O início do pagamento das garantias do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aos investidores do Banco Master criou uma rara e imediata oportunidade de liquidez no mercado financeiro brasileiro. Corretoras e bancos se movimentaram para realocar até R$ 40,6 bilhões que voltam às contas dos credores, em um movimento que já está redesenhando ofertas de curto prazo e estratégias de captação.
O que aconteceu e por que importa: O que investidores devem avaliar antes de reinvestir o ressarcimento do Master
- Fluxo de recursos: com o ressarcimento do FGC, investidores receberam valores que precisam ser reinvestidos ou estacionados temporariamente. Esse fluxo gerou uma disputa entre grandes distribuidores de CDBs para reter o capital.
- Ação das instituições: a XP, que liderou a distribuição dos papéis do Master com cerca de R$ 26 bilhões, lançou um CDB próprio com taxa prefixada de 15,2% ao ano para captar parte desse dinheiro. O BTG Pactual, que distribuiu R$ 6,7 bilhões, respondeu com um CDB prefixado a 15% ao ano, também de curtíssimo prazo.
- Mecanismo de mercado: produtos de curtíssimo prazo funcionam como “estacionamento” temporário de capital, permitindo às instituições transformar um fluxo pontual em relacionamento de médio prazo com novos ou antigos clientes. O investimento de curto prazo quanto reinvestido gera nova comissão.
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Bancos e corretoras lucraram muito com o Master querem nova roda de ganhos
Corretoras e bancos normalmente recebem comissões na faixa de 0,1% a 1% do volume distribuído em operações de CDB de varejo; aplicada ao fluxo de R$ 40,6 bilhões do ressarcimento do FGC ao Banco Master, isso equivale a R$ 40,6 milhões a R$ 406 milhões em comissões — cenários extremos e promocionais podem elevar esse total até cerca de R$ 800 milhões.
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Há relatos e ações que apontam comissões muito elevadas na distribuição dos CDBs do Banco Master que já geraram ações judiciais — há menções públicas a valores bilionários e investigações sobre práticas comerciais; uma comissão de 5% sobre o volume ressarcido (R$ 40,6 bilhões) equivaleria a cerca de R$ 2,03 bilhões, cifra excepcional e plausível apenas em cenários atípicos. Fontes jornalísticas já registraram ações e críticas contra XP, BTG e outras plataformas pela forma de distribuição, que lesou muitos clientes com falta de detalhamento do risco visto que só pensaram na comissão.
Premissas e contexto
- O que paga a comissão: as instituições pagam retrocessões e comissões a distribuidoras, plataformas e assessores para colocar CDBs junto a investidores; a prática ganhou atenção regulatória e pedidos de transparência.
- Volume base usado: R$ 40,6 bilhões (valor do ressarcimento do FGC ao Banco Master) conforme a cobertura do episódio.
- Por que há variação: depende de canal (plataforma digital vs. assessor pessoa a pessoa), urgência da captação, taxa oferecida ao cliente e acordos comerciais entre emissor e distribuidor.
Impactos para investidores e recomendações práticas
- Risco versus retorno: taxas elevadas de curto prazo podem ser atraentes, mas o investidor deve avaliar liquidez, risco do emissor e alternativas sem risco, como títulos públicos.
- Due diligence: verifique rating, solidez da instituição emissora e condições de resgate; entenda se a oferta é promocional para captação rápida ou parte de estratégia sustentável.
- Diversificação: não concentre todo o capital ressarcido em um único produto; considere prazos escalonados e instrumentos com proteção de capital.
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Consequências para o mercado financeiro:: Como o ressarcimento do FGC mudou a dinâmica de captação de curto prazo
- Concorrência entre distribuidores: a realocação de R$ 40,6 bilhões intensifica competição entre corretoras e bancos, pressionando margens e estimulando ofertas agressivas.
- Sinal para o sistema financeiro: episódios como esse testam a capacidade do mercado de absorver liquidez extraordinária sem gerar bolhas de curto prazo ou distorções de preços.
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O pagamento das garantias do FGC aos investidores do Banco Master abriu uma janela de oportunidade e risco: instituições como XP e BTG reagiram rapidamente com CDBs de curtíssimo prazo para capturar recursos, oferecendo taxas elevadas e criando uma disputa bilionária pela realocação do capital. Para investidores, o momento exige cautela, análise de risco e diversificação; para o mercado, é um teste de liquidez e eficiência na alocação de recursos.








