PT aparece em segundo lugar, com R$ 2,8 milhões; juntos, governo Lula e partido somam mais de R$ 25 milhões em publicidade no Facebook e no Instagram em menos de três meses
- O governo federal foi o maior anunciante do Brasil na Meta (Facebook, Instagram e WhatsApp) entre 3 de abril e 1º de julho de 2026, com R$ 22,5 milhões investidos em publicidade.
- O PT ficou em segundo lugar no ranking geral, com R$ 2,8 milhões.
- Somados, governo e partido ultrapassam R$ 25 milhões em anúncios no período.
- O gasto é 35 vezes maior do que o valor investido pelo governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que aparece em 7º lugar com R$ 623 mil.
- O governo de São Paulo investiu R$ 537 mil no mesmo período, ocupando a 10ª posição do ranking.
- Os dados constam do relatório público da Biblioteca de Anúncios da Meta.
Quanto o governo e o PT gastaram em anúncios na Meta?
Segundo o relatório da Biblioteca de Anúncios da Meta, referente ao período entre 3 de abril e 1º de julho de 2026, o governo federal gastou R$ 22,5 milhões em publicidade nas plataformas da empresa — Facebook, Instagram e WhatsApp —, ocupando a primeira posição entre todos os anunciantes do país. O PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aparece na sequência, com R$ 2,8 milhões, segundo maior valor do ranking nacional no período.
Juntos, governo Lula e partido somam mais de R$ 25 milhões em anúncios pagos na plataforma em menos de três meses — um volume que coloca as duas frentes ligadas ao presidente lado a lado no topo da lista de investidores em publicidade digital no país, em plena disputa pelo ano eleitoral de 2026.
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O tamanho da diferença em relação aos adversários
O levantamento também expõe a distância entre o volume de publicidade do Palácio do Planalto e o de outros players políticos relevantes no cenário eleitoral:
| Anunciante | Posição no ranking | Valor investido (3/abr a 1º/jul/2026) |
|---|---|---|
| Governo Federal | 1º | R$ 22,5 milhões |
| PT | 2º | R$ 2,8 milhões |
| Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) | 7º | R$ 623 mil |
| Governo do Estado de São Paulo | 10º | R$ 537 mil |
Diferença entre gasto de Lula e Bolsonaro em ano eleitoral gráfico abaixo:

Contexto: uma escalada que vem de 2025
O gasto atual não é um fato isolado. Levantamentos anteriores já vinham mostrando o crescimento acelerado da publicidade digital paga pelo Executivo federal:
- Em 2025, o governo federal desembolsou cerca de R$ 533 milhões com publicidade em órgãos e ministérios, e Google e Meta se consolidaram como os principais destinos dos recursos digitais, concentrando cerca de 78% do total investido pelo Planalto em anúncios online.
- Ainda em 2025, apenas no mês de janeiro, a Secom destinou R$ 1,1 milhão a anúncios na Meta.
- A fatia da internet no orçamento publicitário federal saltou de cerca de 20% para mais de 30% do total em um único ano, e Google e Meta superaram, pela primeira vez, emissoras como SBT e Band no ranking de veículos mais beneficiados pela verba oficial.
- Para efeito de comparação histórica, o pico anterior de publicidade digital com big techs havia sido em 2023, quando o governo gastou R$ 76 milhões — contra R$ 38 milhões pagos por Jair Bolsonaro em 2022, ano de sua tentativa de reeleição.
- Já em 2026, ano eleitoral, o Executivo empenhou R$ 520 milhões em verba de publicidade só no primeiro semestre — mais do que o dobro do valor usado por Bolsonaro no mesmo período de 2022.
A virada na estratégia de comunicação coincide com a chegada de Sidônio Palmeira à Secretaria de Comunicação Social (Secom), em janeiro de 2025 — mudança que trouxe um modelo mais digital e personalizado de divulgação de políticas públicas.
