Argentina dá salto raro em rating após ajuste brutal de Milei — começa a superar o Brasil na visão do investidor

A agência de classificação de risco Fitch Ratings elevou a nota soberana da Argentina de “CCC+” para “B-”, com perspectiva estável, devido a política de Milei. Em um movimento que recoloca o país no radar de investidores globais após anos de deterioração fiscal, inflação descontrolada e sucessivas crises cambiais.

A melhora do rating acontece após o governo de Javier Milei implementar um dos programas de ajuste econômico mais agressivos da história recente da América Latina, baseado em:

  • forte corte de gastos públicos;
  • ajuste fiscal acelerado;
  • contenção monetária;
  • redução de subsídios;
  • recomposição gradual das reservas internacionais.

Os títulos da dívida argentina em dólar avançaram após o anúncio e atingiram os maiores níveis desde 2019, refletindo melhora na percepção de risco do mercado internacional, após anos de gestão esquerdista.

O que significa a nota “B-” da Argentina

Na prática, a nova classificação ainda coloca a Argentina em território altamente especulativo.

A escala de rating soberano funciona como um termômetro da capacidade de um país honrar suas dívidas.

De forma simplificada:

  • grau de investimento = risco considerado baixo;
  • categoria “B” = alto risco;
  • “CCC” = risco extremamente elevado;
  • “D” = default/calote.

Ou seja:
a melhora para “B-” reduz o temor imediato de ruptura financeira, mas o mercado ainda trata a dívida argentina como um ativo de risco elevado.

Por que a Fitch melhorou a nota da Argentina

Segundo a agência, quatro fatores principais sustentaram o upgrade.

1. Ajuste fiscal acima do esperado

A Fitch afirma que o governo Milei conseguiu produzir melhorias estruturais nas contas públicas em velocidade superior à projetada pelo mercado.

Isso é particularmente relevante porque a Argentina passou décadas operando com:

ACESSE O CANAL EXCLUSIVO INVESTIDORES BRASIL
  • déficits persistentes;
  • expansão monetária;
  • inflação crônica;
  • perda contínua de credibilidade fiscal.

A avaliação da agência é que o atual governo demonstrou disposição política para sustentar medidas impopulares de austeridade.

2. Melhor posição externa

Outro ponto destacado pela Fitch foi a transformação gradual da Argentina em exportadora líquida de energia.

Projetos ligados ao polo de Vaca Muerta aumentaram a capacidade de geração de dólares via exportações de gás e petróleo.

Isso ajuda o país a:

  • reduzir pressão cambial;
  • aumentar entrada estrutural de moeda forte;
  • diminuir dependência de financiamento externo.

Para economias emergentes frágeis, geração consistente de dólares costuma ser um dos pilares centrais de estabilidade.

VEJA: Ypê derruba suspensão da Anvisa após reação nas redes e questionamentos…

3. Acúmulo de reservas internacionais

A Fitch também destacou a mudança de postura do governo Milei após as eleições, priorizando a recomposição das reservas cambiais.

Segundo a agência, a meta oficial envolve compras entre US$ 10 bilhões e US$ 17 bilhões em moeda estrangeira neste ano.

A expectativa é que as reservas líquidas cresçam cerca de US$ 8 bilhões em 2026, em linha com metas negociadas junto ao Fundo Monetário Internacional.

Esse ponto é crítico porque a escassez de dólares sempre esteve no centro das crises argentinas.

4. Menor percepção de risco de curto prazo

A Fitch avalia que o governo Milei deverá conseguir financiamento suficiente para administrar os vencimentos da dívida soberana no curto prazo.

Isso reduz — temporariamente — o risco de uma nova reestruturação agressiva da dívida pública.

Por que os títulos argentinos dispararam

A alta dos bonds argentinos após o upgrade ocorre porque preço e risco caminham em direções opostas no mercado de renda fixa soberana.

Quando investidores acreditam que:

  • o risco de calote caiu;
  • o governo ganhou credibilidade;
  • as reservas melhoraram;
  • o ajuste fiscal está funcionando;

os títulos antigos passam a valer mais.

Na prática, o mercado começa a exigir prêmio menor para financiar o país.

Esse movimento é conhecido como compressão de risco-país.

Mesmo assim, os títulos argentinos continuam negociando com retornos elevados em comparação a países considerados mais seguros, justamente porque o histórico da Argentina ainda pesa fortemente na percepção global.

javier milei economista do ano
Milei recebe reconhecimento pela economia da Argentina. Imagem: Rede Social oficial de Milei

O problema que continua no radar

Apesar do upgrade, a própria Fitch fez questão de alertar que a posição de liquidez da Argentina “permanece fraca”.

