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Centenas de voluntários do RS em Carta Aberta apontam ausência de agentes públicos nos primeiros dias cruciais da tragédia

Em carta aberta do coletivo de voluntários que atuou no resgate de pessoas e animais no viaduto José Eduardo Utzig, na zona norte de Porto Alegre, tem emocionado leitores pelo Brasil e alertado sobre a ausência de entes públicos em ações emergenciais nos primeiros dias da calamidade, quando o resgate das vítimas era mais urgente.

O documento foi simbolicamente assinado por centenas de pessoas que se uniram por mais de duas semanas para salvar milhares de vidas no Rio Grande do Sul, durante a pior tragédia climática enfrentada pelo estado.

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Na carta, o grupo optou por uma abordagem coletiva para descrever detalhadamente tudo o que foi realizado durante os 18 dias, ressaltando o envolvimento de centenas de pessoas de diversos cantos do Brasil que, na maioria dos casos, nem se conheciam.

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O documento destaca a evidente falta de ação, apoio e efetividade de diferentes setores do poder público na retirada de vítimas ilhadas, no salvamento de vidas e na remoção de famílias que perderam tudo nas inundações.

O Rio Grande do Sul conta com mais de 2,3 milhões de atingidos em 469 municípios. Quase 49 mil pessoas ainda estão em alojamentos – número que chegou a ultrapassar 70 mil no início da calamidade – e outras 581 mil permanecem desalojadas. Até o momento, há 169 mortos e 53 pessoas desaparecidas. O documento indica que a catástrofe poderia ter sido ainda mais grave, não fosse a atuação dos voluntários anônimos.

“Acreditamos que se as equipes tivessem tido apoio municipal ou estadual nessas circunstâncias, poderíamos ter acolhido essas pessoas de maneira mais humana e civilizada dentro daquilo que são seus direitos”, avaliou o grupo.

O documento afirma que, apesar de todas as limitações, “foi possível acolher todas as pessoas e famílias que passaram pelo local com o máximo de respeito, carinho e afeto, fazendo com que se sentissem minimamente seguras, apesar de todo o contexto”.

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Mesmo após o término das operações, o grupo de voluntários continua sendo procurado por desabrigados em busca de alimentação, roupas, medicamentos e diversas formas de assistência, principalmente após os novos episódios de alagamentos causados pelas chuvas recentes.

“Algumas [das pessoas atendidas] seguem em contato direto com os voluntários e, após o primeiro atendimento, ainda têm solicitado auxílio para, por exemplo, envio de suprimentos; realocação para novos abrigos; caronas para novos deslocamentos que se fizeram necessários [diante de] alagamento de casa de familiar onde estavam. A situação é complexa e demanda intervenção urgente das autoridades necessárias”, alerta a descrição.

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O coletivo voluntário iniciou as ações no dia 2 de maio e encerrou no dia 19, realizando aproximadamente seis mil atendimentos a pessoas e resgatando três mil animais. “Para receber os deslocados, construímos um circuito de acolhimento com tendas estruturadas e uma série de atividades de auxílio e assistência para as pessoas que foram obrigadas a deixar suas casas”, disse o documento.

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” “Um aprendizado coletivo e orgânico construído por pessoas que, em grande maioria, não se conheciam e não tinham experiência em situações emergenciais”, descreveu a carta, destacando a participação de voluntários de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão e Acre.

Voluntários lamentam falta de apoio governamental
A atuação na zona norte de Porto Alegre, uma região que os voluntários afirmam ser frequentemente desassistida pelo poder público, ocorreu “sem praticamente nenhum apoio governamental” e com doações de “anônimos”, pessoas ou empresas que contribuíram espontaneamente com materiais, equipamentos ou dinheiro.

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“Para dar conta de atender todas as pessoas, muitos voluntários dormiram a maior parte dos dias no chão, embaixo do viaduto. Na última semana foram disponibilizados, com a ajuda de diferentes fontes, quartos em hotéis a baixo custo para os voluntários. Durante esse período, ao menos 100 voluntários trabalharam de forma fixa, e centenas prestaram ajuda de maneira esporádica”, relataram.

O coletivo lembrou que os governos municipal, estadual e federal prestaram serviços de segurança por meio da Brigada Militar, do Comando de Policiamento de Choque em escolta armada em água, além da Polícia Civil, Exército, Força Nacional e Corpo de Bombeiros. “Porém, a organização do processo de resgate e acolhimento se deu pela base de trabalhadoras e trabalhadores voluntários”, observou.

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Somente para os resgates e transportes dos atingidos foram utilizadas 55 embarcações. “As equipes contaram com 144 pessoas voluntárias, sendo que destas, ao menos 63 vieram de fora do Rio Grande do Sul.

O setor de combustível funcionou 24 horas por dia e recebeu, na forma de doação, aproximadamente 30 mil litros de combustível para abastecer as embarcações de voluntários e, em alguns momentos, as embarcações do estado que estavam fazendo escolta na região alagada”, descreveu o documento. A carta também elenca ações em outras frentes.

“A partir do trabalho realizado nestes últimos dias, foi possível o desenvolvimento de site para registro dos atendimentos e encaminhamentos ao longo do período. Não houve qualquer contato de autoridade municipal ou estadual para que fossem prestadas orientações aos voluntários ou combinado como seriam feitos os encaminhamentos destas famílias”, reforçou.


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O coletivo lamentou pelo que chamou de “desmontes das políticas de proteção ambiental, de saúde e de assistência em âmbito municipal, estadual e federal” e destacou que, depois de duas semanas ininterruptas de trabalho, “os voluntários estão exaustos física e psicologicamente e precisam retomar suas vidas e seus respectivos trabalhos”.

“Entendemos que desde o início a responsabilidade de todo o processo de evacuação, resgate e acolhimento deveria ter sido do poder público e das instâncias que o compõem”, disse o documento.

“É imperativo que o poder público se mobilize para o acompanhamento das pessoas afetadas dentro dos parâmetros preconizados nas políticas de saúde mental, reforma psiquiátrica, no sistema único de assistência social e alinhado com as melhores evidências disponíveis para as intervenções relacionadas a emergências e desastres”, ressaltou.

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