Compra de 100% da fabricante de mísseis ocorre meses depois de a empresa receber status estratégico e benefício tributário até 2032. Ex-presidente do TCU já negociava com a Avibras antes de renunciar; sua saída abriu a vaga ocupada por Rodrigo Pacheco em uma rápida articulação no Congresso.
A compra da Avibras Aeroco pelos irmãos Joesley e Wesley Batista não é apenas mais uma aquisição bilionária ou uma nova diversificação dos empresários.
A operação reúne, numa mesma cronologia, alguns dos personagens mais influentes da política e dos negócios brasileiros: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os irmãos Batista, o ex-presidente do Tribunal de Contas da União Bruno Dantas, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o ex-senador Rodrigo Pacheco.
Nesta quinta-feira, 15 de outubro, a Globe Investimentos, holding dos investimentos pessoais de Joesley e Wesley Batista, concluiu a compra de 100% da Avibras Aeroco, fabricante brasileira de mísseis, foguetes, sistemas de artilharia e tecnologias aeroespaciais.
O valor da aquisição não foi divulgado.
Mas é a sequência dos acontecimentos anteriores à compra que transforma a operação em um negócio de elevado interesse público.
Em poucos meses, a nova Avibras levantou recursos privados para voltar a produzir, foi enquadrada pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa, recebeu a visita pessoal de Lula, ouviu do presidente a promessa pública de futuras encomendas das Forças Armadas e foi habilitada pela Receita Federal a um regime tributário especial válido até 2032.
Depois disso, os irmãos Batista fecharam a compra da companhia.
E Bruno Dantas, que já negociava uma possível ida para a Avibras meses antes, deixou antecipadamente uma cadeira no TCU, abriu espaço para Rodrigo Pacheco e agora assume a presidência executiva do Conselho de Administração da empresa dos Batista.
A cronologia não comprova ilegalidade ou favorecimento.
Mas levanta questões que justificam acompanhamento rigoroso sobre a relação entre recursos públicos, decisões de governo, indústria de defesa e os novos controladores de uma das empresas tecnologicamente mais estratégicas do país.
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De empresa quase paralisada a ativo estratégico cobiçado
A Avibras atravessou uma das crises mais graves de sua história.
A antiga Avibras Indústria Aeroespacial entrou em recuperação judicial em 2022, acumulou dívidas, salários atrasados e enfrentou uma greve que ultrapassou três anos.
A reestruturação separou o negócio em duas estruturas.
A antiga companhia permaneceu com grande parte dos passivos ligados à recuperação judicial, enquanto a Avibras Aeroco passou a reunir ativos industriais, instalações e tecnologias que permitem a continuidade operacional do negócio.
É justamente essa nova empresa que agora pertence integralmente aos Batista.
A retomada começou a ganhar força em 2026.
A Avibras conseguiu levantar aproximadamente R$ 300 milhões junto a investidores brasileiros para retomar suas operações. Entre os investidores estava Joesley Batista.
Não foi divulgado publicamente quanto dos R$ 300 milhões partiu especificamente do empresário.
O ponto relevante é que Joesley já estava financeiramente ligado à recuperação da Avibras antes de sua holding decidir comprar 100% da companhia.
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Maio: Avibras recebe status de Empresa Estratégica de Defesa
Em maio veio outra mudança importante.
O Ministério da Defesa credenciou oficialmente a Avibras Aeroco como Empresa Estratégica de Defesa, a chamada EED.
O ato foi formalizado por portaria ministerial publicada no Diário Oficial.
Essa distinção é importante: não se tratou de um decreto presidencial criado especificamente por Lula para beneficiar a Avibras.
O enquadramento decorre da legislação da indústria de defesa e também é concedido a outras empresas que cumprem os requisitos estabelecidos.
Ainda assim, a classificação tem evidente valor econômico e institucional.
Ela reconhece formalmente a Avibras como uma companhia estratégica para a soberania e para a Base Industrial de Defesa brasileira, inserindo a nova empresa no ambiente regulatório destinado aos fornecedores considerados essenciais para a segurança nacional.
A antiga Avibras já possuía histórico de enquadramento no setor. O passo de 2026 foi relevante porque reconheceu a nova Avibras Aeroco criada depois da reorganização empresarial.
Julho: Lula vai pessoalmente à fábrica e fala em encomendas
Dois meses depois, a recuperação da Avibras ganhou o respaldo político mais importante possível.
Em 24 de julho, Lula visitou pessoalmente a fábrica de Jacareí, no interior de São Paulo.
Não foi sozinho.
A comitiva incluiu o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, comandantes militares e integrantes do governo.
Lula percorreu as instalações onde são produzidos componentes para mísseis, foguetes, sistemas de defesa e veículos especiais.