A agência afirma que, quando são considerados:

  • swaps cambiais;
  • repos;
  • compulsórios;
  • passivos de curto prazo em moeda estrangeira;

o colchão real de reservas ainda é limitado.

Na prática, isso significa que a Argentina continua vulnerável a:

  • fuga de capital;
  • choque cambial;
  • deterioração política;
  • perda de confiança do mercado.

E esse é exatamente o ponto que muitos relatórios otimistas evitam enfatizar.

O fator político ainda assombra os mercados

A Fitch também alertou que as eleições presidenciais e legislativas de 2027 podem voltar a gerar instabilidade nos ativos argentinos.

O motivo é simples:
o mercado ainda enxerga o ajuste atual como altamente dependente de apoio político e continuidade de Milei.

Se crescer a percepção de reversão das políticas econômicas atuais, o fluxo financeiro pode mudar rapidamente.

A Argentina carrega um histórico vindo dos governos esquerdistas de:

  • moratórias;
  • controle artificial de preços;
  • crises cambiais recorrentes;
  • hiperinflação;
  • destruição de reservas;
  • perda de confiança institucional.

Por isso, confiança continua sendo o ativo mais importante — e mais frágil — da economia argentina.

LEIA: Planos de saúde coletivos sobem quase 10% em 2026 e reajuste supera inflação em mais do dobro

O mercado não está “comprando Argentina” — está comprando assimetria e o Brasil entra no jogo

Parte do mercado já começou a vender a narrativa de “renascimento argentino” após o upgrade da Fitch. Mas o movimento dos bonds não significa necessariamente que investidores enxergam a Argentina como economia segura ou estável no longo prazo.

Na prática, muitos fundos estão comprando:

  • compressão de prêmio de risco;
  • fluxo especulativo;
  • arbitragem de valuation;
  • trade de curto e médio prazo em ativos extremamente descontados.

Isso é diferente de uma tese clássica de segurança institucional.

O próprio histórico recente mostra que países sem grau de investimento continuam atraindo capital quando:

  • juros reais são elevados;
  • ativos estão baratos;
  • existe percepção de melhora marginal;
  • o mercado acredita que o pior já passou temporariamente.

O Brasil é um exemplo disso:
mesmo sem grau de investimento atualmente e com deterioração fiscal no Brasil relevante nos últimos anos, o país segue atraindo fluxo estrangeiro em diferentes ciclos por causa de:

No caso argentino, o racional atual parece muito mais ligado a:

  • reprecificação de um cenário extremamente deteriorado;
  • redução do risco de ruptura imediata;
  • expectativa de continuidade do ajuste fiscal;
  • possibilidade de valorização acelerada dos títulos soberanos.

Ou seja:
o mercado não precisa acreditar que a Argentina “virou Suíça” para ganhar dinheiro com bonds argentinos.

Basta acreditar que:

  • o risco de colapso caiu;
  • o governo consegue atravessar os próximos anos;
  • e os preços anteriores estavam excessivamente pessimistas.

Esse detalhe costuma desaparecer em parte das análises vendidas ao investidor pessoa física, porque a narrativa de “virada estrutural” é muito mais fácil de comercializar do que explicar dinâmica de fluxo, prêmio de risco e operações oportunísticas em mercados emergentes.

VEJA: O guia definitivo dos impostos no Brasil: onde o governo tira..

O que o mercado monitora agora

Os próximos gatilhos para a Argentina serão:

  • velocidade de acumulação de reservas;
  • continuidade do superávit fiscal;
  • desaceleração da inflação;
  • estabilidade política;
  • relação com o FMI;
  • capacidade de refinanciamento da dívida.

Se o governo Milei conseguir manter esses pilares, o país pode continuar reduzindo percepção de risco.

Mas qualquer deterioração política ou cambial ainda pode reacender rapidamente o temor de nova crise soberana.

Acesso exclusivo e gratuito para inscritos

Análises mais aprofundadas sobre o que acontece em períodos eleitorais e como isso afeta a circulação de informação e o ambiente institucional.

  • Leitura crítica de decisões e fatos relevantes
  • Contexto explicado de forma simples
  • Conteúdos fora da distribuição pública do portal
Quero acesso gratuito
Lucas Lopes Lopes
Lucas Lopes Lopes
Jornalista cubro editorias de economia há 10 anos. Especializado em criptoativos e-mail: [email protected]

ÚLTIMAS

Mais Lidas

- Advertisement -

relacionados

- Advertisement -