A CPMI do INSS colocou o Supremo Tribunal Federal no centro de uma nova zona de pressão após apontar que mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro teriam sido trocadas com um número funcional da Corte — incluindo um trecho que levanta suspeita de tentativa de interferência: “conseguiu bloquear?”.
A declaração foi feita pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPI, durante entrevista ao programa Roda Viva na segunda-feira (16).
Pressão explícita: afastamento de Moraes entra no debate
Viana elevou o tom ao defender o afastamento do ministro Alexandre de Moraes enquanto as investigações seguem:
“Em qualquer país sério do mundo, o ministro Alexandre de Moraes estaria afastado do cargo até que a investigação terminasse.”
O ponto central: telefone funcional e mensagens sensíveis
Segundo o senador, o número com o qual Vorcaro trocou mensagens no dia de sua prisão, em 17 de novembro de 2025, seria um telefone funcional do STF.
Nos registros analisados pela CPI:
- Há menções a tentativas de articulação para “salvar o Banco Master”
- Surge a mensagem: “conseguiu bloquear?”
- O contexto sugere possível referência a medidas contra uma operação policial
Viana reforçou:
“Cabe ao STF informar com quem estava o número naquele dia.”
O foco da investigação passa a ser não apenas o conteúdo, mas a responsabilidade institucional sobre o uso do canal oficial.
Moraes nega parte das acusações, mas mantém zona cinzenta
O ministro Alexandre de Moraes negou que as mensagens citadas tenham sido enviadas a ele.
No entanto, não descartou a existência de outros diálogos com Vorcaro na mesma data, mantendo a investigação aberta e ampliando a incerteza sobre o caso.
Viana disse que cabe ao STF informar com quem estava o número naquele dia. “Pelo poder que [Moraes] tem como ministro, e que tem demonstrado que usa até fora, a meu ver, da própria Constituição, deveria estar fora do cargo para que essa investigação fosse a mais isenta possível”, disse.
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Decisão de Mendonça trava acesso e muda o jogo
O avanço da CPMI sofreu uma interrupção direta após decisão do ministro André Mendonça, que proibiu o acesso aos documentos obtidos via quebra de sigilo de Vorcaro.
Efeitos imediatos:
- A sala cofre com os dados foi trancada
- A CPI perdeu acesso a informações-chave
- A estratégia da comissão precisará ser reavaliada
Apesar do impacto, Viana classificou a decisão como:
“Coerente”
O movimento indica uma tentativa de manter equilíbrio institucional enquanto a investigação perde momentaneamente tração.
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Rede de contatos amplia o alcance do caso
Os dados analisados pela CPI indicam que Vorcaro mantinha conexões além do sistema financeiro.
Entre os contatos identificados:
- Flávio Bolsonaro
- Nikolas Ferreira
O próprio Viana afirmou que seu nome constava na agenda, mas negou qualquer relação:
“Nunca troquei mensagens ou me encontrei com ele.”
Estratégia: pressão por delação e escalada da investigação
O presidente da CPMI deixou claro o próximo passo:
- Levar Vorcaro à comissão “de qualquer maneira”
- Buscar uma delação premiada
- Identificar todos os envolvidos no caso Banco Master
Ele também afirmou acreditar que André Mendonça poderia homologar uma eventual delação, mesmo que atinja integrantes da própria Corte.
Banco Central entra no radar da CPMI
A investigação avança agora sobre o papel das autoridades monetárias.
Devem ser ouvidos:
- Roberto Campos Neto
- Gabriel Galípolo
Segundo Viana:
“Os dois têm responsabilidade sobre o Banco Master.”
O movimento amplia o caso para a esfera de supervisão bancária e governança regulatória.
Próximos convocados
A CPI já aprovou a convocação de nomes ligados ao entorno de Vorcaro:
- Martha Graeff
- Fabiano Zettel
- Luiz Antonio Bull
Todos são investigados por possível participação nas operações financeiras do grupo.
O caso Banco Master evolui de um episódio financeiro para uma crise multifatorial:
- Financeira (fraudes e colapso bancário)
- Política (CPI e articulação parlamentar)
- Institucional (STF e controle de informações)
O ponto crítico agora é objetivo: acesso aos dados bloqueados e eventual colaboração de Vorcaro.


