Ato em Macapá levou o coro “Fora, Davi” ao reduto eleitoral do presidente do Senado e transformou uma disputa de Brasília em cobrança dentro do Estado que o elegeu
A pressão contra Davi Alcolumbre chegou ao seu próprio território político. Neste domingo (13), uma manifestação no Amapá levou às ruas a cobrança pelo avanço dos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e fez ecoar o coro “Fora, Davi” diante do presidente do Senado, justamente no Amapá, sua base eleitoral. O ato foi liderado pelo deputado mineiro Nikolas Ferreira (PL-MG) e organizado por integrantes do PL.
O que mudou foi o território da pressão: uma disputa que estava concentrada no Congresso Nacional foi levada para dentro do reduto político do presidente do Senado.
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O Macapá entrou no centro da disputa a manifestação no Amapá
A manifestação aconteceu na Concha do Araxá, em Macapá. Nikolas criticou Alcolumbre por questões locais, como infraestrutura, saneamento e segurança, e afirmou que o Estado não deveria mais se “curvar para a velha política”.
A mobilização ainda enfrentou resistência antes de acontecer., aliados de Alcolumbre não conseguiram atrapalhar a manifestação que foi gigante pelo tamanho do estado. Segundo Nikolas, houve cartazes, panfletos, bonecos e outras ações contrárias ao evento, que acabou tendo o local alterado antes de chegar à Concha do Araxá.
O simbolismo é evidente: a cobrança contra Alcolumbre deixou de ser apenas uma disputa entre parlamentares em Brasília e passou a ser apresentada diretamente ao eleitorado do Estado que o senador representa.
E há um detalhe político relevante: quem levou a pressão ao Amapá foi um deputado mineiro, uma liderança nacional da oposição, mostrando que a disputa em torno do Senado e do STF ultrapassou os limites geográficos de Brasília.
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Por que Alcolumbre é o alvo
A cobrança está ligada principalmente à posição de Alcolumbre sobre os inúmeros pedidos de impeachment contra ministros do Supremo, especialmente Alexandre de Moraes.
Em 1º de setembro, o próprio presidente do Senado afirmou que recebeu 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF e declarou: “Isso não é normal”.
Apesar disso, Alcolumbre não anunciou o andamento imediato de um processo contra Moraes.
O tema ganhou novo peso depois da divulgação de informações da investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master e das referências ao relacionamento entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do banco. Senadores da oposição passaram a exigir apuração e defender o afastamento do ministro.
Em 4 de setembro, o senador Carlos Viana anunciou inclusive uma petição ao Conselho de Ética contra Alcolumbre, alegando omissão diante dos pedidos de impeachment.
A pressão, portanto, já ocorre dentro do próprio Senado.
Agora, ela chegou às ruas do Amapá.
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O custo político muda de lugar
Essa é a principal novidade do episódio.
Em Brasília, Alcolumbre pode enquadrar a pressão como conflito entre governo, oposição, Senado e Supremo. Em Macapá, a discussão ganha uma dimensão eleitoral porque acontece no Estado onde o senador construiu sua carreira política.
O ato não demonstra, por si só, perda de apoio majoritário a Alcolumbre. Mas demonstra que há espaço para uma mobilização contra o presidente do Senado dentro de seu próprio reduto político.
É uma diferença importante.
A política institucional costuma ser medida por votos no plenário, decisões da Mesa e negociações partidárias. A manifestação do Amapá acrescenta outro indicador: a capacidade de transformar uma decisão tomada em Brasília em um problema político local.
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O que o protesto realmente revela
A mensagem mais forte do ato não está apenas no “Fora, Davi”.
Está na tentativa de colocar o eleitor novamente no centro da equação.
Ao levar a cobrança para Macapá, Nikolas procurou transformar uma questão institucional, a condução dos pedidos contra Moraes, em uma questão política percebida diretamente pela população do Estado.
Foi também esse o argumento utilizado pelo deputado ao afirmar que o Amapá não deveria mais se curvar à “velha política”.
O resultado não autoriza afirmar que todo o Amapá rompeu com Alcolumbre. Mas permite uma conclusão mais precisa:
o senador passou a enfrentar pressão sobre sua atuação não apenas dentro das instituições que preside, mas também no território onde sua força política foi construída.
E esse talvez seja o aspecto mais incômodo da manifestação para o presidente do Senado.
A disputa pelo impeachment de Moraes começou em Brasília.
Agora, chegou ao Amapá.



