O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), trouxe novos detalhes sobre diligências conduzidas pela Polícia Federal (PF) no âmbito da investigação que envolve integrantes de um grupo associado ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Na decisão, o relator descreve elementos coletados durante o cumprimento de mandados de busca autorizados pela Justiça. Segundo o documento, os agentes localizaram pistolas, uma espingarda e uma carabina durante as diligências.
As informações aparecem no voto como parte do conjunto de evidências reunidas no inquérito conduzido pela Polícia Federal.
O julgamento começou na sexta-feira (13 de março de 2026) e ocorre no plenário virtual da Corte, com previsão de encerramento em 20 de março, prazo final para que os ministros registrem seus votos.
Mendonça cita apreensão de armas em diligências
Ao detalhar as medidas executadas pelos investigadores, o ministro registra no voto as apreensões realizadas durante as buscas.
“Durante o cumprimento das medidas de busca e apreensão foram encontradas pistolas, uma espingarda e uma carabina”, afirma André Mendonça na decisão.
O trecho aparece na fundamentação do voto ao descrever os elementos reunidos pela investigação.
Segundo o documento, os armamentos foram recolhidos durante operações autorizadas judicialmente e passaram a integrar o material analisado no processo.
Entre os itens encontrados pelos agentes estão:
- uma pistola Taurus calibre .40
- uma pistola Glock calibre 9 mm
- uma carabina Rossi calibre .22
- uma espingarda CBC calibre 12
- carregadores e munições de diversos calibres.
Outro investigado, identificado como Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, também possuía uma pistola calibre .380 municiada sem registro, segundo os autos citados pelo ministro.
As apreensões ocorreram em 4 de março de 2026, data da deflagração da 3ª fase da Operação Compliance Zero.
Relator fala em organização criminosa armada
Ao rebater argumentos da defesa, Mendonça afirmou que as evidências reunidas pela investigação reforçam a hipótese de atuação estruturada do grupo.
Segundo o ministro, “não há como afastar a natureza de organização criminosa armada do grupo conhecido como ‘A Turma’”, expressão usada para se referir à estrutura que, de acordo com a investigação, monitorava e intimidava adversários do empresário.
Operação investiga organização criminosa ligada ao banqueiro
De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado teria estruturado uma organização responsável por diferentes crimes financeiros e atos de intimidação contra adversários.
As apurações indicam que o núcleo ligado a Daniel Vorcaro teria atuado para:
- monitorar concorrentes e críticos
- obter informações sigilosas em sistemas públicos
- intimidar pessoas consideradas ameaças ao grupo
Há indícios, segundo a investigação, de acesso indevido a sistemas da própria Polícia Federal e do Ministério Público Federal, o que levantou preocupação sobre possível interferência nas apurações.
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Contexto: investigação envolve fraude ligadas ao Banco Master
O caso ganhou maior relevância por ocorrer em meio a investigações que analisam operações financeiras associadas ao Banco Master.
Autoridades investigam fraudes financeiras, irregularidades em operações de crédito e possíveis práticas destinadas a inflar artificialmente ativos ou operações do banco.
As apurações também examinam a atuação de pessoas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro em estratégias que teriam envolvido:
- movimentações financeiras consideradas atípicas
- operações estruturadas com empresas relacionadas
- uso de intermediários em transações investigadas
Esses elementos fazem parte do conjunto de linhas investigativas analisadas pelas autoridades.
Registros analisados pela PF incluem contatos com autoridades
A investigação da Polícia Federal também analisa registros de comunicações e contatos presentes nos materiais apreendidos durante as diligências.
Segundo informações citadas nos autos do processo, investigadores examinam conversas e registros que mencionam autoridades públicas e figuras políticas, incluindo referências a ministros do Supremo Tribunal Federal como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do senador Ciro Nogueira.
Os registros fazem parte do material sob análise pericial e estão sendo avaliados para determinar o contexto das comunicações.
Maioria já formada no STF
Na votação da 2ª Turma, os ministros:
- André Mendonça (relator)
- Luiz Fux
- Kassio Nunes Marques
votaram para manter a prisão preventiva do empresário.
Com esses votos, já há maioria para referendar a decisão do relator.
Toffoli se declarou suspeito
O ministro Dias Toffoli não participa do julgamento.
Ele se declarou suspeito por motivo de foro íntimo, após já ter adotado a mesma posição em um processo relacionado ao caso do Banco Master.
Com isso, deixou a relatoria e se retirou da análise do processo.
Gilmar Mendes ainda não votou
O presidente da 2ª Turma, Gilmar Mendes, ainda não registrou seu voto no julgamento.
Como a votação ocorre no plenário virtual, os ministros podem inserir seus votos a qualquer momento até o encerramento da sessão, em 20 de março.
Mesmo com o voto pendente, a maioria necessária para manter a prisão já foi atingida.
Contexto da operação
A Operação Compliance Zero, iniciada em 2025, investiga uma estrutura com quatro núcleos principais que atuariam em crimes como:
- fraude no sistema financeiro
- corrupção
- lavagem de dinheiro
- invasão de dispositivos informáticos
Em fases anteriores da investigação, a PF apreendeu:
- 52 celulares
- mais de R$ 2,6 milhões em dinheiro
- 30 armas
- veículos e um avião avaliados em centenas de milhões de reais.