E fez uma declaração particularmente importante para qualquer interessado economicamente na companhia.
Ao defender o fortalecimento da capacidade militar brasileira, afirmou:
“As Forças Armadas, junto com o Ministério da Defesa, vão se preparar para a gente fazer as encomendas que for necessário fazer.”
Para uma empresa como a Avibras, essa sinalização tem peso.
O Estado brasileiro e as Forças Armadas estão entre os compradores naturais de seus produtos. Uma futura carteira de encomendas públicas pode representar receitas relevantes para uma fabricante de sistemas militares.
Isso não significa, porém, que Lula tenha naquele momento assinado contratos ou transferido dinheiro para a companhia.
Não houve anúncio de um pacote fechado de compras com valores definidos.
O fato objetivo é outro: o presidente da República esteve dentro da empresa e sinalizou publicamente a intenção de realizar encomendas militares.
Poucas semanas depois, os irmãos Batista acertariam a compra da Avibras.
Agosto: benefício tributário até 2032
A sequência avançou em agosto.
No dia 6, a Receita Federal habilitou a Avibras Aeroco no Regime Especial Tributário para a Indústria de Defesa, o RETID.
O benefício vale até 22 de março de 2032.
Pelas regras do regime, empresas habilitadas podem usufruir, nas operações previstas pela legislação, de mecanismos como suspensão da exigência de determinados tributos, isenção ou aplicação de alíquota zero.
Mais uma vez, é necessária precisão.
O RETID não foi criado para a Avibras e tampouco nasceu no atual governo. O regime existe desde legislação anterior.
O fato relevante para o negócio é que a nova Avibras Aeroco obteve sua habilitação em agosto de 2026, quando já havia retomado as atividades e semanas antes da consolidação da mudança de controle.
Isso aumentou o conjunto de instrumentos econômicos disponíveis para uma companhia que estava sendo reconstruída depois de anos de crise.
Dias depois, os Batista acertam a compra
Em 21 de agosto, veio o movimento empresarial decisivo.
A Globe Investimentos fechou acordo para adquirir a totalidade da Nova AVB, companhia que controla 100% da Avibras Aeroco.
A operação foi posteriormente submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica e aprovada sem restrições.
Agora, em 15 de outubro, a transação foi oficialmente concluída.
A Globe tornou-se a única acionista da Nova AVB e, consequentemente, controladora integral da Avibras Aeroco.
O controle permanece brasileiro.
O plano anunciado pelos novos proprietários prevê retomada da produção em escala e expansão principalmente para o mercado externo.
Mas existe um segundo personagem na operação que torna a história ainda mais relevante.
Bruno Dantas já negociava com a Avibras meses antes de deixar o TCU
Bruno Dantas será o presidente executivo do Conselho de Administração da Avibras sob o controle dos Batista.
O anúncio seria relevante por si só.
Dantas presidiu o Tribunal de Contas da União, uma das instituições responsáveis justamente pela fiscalização da aplicação de recursos públicos federais.
Mas a cronologia anterior à sua chegada à Avibras chama atenção.
Em maio, meses antes da compra ser anunciada, reportagens já informavam que Dantas estudava deixar o TCU e negociava possibilidades na iniciativa privada.
Uma delas era justamente a Avibras.
Naquele momento, a companhia ainda não havia sido comprada pelos Batista, mas Joesley já figurava entre os investidores envolvidos em sua recuperação.
Dantas tinha 48 anos e poderia permanecer no Tribunal de Contas da União por aproximadamente mais 27 anos, até atingir a aposentadoria compulsória.
Mesmo assim, decidiu antecipar sua saída.
E sua cadeira tinha enorme valor político.
Dantas conversou com Alcolumbre antes de deixar o tribunal
A imprensa também revelou que Dantas conversou diretamente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre a possibilidade de abandonar o TCU.
Já em maio, reportagem informava que Dantas havia tido uma conversa a sós com Alcolumbre e relatado que amadurecia a decisão de deixar a Corte.
Naquele momento, Rodrigo Pacheco já aparecia como grande favorito para herdar a cadeira.
Isso porque a vaga ocupada por Dantas pertencia à cota de indicações do Senado.
Pacheco era justamente o nome defendido anteriormente por Alcolumbre para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.
Lula, porém, escolheu Jorge Messias para o STF, contrariando Alcolumbre.
A decisão provocou uma das maiores crises entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado durante o atual governo.
A eventual saída de Dantas criou uma alternativa para acomodar Pacheco em outro dos cargos vitalícios mais importantes de Brasília.
Saída ocorre antes do esforço concentrado do Congresso
Em 28 de agosto, a CNN informou que Dantas já havia comunicado a Alcolumbre sua intenção de deixar o TCU antes da semana de esforço concentrado do Congresso.
