O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, formalizou pedido à Polícia Federal para prestar novo depoimento no inquérito que investiga irregularidades no chamado caso Master.
O movimento ocorre dias após a mudança de relatoria do processo no Supremo Tribunal Federal, que deixou o gabinete do ministro Dias Toffoli após criticas sobre suas relações com investigados e passou para o ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal.
A coincidência temporal é vista nos bastidores jurídicos como um fator relevante para a dinâmica do caso.
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Mudança de relatoria: impacto institucional
A substituição do relator altera o eixo decisório do processo no STF.
Enquanto Dias Toffoli conduzia fases anteriores do inquérito — incluindo decisões sobre cronogramas de depoimentos e medidas de investigação — a redistribuição para André Mendonça cria um novo ambiente processual.
Nos meios jurídicos, a leitura é de que Mendonça é percebido como um magistrado com menor grau de conexão institucional prévia com os fatos investigados, o que pode conferir ao processo uma percepção ampliada de imparcialidade.
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Essa mudança ocorre em momento sensível: o inquérito apura a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, operação que teria girado em torno de R$ 2 bilhões e que passou a ser questionada após suspeitas envolvendo carteiras de crédito, lastro contábil e governança.
O pedido de novo depoimento
Segundo a defesa de Paulo Henrique Costa, o pedido à PF tem como objetivo:
- Complementar informações já prestadas;
- Esclarecer eventuais contradições surgidas em acareações;
- Entregar documentos adicionais.
Oficialmente, não há confirmação de negociação de acordo de colaboração premiada. No entanto, no contexto de uma investigação complexa envolvendo gestão bancária, risco sistêmico e possível responsabilidade de administradores, um novo depoimento pode redefinir a narrativa probatória.
Contexto regulatório e risco sistêmico
O caso Master ganhou dimensão nacional após medidas do Banco Central envolvendo instituições ligadas ao grupo investigado. A apuração envolve possíveis inconsistências em ativos financeiros, negociações de carteiras e questionamentos sobre diligência na análise de risco.
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Para o mercado, o caso transcende a esfera penal:
- Envolve governança bancária;
- Toca em compliance e supervisão prudencial;
- Levanta debate sobre responsabilidade fiduciária de executivos de bancos públicos.
A mudança de relator no STF adiciona uma variável jurídica relevante, especialmente em processos com impacto institucional e político.
Timing estratégico?
Embora não haja declaração oficial conectando diretamente o pedido de novo depoimento à troca de relatoria, o intervalo curto entre os dois eventos inevitavelmente levanta questionamentos.
Em investigações dessa magnitude, timing processual é variável estratégica. Mudanças na condução judicial podem alterar:
- Interpretação de medidas cautelares;
- Ritmo de diligências;
- Avaliação de pedidos de colaboração;
- Eventual desdobramento em ações penais.
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O que pode acontecer agora
Os próximos passos dependem de:
- Aceitação formal do novo depoimento pela PF;
- Eventuais novas diligências decorrentes;
- Decisões do novo relator no STF sobre sigilo, prazos e eventuais medidas cautelares.
O caso segue sob investigação, e a combinação entre nova relatoria e novo depoimento voluntário pode marcar uma inflexão na condução do processo.


