Levantamento ouviu 2 mil eleitores entre 10 e 13 de setembro e mostra percepção crítica sobre a atuação de Alexandre de Moraes em meio à crise envolvendo o STF e as investigações do Banco Master
Uma pesquisa Indexa/Broadcast mostra que 45% dos eleitores entrevistados consideram que Alexandre de Moraes toma decisões no Supremo Tribunal Federal (STF) principalmente com base em critérios políticos. No mesmo levantamento, 46% apontam o ministro como o principal responsável pela crise na Corte, enquanto 77% são favoráveis à abertura de processo de impeachment contra ministros envolvidos no episódio, considerando a soma dos que se dizem totalmente a favor e dos que são mais a favor do que contra.
O levantamento foi realizado por telefone com 2.000 eleitores entre 10 e 13 de setembro de 2026, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03482/2026.
Os três números que concentram a percepção sobre Moraes
Os resultados colocam Alexandre de Moraes no centro da percepção dos entrevistados sobre a atual crise do Supremo.
São três perguntas diferentes do levantamento:
- 45% dizem que Moraes decide principalmente por critérios políticos;
- 46% apontam Moraes como principal responsável pela crise no STF;
- 77% são favoráveis à abertura de impeachment contra ministros envolvidos na crise.
Os números não significam que 77% dos entrevistados tenham apontado especificamente Moraes para impeachment. A pergunta sobre impeachment foi formulada de maneira geral, referindo-se a ministros envolvidos na crise. Essa distinção é importante para interpretar corretamente o resultado.
45% atribuem a Moraes decisões baseadas principalmente em critérios políticos
Quando questionados sobre os critérios utilizados por Alexandre de Moraes em suas decisões no STF, 45% responderam que predominam critérios políticos.
Outros 24% entendem que o ministro combina critérios políticos com critérios técnicos e jurídicos.
Já 16% consideram que as decisões são baseadas principalmente em critérios técnicos e jurídicos.
Outros 11% disseram não conhecer o assunto o suficiente para avaliar, enquanto 4% não souberam ou não responderam.
Esse resultado mede percepção dos entrevistados, e não constitui uma perícia sobre a fundamentação jurídica das decisões do ministro. A pesquisa não demonstra, por si só, qual foi efetivamente o fundamento jurídico ou político de cada decisão.
46% apontam Moraes como principal responsável pela crise no STF
Em outra pergunta, o levantamento pediu aos entrevistados que acompanham o tema que identificassem quem consideram o principal responsável pela crise no Supremo.
Alexandre de Moraes aparece com 46%, mais do que qualquer outro ministro citado.
Na sequência aparecem:
- André Mendonça: 16%
- Dias Toffoli: 6%
- Flávio Dino: 4%
- Edson Fachin: 3%
- Outro ministro: 2%
- Não conhece o assunto o suficiente: 10%
- Não há crise: 5%
- Nenhum ministro: 5%
- Não sabe ou não respondeu: 3%
O dado é diferente da pergunta sobre os critérios das decisões: aqui, o entrevistado não está avaliando se uma decisão foi jurídica ou política, mas atribuindo responsabilidade pela crise mencionada no levantamento.
O caso Banco Master está no centro da crise pesquisada
A pesquisa foi realizada em um momento de forte disputa dentro do STF em torno dos desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master.
Segundo a divulgação do levantamento, o caso envolve divergências entre ministros da Corte e questionamentos relacionados a informações e provas produzidas no curso das investigações.
Um relatório da Polícia Federal compartilhado com André Mendonça e posteriormente revelado pelo Estadão apontou mensagens envolvendo Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Moraes negou os contatos apontados e classificou o relatório como uma “farsa”. Mendonça defendeu a legalidade das medidas adotadas no caso.
O episódio passou a envolver também discussões sobre vazamentos, acesso a informações e a possibilidade de investigação de integrante do próprio Supremo.
Em 15 de setembro, uma sessão destinada a analisar a possibilidade de investigação envolvendo Moraes terminou sem conclusão após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
77% são favoráveis ao impeachment de ministros
A pesquisa também perguntou sobre a abertura de processo de impeachment contra ministros do STF.
68% afirmaram ser totalmente favoráveis à medida.
Outros 9% disseram ser mais favoráveis do que contrários.
Somadas, essas duas respostas representam 77% dos entrevistados.
No sentido contrário, 15% disseram ser totalmente contrários e 4% mais contrários do que favoráveis. Outros 3% disseram não conhecer o assunto o suficiente para avaliar e 1% não soube ou não respondeu.
66% apoiam mandatos com prazo determinado para ministros do STF
O levantamento apresentou ainda uma segunda proposta relacionada à estrutura do Supremo: a criação de mandatos com prazo determinado para ministros da Corte.
Nesse caso, 58% afirmaram ser totalmente favoráveis e outros 8% disseram ser mais favoráveis do que contrários.