O calendário fazia diferença.
Com senadores e deputados reunidos em Brasília antes da paralisação provocada pela campanha eleitoral, seria possível votar rapidamente seu sucessor.
Foi exatamente o que aconteceu.
Em 31 de agosto, Bruno Dantas formalizou sua renúncia ao TCU.
No mesmo dia, Alcolumbre apresentou Rodrigo Pacheco para ocupar a cadeira.
No dia seguinte, 1º de setembro, o Senado aprovou Pacheco por 63 votos favoráveis e apenas quatro contrários.
Em 2 de setembro, menos de 48 horas depois da saída de Dantas, a Câmara também aprovou a indicação.
Foram 404 votos favoráveis, 61 contrários e uma abstenção.
Em 30 de setembro, Pacheco tomou posse como ministro do Tribunal de Contas da União.
Duas semanas depois, Bruno Dantas aparece oficialmente na outra ponta da história: presidente executivo do Conselho de Administração da Avibras agora controlada pelos irmãos Batista.
Reportagem apontou negociação envolvendo pautas do governo Lula
Existe ainda outro elemento político que precisa ser registrado, mas com a devida atribuição.
Em reportagem publicada pelo Estado de Minas, na coluna PlatôBR, um senador integrante da Mesa Diretora afirmou que a ida de Rodrigo Pacheco ao TCU faria parte do acordo político em andamento para tentar aprovar matérias de interesse do governo durante o esforço concentrado convocado por Alcolumbre.
Não há até agora prova pública de que a renúncia de Dantas, a indicação de Pacheco, as votações no Congresso e a tramitação de pautas governistas tenham feito parte de uma contrapartida formal.
Mas existe uma sequência política objetiva que não pode ser ignorada.
Dantas já negociava com a Avibras.
Dantas conversou previamente com Alcolumbre sobre sua possível saída.
Sua renúncia foi antecipada para uma janela em que o Congresso estava reunido.
A vaga foi aberta em 31 de agosto.
Pacheco foi indicado no mesmo dia.
O Senado o aprovou no dia seguinte.
A Câmara confirmou a escolha um dia depois.
E Dantas agora assume posição central justamente na Avibras adquirida pelos Batista.
A cronologia completa
A sequência ajuda a dimensionar a operação:
Abril e maio: a Avibras obtém aproximadamente R$ 300 milhões junto a investidores brasileiros para retomar a produção. Joesley Batista está entre os investidores.
12 de maio: imprensa revela que Bruno Dantas avalia deixar o TCU, negocia com a Avibras e já conversou com Davi Alcolumbre sobre sua possível saída.
Maio: Ministério da Defesa credencia a Avibras Aeroco como Empresa Estratégica de Defesa.
24 de julho: Lula visita pessoalmente a fábrica e declara que Forças Armadas e Ministério da Defesa deverão se preparar para realizar as encomendas necessárias.
6 de agosto: Receita Federal habilita a Avibras ao RETID, com benefício fiscal válido até março de 2032.
21 de agosto: Globe Investimentos, dos irmãos Batista, fecha acordo para comprar 100% da controladora da Avibras Aeroco.
28 de agosto: imprensa noticia que Dantas pretende deixar o TCU antes do esforço concentrado do Congresso.
31 de agosto: Bruno Dantas renuncia.
31 de agosto: Alcolumbre apresenta Rodrigo Pacheco para ocupar sua vaga.
1º de setembro: Senado aprova Pacheco por 63 votos a 4.
2 de setembro: Câmara aprova Pacheco por 404 votos a 61.
30 de setembro: Pacheco toma posse como ministro do TCU.
15 de outubro: os irmãos Batista concluem a aquisição de 100% da Avibras e Bruno Dantas é anunciado como presidente executivo do Conselho de Administração.
Relação dos Batista com Lula atravessa décadas
A operação ganha outra dimensão pela história dos irmãos Batista com o poder político brasileiro.
Foi durante os governos petistas que a JBS protagonizou sua gigantesca expansão internacional, respaldada por forte participação da BNDESPar.
Dados do próprio BNDES mostram que a instituição investiu aproximadamente R$ 8,1 bilhões na companhia e em operações posteriormente incorporadas à JBS.
Os recursos participaram da estratégia que transformou uma empresa familiar brasileira em uma das maiores companhias de proteína animal do planeta.
O próprio BNDES registra também que o investimento posteriormente proporcionou retorno financeiro relevante ao banco público, informação que precisa fazer parte do contexto para que a análise não seja confundida com a afirmação de que os aportes representaram necessariamente prejuízo ao Estado.
A relação política, entretanto, atravessou uma ruptura explosiva anos depois.
Em 2017, Joesley e Wesley Batista fecharam acordos de colaboração premiada.
