O número mais repetido sobre as contas públicas não é o mais importante — e isso distorce completamente a percepção de risco no Brasil. A gestão Lula com o rombo atual tenta ignorar este número.
Enquanto o debate público gira em torno do resultado primário, o dado que realmente define o rumo da economia avançou silenciosamente: o déficit nominal do setor público atingiu R$ 1,09 trilhão em 12 meses até fevereiro, segundo o Banco Central.
Tradução direta: é esse número — e não o primário — que determina juros, dívida e risco país.
O que é déficit nominal?
Déficit nominal é o resultado das contas públicas incluindo os juros da dívida. Ele mostra quanto o governo realmente precisa se financiar no mercado e é o principal indicador de impacto sobre juros, dívida e risco país.
O déficit nominal do setor público consolidado –formado por União, Estados, municípios e estatais– foi de R$ 1,089 trilhão no acumulado de 12 meses até fevereiro. O rombo fiscal anualizado do país atingiu o seu maior valor desde novembro de 2024, quando foi de R$ 1,111 trilhão.
O Banco Central divulgou o relatório “Estatísticas Fiscais” nesta terça-feira, 31.
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O indicador que a gestão Lula evita enfatizar
A gestão Lula apresentou o rombo durante todo o terceiro mandato, ao contrário da gestão anterior de Jair Bolsonaro, que mesmo com a maior Pandemia do mundo o Covid-19, conseguiu apresentar períodos de superávit, ou seja sobras financeiras. Lula sem nenhum tipo de crise, com grande elevação de impostos e o maior juro da história do Brasil apresentou apenas déficit ou melhor, rombo mesmo com recorde de arrecadação de impostos.
O déficit nominal mede o resultado completo das contas públicas:
- inclui receitas e despesas
- inclui juros da dívida
Já o resultado primário ignora justamente o maior custo do Estado.
Na prática:
o primário mostra esforço fiscal
o nominal mostra a realidade financeira
E hoje, a realidade é clara:
→ o Brasil precisa se financiar em mais de R$ 1 trilhão por ano
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Por que esse número muda completamente o cenário
Esse nível de déficit indica três mudanças estruturais:
1) O país com Lula entrou em um regime de déficit permanente
Não se trata mais de exceção.
- anos consecutivos acima de R$ 1 trilhão
- ausência de reversão consistente
- dependência contínua de financiamento
2) A dívida cresce por inércia
Mesmo sem novos programas:
- juros elevados aumentam o estoque
- rolagem fica mais cara
- efeito bola de neve se intensifica
3) O fiscal limita o crescimento
Com déficit alto:
- juros não caem com facilidade
- crédito permanece caro
- investimento desacelera
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Quem ganha e quem perde com esse cenário na gestão Lula
Esse é o ponto que raramente aparece de forma explícita:
🟢 Quem ganha
- Bancos e grandes instituições financeiras → lucram com juros elevados e spread
- Tesouro → arrecada mais com base inflada por juros
- Investidores bem posicionados em renda fixa → capturam taxas altas
🔴 Quem perde
- Pequeno investidor desinformado → perde poder de compra e timing
- Empresas dependentes de crédito → enfrentam custo elevado
- Economia real os brasileiros como um todo → crescimento travado, pagam muito imposto e não recebem nenhum retorno
O efeito não é neutro — ele redistribui renda silenciosamente.
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O verdadeiro risco (que ainda não está na manchete)
O problema não é o rombo atual — é a trajetória na gestão Lula
O ponto crítico acontece quando:
- a dívida cresce mais rápido que o PIB
- o mercado exige prêmio maior para financiar o governo
- ou a confiança fiscal começa a deteriorar
Esse gatilho ainda não foi acionado de forma abrupta — mas o movimento já está em curso.
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Efeito direto: pressão contínua sobre juros e dívida
O déficit nominal elevado gera um ciclo difícil de quebrar:
- Governo se endivida mais
- Mercado exige juros maiores para brasileiros
- Custo da dívida sobe
- Déficit aumenta ainda mais
→ um loop fiscal clássico
O detalhe que muda a leitura do investidor
Focar apenas no resultado primário cria uma falsa sensação de controle.
O mercado, no entanto, olha para outro lugar:
capacidade real de pagamento
dinâmica da dívida
custo de financiamento
E todos esses vetores hoje apontam para:
→ pressão estrutural, não pontual, não tem mais de onde aumentar arrecadação, brasileiros estão saturados de impostos.
O déficit de R$ 1,09 trilhão não é apenas um número elevado — ele expõe uma distorção central na leitura das contas públicas:
- o indicador mais divulgado não é o mais relevante
- o custo da dívida domina o cenário fiscal
- e a trajetória segue pressionando juros, crédito e crescimento
Ignorar o déficit nominal é ignorar o principal termômetro de risco da economia brasileira.