As respostas favoráveis somam, portanto, 66%.
Do outro lado, 19% são totalmente contrários e 3% mais contrários do que favoráveis.
O resultado indica que a pesquisa não se limitou à avaliação individual dos ministros. Ela também mediu a opinião dos eleitores sobre possíveis mudanças na estrutura de funcionamento do STF.
57% acompanharam a crise com muita ou alguma atenção
A relevância dos números também precisa ser analisada em conjunto com o grau de exposição dos entrevistados ao assunto.
35% disseram ter acompanhado o noticiário sobre a crise no STF com muita atenção.
Outros 22% afirmaram ter acompanhado com alguma atenção.
Somados, os dois grupos chegam a 57%.
Outros 20% disseram que apenas ouviram falar do assunto, enquanto 19% afirmaram não ter ouvido falar da crise.
Isso significa que uma parcela expressiva declarou ter acompanhado o episódio, mas também existe um grupo relevante que não se considera suficientemente informado para avaliar a questão.
A percepção sobre Moraes muda conforme o posicionamento político
A pesquisa também mostra uma forte diferença entre os grupos políticos.
Entre os entrevistados que se identificam como bolsonaristas, 77% atribuem a Moraes principalmente critérios políticos. Na direita não bolsonarista, esse percentual chega a 68%.
Nos dois grupos, apenas 1% aponta critérios técnicos e jurídicos como principal fundamento das decisões de Moraes.
Entre lulistas ou petistas, por outro lado, 23% atribuem predominância de critérios políticos a Moraes. Na esquerda não lulista, são 20%.
Nesse mesmo recorte, 37% dos lulistas ou petistas e 41% da esquerda não lulista apontam critérios técnicos e jurídicos.
A diferença também aparece quando o eleitor é dividido pelo voto declarado no segundo turno de 2022.
Entre os que afirmaram ter votado em Jair Bolsonaro, 70% atribuem critérios políticos às decisões de Moraes.
Entre os que declararam voto em Luiz Inácio Lula da Silva, o percentual é de 22%.
O levantamento, portanto, registra uma associação significativa entre a percepção sobre Moraes e o posicionamento político declarado pelo entrevistado.


Mendonça aparece como contraponto na mesma pesquisa
André Mendonça foi incluído na mesma bateria de perguntas, mas os resultados apresentam distribuição diferente.
Para 33%, Mendonça utiliza principalmente critérios técnicos e jurídicos.
Outros 28% atribuem predominância de critérios políticos ao ministro, enquanto 17% consideram que ele utiliza os dois tipos de critério.
A diferença também aparece nos recortes políticos.
Entre bolsonaristas, 71% consideram que Mendonça decide principalmente por critérios técnicos e jurídicos, contra 5% que apontam critérios políticos.
Na direita não bolsonarista, os percentuais são 59% e 5%, respectivamente.
Entre lulistas ou petistas, 63% atribuem predominância de critérios políticos a Mendonça.
Os números mostram que a pesquisa registra percepções bastante diferentes sobre os dois ministros, dependendo também do posicionamento político declarado pelos entrevistados.
O que a pesquisa efetivamente mede
Os resultados precisam ser lidos pelo que são: uma fotografia da percepção dos eleitores entrevistados em setembro de 2026.
A pesquisa não estabelece que decisões de Moraes sejam juridicamente políticas, assim como não estabelece que decisões de Mendonça sejam juridicamente técnicas.
Ela registra como os entrevistados interpretam a atuação dos ministros.
A diferença entre percepção e comprovação é especialmente relevante em uma pesquisa realizada durante uma disputa institucional em andamento.
Ao mesmo tempo, três números independentes da mesma sondagem ajudam a dimensionar o ambiente de opinião pública em torno do STF: 45% atribuem a Moraes predominância de critérios políticos; 46% o apontam como principal responsável pela crise; e 77% apoiam a abertura de impeachment contra ministros envolvidos no episódio.
Confiança no STF também aparece no levantamento
A pesquisa Indexa/Broadcast registrou ainda que 45% dos entrevistados afirmam não confiar no trabalho do STF.
Outros 32% dizem confiar pouco, enquanto 10% afirmam confiar muito.
Há ainda 8% que dizem não ter conhecimento suficiente para avaliar e 5% que não sabem ou não responderam.
Esse dado amplia o contexto da pesquisa: além da avaliação individual sobre Moraes e da atribuição de responsabilidade pela crise, o levantamento encontrou uma parcela relevante do eleitorado declarando baixa confiança na própria instituição.
Metodologia
A pesquisa Indexa/Broadcast ouviu 2.000 eleitores entre 10 e 13 de setembro de 2026, por meio de entrevistas telefônicas.
A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento foi contratado pela Agência Estado e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03482/2026.