Lula 2026 x Bolsonaro 2022 — o gasto no mesmo momento do ano eleitoral
Comparando o 1º semestre de cada ano de disputa presidencial
| Indicador | Bolsonaro — 1º sem. 2022 | Lula — 1º sem. 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Verba total de publicidade oficial | R$ 213,5 milhões | R$ 520 milhões | +143% (mais que o dobro) |
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Por que o recorte do semestre é o mais relevante: o teto de gastos com publicidade institucional em ano eleitoral é calculado justamente sobre a média do primeiro semestre, período em que a lei ainda permite ampla divulgação institucional antes do início do chamado “defeso” eleitoral. É esse recorte — R$ 520 milhões contra R$ 213,5 milhões — que embasa os pedidos de partidos de oposição para suspensão de campanhas do governo no TSE.
O que diz a legislação sobre publicidade oficial em ano eleitoral
A publicidade institucional do governo é permitida por lei, desde que se limite à divulgação de atos, programas, obras e serviços públicos — vedada a promoção pessoal de autoridades. Em anos eleitorais, porém, a Justiça Eleitoral impõe regras adicionais, como o chamado período de “defeso”, quando campanhas publicitárias do governo ficam restritas.
O volume de gastos já gerou disputas judiciais em 2026: partidos de oposição pediram ao TSE a suspensão de campanhas do governo sob a alegação de que o teto de gastos com publicidade — calculado pela média mensal dos anos anteriores à eleição — teria sido ultrapassado no primeiro semestre. A Justiça Federal também determinou, em ao menos um caso, a suspensão específica de uma campanha institucional após provocação de parlamentares de oposição.
Por que isso importa para o mercado e para o investidor
Do ponto de vista econômico, o episódio tem duas leituras relevantes:
- Receita para as big techs: o governo brasileiro é hoje um dos maiores clientes institucionais de Meta e Google no país, o que reforça a relevância do mercado publicitário digital brasileiro dentro do balanço global dessas empresas — ainda que o volume federal seja pequeno frente à receita total das plataformas.
- Uso do orçamento público: o crescimento da verba de publicidade oficial em ano eleitoral reacende o debate sobre transparência na execução orçamentária, critérios de distribuição de verba entre veículos e o real custo-benefício da comunicação institucional para o contribuinte.
Perguntas frequentes
Quanto o governo federal na gestão Lula gastou em anúncios na Meta em 2026?
De acordo com a Biblioteca de Anúncios da Meta, o governo federal investiu R$ 22,5 milhões em publicidade no Facebook, Instagram e WhatsApp entre 3 de abril e 1º de julho de 2026, sendo o maior anunciante do país no período.
Quanto o PT gastou em anúncios no mesmo período?
O PT gastou R$ 2,8 milhões em publicidade na Meta no mesmo intervalo, ficando em segundo lugar no ranking nacional de anunciantes.
É legal o governo gastar dinheiro público com anúncios em ano eleitoral?
A publicidade institucional é permitida por lei quando se refere à divulgação de programas, serviços e obras públicas, mas está sujeita a um teto de gastos em anos eleitorais e não pode ter caráter de promoção pessoal. O volume de recursos usados em 2026 já é alvo de contestação de partidos de oposição no TSE. Principalmente pelo governo já ter cortado verbas em áreas essenciais com o monitoramento das fronteiras do Brasil.
Onde consultar os dados de gastos com anúncios na Meta?
Os valores são públicos e podem ser consultados diretamente na Biblioteca de Anúncios da Meta (facebook.com/ads/library/report).
Como o gasto do 1º semestre de 2026 se compara ao mesmo período do último ano eleitoral de Bolsonaro?
No primeiro semestre de 2022 — ano da disputa entre Lula e Bolsonaro —, o governo federal empenhou R$ 213,5 milhões em verba de publicidade oficial. No primeiro semestre de 2026, esse valor chegou a R$ 520 milhões, mais que o dobro, no mesmo tipo de recorte (janeiro a junho de cada ano eleitoral).
Matéria produzida com base em dados públicos e relatórios de imprensa. Números sujeitos a atualização, já que a Meta atualiza seu relatório periodicamente.