Joesley fez acusações envolvendo Lula, Dilma Rousseff e antigos integrantes dos governos petistas.
As declarações de um delator representam acusações e não podem ser tratadas automaticamente como fatos comprovados ou condenações.
Ainda assim, o episódio colocou os Batista no centro da maior crise política daquele período.
Anos depois, a aproximação institucional voltou.
Em 2023 e 2024, os empresários voltaram a aparecer em compromissos ligados a Lula e ao governo federal.
Em maio de 2024, os irmãos foram recebidos em reunião no Palácio do Planalto com o presidente.
Agora, em 2026, entram em um setor ainda mais dependente da relação com o Estado: a indústria nacional de defesa.
Não é uma fábrica qualquer
A Avibras não pode ser analisada como uma empresa industrial convencional.
Fundada em 1961, desenvolveu tecnologias militares próprias em áreas nas quais poucos países possuem autonomia.
Seu principal símbolo é o sistema de artilharia ASTROS.
A companhia também desenvolve foguetes, mísseis, veículos especiais, sistemas de lançamento e tecnologias aeroespaciais.
Isso significa que seus controladores passam a comandar patrimônio tecnológico diretamente relacionado à capacidade de defesa do país.
E essa característica cria uma relação inevitável com o poder público.
O Estado define orçamento militar.
O Estado realiza encomendas.
O Estado autoriza determinadas exportações.
O Estado define programas estratégicos.
O Estado concede regimes tributários específicos.
E o Estado pode participar direta ou indiretamente do financiamento de projetos de grande porte.
Por isso, quem controla a Avibras passa também a administrar um negócio cujo valor futuro depende, em boa medida, de decisões tomadas em Brasília.
Por que importa
A aquisição pode ser positiva para a indústria brasileira.
Depois de anos de crise, a Avibras precisa de capital, gestão, escala e acesso a novos mercados.
A manutenção de uma fabricante nacional de sistemas militares reduz a dependência tecnológica externa e preserva engenheiros, técnicos, propriedade intelectual e capacidade produtiva acumulada ao longo de décadas.
Para os Batista, porém, o negócio também oferece enorme potencial.
Eles assumem uma empresa tecnologicamente rara justamente depois de sua retomada operacional, do reconhecimento como Empresa Estratégica de Defesa, da obtenção de benefício tributário e de uma sinalização presidencial sobre futuras encomendas.
E colocam no comando de seu conselho um ex-presidente do TCU com décadas de experiência e profundo conhecimento sobre o funcionamento do Estado brasileiro.
É essa combinação — e não uma acusação antecipada de ilegalidade — que exige escrutínio.
Quem ganha e quem assume o risco
Os irmãos Batista ganham acesso a um setor com altas barreiras de entrada, tecnologia difícil de reproduzir e demanda crescente diante da expansão mundial dos gastos militares.
A Avibras ganha controladores capitalizados capazes de financiar sua recuperação e buscar contratos internacionais.
Mas existe também o outro lado.
O contribuinte precisa saber em que condições futuras encomendas, incentivos, financiamentos e benefícios públicos serão concedidos à companhia.
Os órgãos de controle precisarão acompanhar contratos envolvendo uma empresa cujo conselho agora será comandado justamente por um ex-presidente do TCU.
E a sociedade precisa conhecer com transparência qualquer decisão pública capaz de aumentar o valor econômico do ativo adquirido pelos Batista.
A compra termina; a fiscalização deveria começar
A aquisição da Avibras não encerra a história.
Ela inaugura uma nova fase.
A Globe afirma que as exportações serão o principal vetor de crescimento da empresa, o que pode reduzir sua dependência do mercado interno.
Mesmo assim, poucos setores são tão vinculados ao Estado quanto a indústria de defesa.
O verdadeiro teste virá daqui para frente.
Quais encomendas serão feitas pelas Forças Armadas?
Quais contratos serão assinados?
Haverá financiamento público?
Quais incentivos adicionais poderão ser concedidos?
Como serão tratadas futuras decisões envolvendo a empresa dentro do governo?
E quais mecanismos de transparência serão adotados para afastar qualquer dúvida sobre conflitos entre relações políticas, decisões públicas e interesses privados?
Joesley e Wesley Batista agora controlam uma das empresas tecnologicamente mais sensíveis do Brasil.
Bruno Dantas, até poucas semanas atrás ministro de uma das principais instituições fiscalizadoras do Estado, passa a ocupar o comando de seu conselho.
E o governo federal permanece como ator fundamental para o futuro econômico da companhia.
Não há prova de irregularidade na operação. Mas há dinheiro, poder político, defesa nacional e decisões públicas suficientes envolvidos para que cada próximo movimento seja acompanhado de perto.



