Centrão suspende deputados pró-anistia e decisão expõe partidos em ano eleitoral, além de aplicação seletiva de punições na Câmara

Votação com Centrão amplia tensão política ao atingir parlamentares ligados ao 8 de Janeiro, enquanto outros episódios recentes seguem sem sanção equivalente

A suspensão de três deputados federais alinhados à pauta da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro consolidou a força do bloco de centro na Câmara aliados a Hugo Motta, presidente da Câmara, mas também abriu uma nova frente de questionamento: a consistência na aplicação de punições dentro da Casa.

O Conselho de Ética aprovou o afastamento de Marcos Pollon (PL-MS), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) por até 60 dias após a ocupação da Mesa Diretora, em agosto de 2025, em um protesto para pressionar o avanço da anistia.

A suspensão ainda precisa ser analisada pelos deputados no plenário. Os deputados podem recorrer à Comissão de Constituição e Justiça e ao plenário da Casa. A votação foi separada, uma para cada deputado. O placar foi de 13 a 4 a favor do parecer de Rodrigues pela suspensão de Pollon e Van Hattem. Já em relação ao deputado Zé Trovão, o placar foi de 15 a 4.

A punição foi sugerida em razão da ocupação da Mesa Diretora do plenário em agosto de 2025. Na ocasião, deputados pró-anistia ocuparam o local para pressionar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a cumprir promessa feita e pautar o projeto de lei da anistia.

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Como votou cada deputado e partido

Os placares foram amplos:

  • Pollon e Van Hattem: 13 a favor / 4 contra
  • Zé Trovão: 15 a favor / 4 contra

Contra a suspensão:

  • Nikolas Ferreira (PL-MG)
  • Bia Kicis (PL-DF)
  • Delegado Ramagem (PL-RJ)
  • Cabo Gilberto Silva (PL-PB)

A favor da suspensão dos deputados que lutavam pela pauta da Anistia:

  • Ricardo Maia (MDB-BA)
  • Paulo Magalhães (PSD-BA)
  • Leur Lomanto Jr. (União-BA)
  • Orlando Silva (PCdoB-SP)
  • Jack Rocha (PT-ES)
  • Josenildo (PDT-AP)
  • Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ)
  • Washington Quaquá (PT-RJ)
  • Gutemberg Reis (MDB-RJ)
  • Bruno Ganem (Podemos-SP)
  • João Leão (PP-BA)
  • Cezinha de Madureira (PSD-SP)
  • Duda Ramos (MDB-RR)

No caso de Zé Trovão, somaram-se:

  • Julio Arcoverde (PP-PI)
  • Luciano Vieira (Republicanos-RJ)

Interrupção de uma pauta — e de sua representação

Embora formalmente dirigida aos parlamentares, a suspensão produz um efeito mais amplo:

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  • retira temporariamente do plenário vozes eleitas com discurso explícito de contestação ao tratamento dado ao 8 de janeiro
  • reduz a capacidade de pressão institucional sobre a presidência da Câmara
  • esfria, no curto prazo, a tentativa de forçar a votação da anistia

Para aliados dos deputados, trata-se de uma medida que atinge não apenas indivíduos, mas também os eleitores que os levaram ao Congresso com esse mandato político..

Os partidos e deputados que votaram pela punição aos deputados e partidos devem perder o apoio de eleitores favoráveis a anistia, após esta votação.

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Comparações apontam pesos e medidas diferentes na Câmara

A reação à decisão ganhou força especialmente fora do plenário, com ampla repercussão nas redes sociais e entre parlamentares da oposição.

Entre os episódios citados como comparação estão:

  • o caso do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), que realizou um protesto prolongado, incluindo greve de fome e permanência na Mesa Diretora, sem punição equivalente até o momento
  • No mesmo episódio que envolveu os três deputados suspensos, a deputada federal Camila Jara (PT-MS) foi acusada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) de agressão durante um empurra-empurra na Câmara. O mineiro foi ao chão após o empurrão da parlamentar do PT contudo, a Câmara não tomou medidas disciplinares proporcionais até agora.

Esses casos vêm sendo apontados nas redes sociais para sustentar a tese de aplicação desigual das regras internas, dependendo do contexto político.

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O que dizem os deputados

O deputado Zé Trovão classificou a decisão como perseguição, dizendo que tomaria novamente a Mesa:

“E digo mais, se for preciso tomar a Mesa novamente, em algum momento da história, para defender quem me elegeu, assim eu o farei.”

Já o deputado Marcos Pollon destacou que nunca teria quebrado o decoro durante seu mandato.

“Sempre mantive um debate de alto nível. Só que a humanidade grita mais alto para quem tem sangue correndo nas veias. O grau de injustiça que nós estamos vendo no nosso país é absurdo”, lamentou.

Por sua vez, o deputado Marcel van Hattem destacou que o motim no plenário da Câmara teria sido uma manifestação pacífica.

“Assim como foi feito no Senado – Senador Girão, Senador Sergio Moro esteve aqui conosco dando solidariedade também –, onde nada aconteceu. Nós vimos lá, sim, bom senso, respeito à democracia, respeito à oposição. Aqui nós estamos vendo a mais pura e simples perseguição”, destacou em sua defesa.

Efeito político imediato

Independentemente da interpretação, o efeito concreto é claro:

  • três parlamentares ativos em uma pauta específica ficam afastados por até 60 dias
  • a pressão direta pela anistia perde intensidade dentro do plenário
  • o tema volta a depender exclusivamente da decisão da presidência da Câmara

Linha de fundo

A votação resolve o episódio no curto prazo, mas deixa uma questão aberta no médio:

A previsibilidade das regras internas da Câmara está sendo questionada.

Se a percepção de aplicação desigual ganhar força, o risco político deixa de ser apenas disciplinar e passa a ser institucional — afetando a confiança entre bancadas e elevando o custo de conflitos futuros.

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Regiane Alves
Regiane Alveshttp://www.investidoresbrasil.com.br
Estrategista focada em proteger o investidor pessoa física dos conflitos de interesse dos grandes bancos e corretoras. Jornalista com formação em Ciências Contábeis e especialização em Mercado de Capitais. Especialista em Criptomoedas e Blockchain pela Universidade de Nicósia

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