A farra do Banco Master: Senado recusa tornar público como determina a Lei, registros de entrada da esposa de Moraes

O Senado Federal negou acesso aos registros de entrada e saída da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, em suas dependências. A recusa ocorreu após solicitação via Lei de Acesso à Informação (LAI), sob a justificativa de que os dados seriam de caráter pessoal, protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e pelo decreto que regulamenta a LAI desde 2012.

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O contrato milionário com o Banco Master

Em janeiro de 2024, Viviane fechou um contrato de R$ 130 milhões com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, prevendo atuação junto a diversos órgãos da República, inclusive o Legislativo, para “acompanhamento de projetos de lei de interesse” da instituição. O acordo estabelecia pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões durante três anos, totalizando o valor milionário até 2027, ano em que Moraes assumirá a presidência do STF pelo rodízio interno da Corte.

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Críticas à decisão do Senado

Especialistas em transparência pública classificaram a decisão como um desrespeito às diretrizes da LAI.

  • O procurador de Justiça Roberto Livianu, presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, afirmou que a justificativa é “totalmente absurda”, já que não se trata de dado íntimo, mas de informação sobre presença em prédio público.
  • Para o professor Fabiano Angélico, da Universidade de Lugano, a resposta do Senado representa “completo desrespeito” ao princípio da publicidade.

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Contexto político e a “emenda Master”

Desde que o contrato entrou em vigor, diversas iniciativas de interesse do Banco Master tramitaram no Senado:

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  • Em agosto de 2024, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) apresentou uma emenda à PEC da autonomia do Banco Central, ampliando a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A proposta ficou conhecida como “emenda Master”.
  • O senador Plínio Valério (PSDB-AM) rejeitou a emenda, mas nos bastidores, aliados de Vorcaro atuaram para barrar a criação de uma CPI do Master.
  • O senador Izalci Lucas (PL-DF) chegou a pedir a instalação da CPI, mas retirou sua assinatura alegando risco de instabilidade no mercado financeiro.

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Falta de transparência em outros órgãos

Pedidos semelhantes foram enviados pelo blog de Malu Gaspar ao Banco Central, Receita Federal, Cade e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Todos responderam, mas informaram desconhecer qualquer atuação de Viviane Barci nesses órgãos.

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Repercussão

A recusa do Senado reforça críticas sobre opacidade institucional e alimenta suspeitas de favorecimento político em torno do caso Master. O episódio soma-se às pressões por maior transparência nas relações entre autoridades e instituições financeiras, especialmente diante da investigação da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades bilionárias ligadas ao banco.

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O caso expõe a tensão entre transparência pública e proteção de dados pessoais, além de levantar questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo familiares de ministros do STF e contratos milionários com instituições financeiras. A recusa do Senado em fornecer informações básicas sobre acesso às suas dependências reforça a percepção de blindagem política em torno do escândalo do Banco Master.

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Regiane Alves
Regiane Alveshttp://www.investidoresbrasil.com.br
Estrategista focada em proteger o investidor pessoa física dos conflitos de interesse dos grandes bancos e corretoras. Jornalista com formação em Ciências Contábeis e especialização em Mercado de Capitais. Especialista em Criptomoedas e Blockchain pela Universidade de Nicósia
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