas ligações do Banco Master com as famílias de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli
A Economist cita as investigações que mostraram uma ligação do Banco Master com um escritório de advocacia dirigido pela esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.

“O banco havia assinado um contrato de US$ 24 milhões, com duração de três anos, com um escritório de advocacia dirigido pela esposa de Alexandre de Moraes, um influente juiz do Supremo Tribunal Federal”, cita a publicação.

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Em seguida, a revista menciona uma informação de um jornal não identificado, que revelou contatos contínuos entre Moraes e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, antes da liquidação do Banco Master.

“O Sr. Moraes afirma que ele e o Sr. Galípolo se encontraram para discutir assuntos não relacionados ao Banco Master. No entanto, seu comportamento autoritário levantou suspeitas. Em 14 de janeiro, ele abriu uma investigação contra a Unidade de Inteligência Financeira (UIF) e a Receita Federal para apurar se houve vazamento de informações sobre o contrato”, detalha o texto.

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A Economist também cita o envolvimento do ministro Dias Toffoli nas investigações contra a instituição financeira. “O Sr. Toffoli viajou em um jato particular com um advogado do Banco Master quase ao mesmo tempo em que o sistema de sorteio do Supremo Tribunal Federal o designou para liderar o caso contra a empresa”.

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Posteriormente, descobriu-se que o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, havia investido mais de US$ 1 milhão em um resort que pertencia aos irmãos de Toffoli.

“Não há provas de que o Sr. Toffoli soubesse do assunto”, diz a revista, “no entanto, esses laços reforçam a impressão entre os eleitores brasileiros de que a Suprema Corte do país carece de imparcialidade”.

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Apresentadora de podcast e redatora. Especialista em finanças pela PUC Minas
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